Hospital construído no séc. 18, de planta em U com fachadas de dois ou três pisos, em estilo neoclássico ao gosto neopalladiano, e que muito influenciou a arquitectura portuense, sobretudo a de cariz civil. As fachadas, sobretudo a principal, com o aparelho característico a recobrir o 1º piso, as colunatas do andar nobre, os frontões, as balaustradas e as urnas a sobrepujar as cornijas, deram à cidade do Porto uma expressão arquitectónica que a individualiza, ao mesmo tempo que a opõe ao gosto barroco ainda vigente no Norte do país.
Edifício de planta em U, com coberturas diferenciadas em telhados de 2 e 4 águas. A fachada principal, ampla, está dividida em cinco corpos. O central, um pouco saliente, tem ao centro um pórtico no qual assentam seis colunas dóricas que suportam o entablamento e o tímpano. Esta parte destaca-se das cinco janelas centrais existentes no andar nobre do mesmo corpo. Além do andar inferior e do andar nobre tem este corpo um terceiro andar; superiormente é rematado por uma balaustrada, tendo aos cantos pequenos torreões em cada um dos quais se abre um óculo. As janelas do andar nobre, no alinhamento dos torreões são diferentes das restantes, pois são decoradas com colunas e pilastras rematadas por um arco de volta inteira. Os corpos intermédios, iguais, são rematados superiormente por balaustrada, excepto nas três janelas centrais em que o remate é um tímpano. As janelas destes corpos dão para um terraço abalaustrado sustentado por abóbada e que assenta em arcada que corre ao longo do piso térreo, entre o corpo central e os laterais. Os corpos laterais, também iguais, têm, no andar nobre, um recuo na parte correspondente às três janelas centrais. A frente desse recuo é formada por quatro colunas análogas às do corpo central do edifício, que sustentam entablamentos com balaustrada e, ao centro, num entablamento mais elevado e decorado com grinaldas assentam, no corpo esquerdo a estátua de Galeno (da autoria de António de Almeida Costa) e, no direito a de Esculápio. Estes recuos têm, como o corpo central, um terceiro piso. Nos corpos laterais e intermédios, encimando a balaustrada, existem urnas. Todo o piso térreo incluindo o pórtico central e as arcadas dos corpos intermédios, é formado por silharia de juntas fendidas. As fachadas laterais do edifício são bastante singelas em relação à monumentalidade da fachada principal. Interiormente, apenas merece alusão especial a farmácia do Hospital, com acesso pela porta central do corpo intermédio esquerdo da fachada principal, pois conserva os armários antigos que foram um conjunto característico e quase único no género.
Materiais
Embasamentos e paramentos em cantaria de granito do Porto, de grão médio; pavimentos em laje de betão; coberturas em telha sobre vigamento de betão armado.
Observações
*1 - O arquitecto previra a construção das paredes em tijolo. Porém, ignorando esse pormenor, os executantes fizeram-nas de granito. As obras foram, por isso, muito demoradas e dispendiosas. Segundo o projecto de Carr o edifício seria quadrangular e de quatro fachadas, de 172,26 metros as de O. e E. de 177,54 metros as do N. e S., ocupando uma área total de 29.721 metros quadrados. No meio do pátio ficaria a capela, de planta circular no interior e quadrangular exteriormente, tendo de lado 29,26 metros, com um zimbório, 32 colunas e 4 estátuas. Tudo ficou, no entanto, só em projecto, devido às disponibilidades limitadas. O edifício ficou assim com planta em U por não se ter executado a fachada poente e haverem sido encurtados os corpos do N. e do S.; *2 - Mais pormenores sobre o projecto e da construção podem ver-se em Passos, Carlos de, Guia Histórica e Artística do Porto, Porto, s./d. e em Bastos, Artur de Magalhães, Origens e Desenvolvimento de um estabelecimento de Assistência e Caridade, Porto, s./d.; *3 - Desde a conclusão das obras de construção do Hospital, em 1824, a Santa Casa da Misericórdia do Porto, primeiro, e o Ministério da Saúde, depois, realizaram diversas obras de conservação e restauro em várias zonas do edifício, bem como pequenas obras de adaptação dos espaços interiores, de acordo com as exigências específicas dos serviços hospitalares e, bem assim, do internamento de doentes. De tais intervenções não foram encontrados, até ao momento, quaisquer registos.