Núcleo urbano sede distrital. Cidade medieval muralhada com vestígios de cerca românica e da muralha gótica e importantes transformações do Barroco, Neoclássico e Revolução Industrial. O Centro Histórico do Porto é constituído por uma malha urbana de grande valor histórico, cultural, artístico e arquitectónico.
É constituído por uma malha urbana confinada à linha da muralha fernandina do séc. 14, mais alguns arrabaldes próximos, tais como Miragaia a O., os Guindais e Fontaínhas a E.. A presença do rio foi fundamental para a implantação do povoado romano, como meio de comunicação e trocas, a atestar por escavações recentes, levadas a cabo tanto no Bairro da Sé como na Ribeira, que permitiram pôr a descoberto o percurso da antiga via romana de Conímbriga a Braga, que passava pelas que hoje se designam como Ruas dos Mercadores, Bainharia e Pelames. A necessidade de defesa militar e protecção contra um possível inimigo conduziram a que um novo pólo urbano se desenvolvesse no Morro da Sé ou da Penaventosa. Deste modo deparamo-nos com dois pólos urbanos que se desenvolveram e caracterizaram o burgo: são eles a zona ribeirinha junto ao rio, cais de embarque e desembarque de mercadorias e ponto de passagem para a outra margem, onde os comerciantes dominam apoiados pelo Rei; e o Morro da Sé, onde o domínio é do Clero e do seu Bispo, que, através de uma carta de doação de D. Teresa do couto do Porto ao bispo francês D. Hugo, lhe confere plenos poderes e seus sucessores. Neste morro em torno da catedral é erguido no séc. 12 um primeiro perímetro de muralhas, mas com o aumento de população e expansão da cidade, uma nova muralha, a fernandina, é construída já no último quartel do séc. 14. A Idade Média é um período de grandes transformações e aumento demográfico onde começa já a despontar a ideia de se edificarem hospitais, albergarias e praças. Contudo foi nos séculos seguintes, com o período do Renascimento e mais tarde no séc. 18 com o advir do Barroco que a cidade tomou novas formas e ganhou novo alento. A criação da Junta de Obras Públicas, por volta de 1762, foi o primeiro passo para se criar um departamento que se responsabilizasse pelo desenvolvimento urbanístico do Porto, sendo para isso primordial a acção dos Almadas (João de Almada e Melo e seu filho Francisco de Almada e Mendonça). Após o terramoto de Lisboa de 1755, fazendo-se uso de nova legislação são iniciados novos projectos e arranjos urbanísticos tendo em conta o interesse público. Importantes trabalhos intramuros são levados a cabo, nomeadamente o reordenamento da Praça da Ribeira, abertura da Rua de São João, criação da Praça de São Roque (demolida em meados séc. 19, para dar lugar à Rua Mouzinho da Silveira), a construção do Hospital de Santo António, entre outras obras. O séc. 18 é a centúria por excelência dos grande edifícios civis, empreendimentos públicos e do aumento extramuros de proprietários residentes. Entrando já no séc. 19, constata-se que o crescimento da população conduziu inevitavelmente ao crescendo de construções em altura, acrescentos e mansardas. Grande parte do pano das muralhas é demolido, dado que o conceito de cidade confinada dentro de um perímetro ou muralha ia contra os ideias de feição iluminista. Com o eclodir do Liberalismo novas teorias de urbanismo são postas em prática, a burguesia mercantil com o seu poder e dinamismo vai ter papel importante nas novas reformas urbanísticas provocadas pelo fomento da indústria. Na segunda metade do século assiste-se aos começos da especulação fundiária. Já nos inícios do séc. 20, a galopante ocupação do centro histórico conduz a um adensamento do tecido urbano, com as visíveis carências a nível de infraestruturas e que conduzirá em 1914 ao Plano de Melhoramentos e Ampliação da cidade do Porto, no qual a intervenção do britânico Barry Parker teve papel preponderante. De 1914 a 1962, verificaram-se dez Planos Urbanísticos que culminaram com o Plano Director Municipal da Cidade do Porto, no ano de 1962 da autoria de Robert Auzelle.
Materiais
Granito, taipa, cal, areia, madeira, telha cerâmica,vidro, ferro forjado, azulejo.
Observações