Igreja paroquial seiscentista com fachada de pano único ladeada por torre sineira, interior com uma nave com tecto em madeira, capela-mor abobadada, várias capelas na nave; espacialidade postridentina.
Planta longitudinal composta, nave e capela-mor justapostas, de planta rectangular, a que se adossam anexos a N. e a S.. Volumes escalonados com cobertura diferenciada em telhados de 2 e 1 águas. Fachada principal, virada a O., de pano único com empena triangular enquadrado a N. por cunhal apilastrado encimado por pináculo; portal axial rectangular encimado por porta-janela balconada e por óculo quadrilobado; a S. adossa-se a torre sineira, com coruchéu piramidal, rasgada por ventanas de verga redonda, com pináculos nos vértices. Na fachada lateral N. os volumes salientes dos anexos; na parede da nave rasga-se um portal com acesso por escada. Fachada posterior, assente num embasamento elevado, com empena angular, enquadrada por cunhais rusticados encimados por pináculos. Na fachada lateral S. vários anexos abrem para pátio interno. No INTERIOR a nave, coberta por tecto em madeira de 5 planos longitudinais, é antecedida por coro alto apoiado em colunas toscanas; neste guarda-se órgão rococó de tubos verticais; um guarda-vento em madeira resguarda a porta de entrada; do lado direito da porta uma pia de água-benta manuelina; do lado do Evangelho, a seguir à porta lateral, encontramos a antiga capela dedicada a Santa Isabel de Portugal, com acesso por arco redondo, com retábulo rococó em madeira pintada e dourada; a capela dedicada a São Miguel Arcanjo, antecedida por elaborado portal com pilastras coríntias caneladas e frontão triangular interrompido, retábulo de estilo nacional, pintado e dourado e mesa de altar rococó, em forma de urna; do lado da Epístola a capela baptismal, no piso baixo da torre sineira, com acesso por arco quebrado; o púlpito de caixa em talha dourada; duas capelas com vãos de acesso idênticos aos do lado oposto da nave, a primeira outrora dedicada a Nossa Senhora da Consolação, com retábulo rococó, a segunda dedicada ao Senhor Jesus dos Lavradores (v. 1419140018). vedada por portão em ferro fundido; dos lados do arco triunfal rasgam-se portais com frontões triangulares unidos por pilastras ao entablamento; acima dos portais espelhos em cantaria; arco triunfal semicircular, com 3 vieiras relevadas no fecho, apoiado em pilastras toscanas. Capela-mor, mais estreita e mais baixa que a nave, coberta por abóbada de berço redondo; no altar-mor retábulo de estilo nacional em talha dourada, mesa de altar, em forma de urna, com ornatos rococó. A nave e a capela-mor são envolvidas por um silhar baixo de azulejos imitando um padrão polícromo seiscentista. A sacristia, com acesso por porta rasgada na parede do lado da Epístola, mostra abóbada de berço redondo; sobre o arcaz uma pintura mural enquadrada por moldura em madeira representa a intervenção de Santiago na conquista de Coimbra aos mouros. Contígua fica a antiga Casa do Despacho da Irmandade do Santíssimo.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e caiada. Cantaria em molduras. Telha cerâmica. Azulejos em revestimentos internos. Pavimento em tijoleira e madeira.
Observações
(1) Em frente à primitiva Igreja de Santiago, no seu adro, reuniram-se em 1438 as cortes para decidir sobre a regência do reino na menoridade de Afonso V. (2) Em 1758 existiam ainda 7 altares, todos muito bem decorados e recheados de imagens e relíquias; o altar-mor, o altar de São Brás, o altar de São Miguel e o altar do Senhor Jesus dos Lavradores tinham banquetas em prata. (3) A capela do Senhor Jesus dos Lavradores, separada da nave por grade em ferro e pertença da Santa Casa da Misericórdia, é um belíssimo exemplo de "obra de arte total", que exemplarmente identifica o barroco, com o seu revestimento integral de azulejos, talha dourada e pintura, executados em finais do séc. 17.