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Moinho dos Gafos

Moinho dos Gafos

O ponto de interesse Moinho dos Gafos encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Torres Novas (Santa Maria no municipio de Torres Novas e no distrito de Santarém.

Arquitectura agrícola. Moinho de água integradi num conjunto de 9 moínhos (já desactivados e na sua maioria arruinados), testemunhos dos muitos moínhos outrora existentes no rio Almonda e que aproveitavam a força motriz da corrente para moer cereais e azeitona.

Planta poligonal, composta por rectângulos de diferentes dimensões, adossados em L. O corpo maior (armazéns e lagar), implantado na margem do rio, paralelo ao seu curso, encontra-se parcialmente arruinado e já sem cobertura; a fachada E. abre para o leito do rio, a fachada O. para terreno murado. O corpo menor (o antigo moínho), coberto por telhado de 2 águas, assenta no curso do rio, apoiando-se em 4 arcos de volta perfeita intercalados por talhamares prismáticos; as fachadas viradas a S. e a N., de um piso, são rasgadas por 3 janelas rectangulares, a fachada virada a E. por uma janela.

Materiais

Armazéns e lagar: estrutura em alvenaria mista, cantaria em molduras de vãos. Moínho: estrutura de alvenaria mista, rebocada e pintada de branco e amarelo (rodapé); cantaria no embasamento e nas molduras dos vãos; cobertura em telha cerâmica; janelas de madeira.

Observações

*1. Referido no PDM de Torres Novas, DR 30, de 5 de Fevereiro de 1997. Integrado no "Designado Sítio Classificado de Torres Novas, tendo por elemento unificador o Rio almonda entre a Ponte das Lapas e a Ponte Nova, abrangendo áreas das freguesias das Lapas, São Pedro, Salvador e Santa Maria (...)" (Artº 68º, 1d). *2. O Moínho dos Gafos testemunha a existência do antigo Hospital dos Gafos (leprosos), situado nas suas imediações; anexo ficava a capela de Santo André (demolida em 1882) e o convento do Espírito Santo de freiras da Ordem Terceira de S. Francisco. O actual Lg. de Santo André situa-se no lugar das Portas de Santarém, no limite S. da vila. *3. Segundo a tradição, a Raínha Santa Isabel (donatária da vila e fundadora do recolhimento do Espírito Santo, no lugar onde em 1536 nasceria o convento do mesmo nome) lavava os panos dos leprosos na calha do moínho, o que tornara as águas medicinais para quem sofria de mal de olhos ou de fígado, curando-se quem se lavasse 9 dias na água da primeira calha do moínho. De acordo com outra lenda, nessa primeira calha do moínho fora lavada a imagem do Senhor Jesus dos Lavradores, que se venera na capela do mesmo nome da igreja de Santiago, depois de ter sido encontrada enterrada em terrenos da vizinha povoação de Riachos. *4. O moínho dos Gafos é também conhecido popularmente pela designação deturpada de moínho dos Garfos.*5. O rio Almonda conta hoje apenas com 9 moínhos no seu curso de c. de 20 Km., desde a nascente, na vertente da serra de Aire, no lugar do Almonda, a 5 km. a NO. de Torres Novas, até à foz, no rio Tejo, no sítio da Igreja Grande, perto da Azinhaga: moínho da Ribeira, na freguesia da Ribeira, na margem direita (apenas resta o embasamento integrado numa casa recente); moínho da Lameira, à entrada nas Lapas, freguesia das Lapas, na margem esquerda do rio; o moínho de Baixo, na margem esquerda, dentro da povoação; o moínho dos Pimentéis, igualmente na freguesia das Lapas (um conjunto de 3 moínhos, nas 2 margens do rio); o moínho de S. Gião, integrado nos terrenos da Quinta de S. Gião, em Torres Novas, na freguesia de S. Pedro, na margem direita; o moínho de Santa Bárbara, integrado na Fábrica de Fiação de Torres Novas, na margem esquerda do rio; o moínho dos Gafos (integrado na zona urbana); o moínho da Cova e o moínho dos Meziões (na várzea a nascente da zona urbana). Em 1758 (Memórias Paroquiais) existiam 31 moínhos, cada um com 3 a 4 pedras e 23 lagares de 2 e 4 varas; em 1936 (GONÇALVES) contavam-se ainda 25 moínhos com 124 pedras. Associados aos moínhos existem pontes, açudes e represas e, nas suas imediações, ainda vários portos, outrora locais de recolha de água e de lavagem da roupa. Restam ainda várias tarambolas (azenhas) e respectivos caneiros em madeira, que se destinavam à irrigação dos campos vizinhos.Não foi possível o acesso ao interior.