Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Convento de planta em L, irregular, com igreja de planta longitudinal, nave única, capela-mor e capelas laterais profuntas, formando interiormente um falso transepto, e dependências conventuais organizadas longitudinalmente, em torno de dois claustros, um maior e outro mais pequeno. Interior da igreja com cobertura em abóbada de berço. Capelas do claustro cobertas por azulejos enxaquetados e de padrão do séc. 17 e azulejos figurativos do séc. 18. No jardim existe um cruzeiro com diversas inscrições, nomeadamente a da sagração da igreja. A igreja foi panteão da família Melo e Castro, benfeitores do convento, existindo por isso diversas sepulturas e lápides com inscrições alusivas.
Planta em L, irregular, composta por igreja de nave única, capelas laterais profundas e capela-mor, a que se adossa o edifício conventual a S., aberto por dois claustros, um pequeno e um grande. Volumetria escalonada, de dominante horizontal, quebrada pelo verticalismo da torre sineira, de secção quadrada, que se ergue ao nível do telhado da igreja, do lado S.. Coberturas efectuadas por telhados diferenciados a 3, 2 e 1 águas, e coruchéu na torre. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas por cornija sob beiral e na fachada principal e posterior da igreja, em empena com cruz sobre acrotério. IGREJA com fachada principal orientada, delimitada por cunhais de cantaria, rasgada por porta em arco abatido com pedra de armas no lintel, encimada por três janelões, cendo o central mais elevado e nicho com imagem de Nossa Senhora do Carmo, com emolduramento recortado. Fachadas laterais com largos contrafortes recortados, existindo na fachada S. diversas construções adossadas. Torre sineira, rasgada por ventanas em arco de volta perfeita rematada por pináculos nos ângulos. INTERIOR com nave com coro-alto, coberta por abóbada de berço e pavimento com diversas sepulturas, nomeadamente de António Rodrigues da Rocha e Sua mulher Leonor Coutinho, um fidalgo da casa do rei D. Manuel, capitães da Vila de Colares e um dos mestres de obras da igreja. Do lado do Evangelho, púlpito. Capelas laterais formando um falso transepto, sendo a, do lado do Evangelho, de invocação de Cristo e a, do lado da Epístola, de Santa Luzia, com sepultura no pavimento de Brites Vaz. Capela-mor com retábulo-mor *2 com tribuna em arco de volta perfeita com trono, com diversa imaginária. Pavimento com sepulturas com inscrição, de D. Dinis de Melo e Castro e seus herdeiros. Paredes com túmulos inscritos na caixa murária, entre arcos, com inscrições, de Brás Correia, do lado do Evangelho e D. Pedro de Castro, do lado da Epístola. Sacristia com ligação interior ao claustro pequeno, coberta por abóbada de berço com cadeiral e arcaz encimado por nicho central em arco de volta perfeita, com imaginária, ladeado por quatro tábuas pintadas representando Santa Ana, São Joaquim, São Francisco e Santo António. CONVENTO com fachadas de três registos, separados por friso, ritmadas por vãos de verga recta, correspondendo a janelas quadrangulares e janelas de sacada com guardas de ferro. CLAUSTROS: Claustro pequeno quadrangular, com arcaria de volta perfeita, com três arcos por fachada, assentes em colunas de fuste liso e de ordem toscana, estando as dos ângulos embebidas na caixa murária. Galerias cobertas por abóbadas de aresta e pavimento de laje de cantaria. Claustro grande de dois pisos, tendo no térreo, entre contrafortes, e seis arcos de volta perfeita assentes em colunas, por fachada, estando também as dos ângulos embebidas na caixa murária e no piso superior janelas de sacada. Galerias também cobertas por abóbadas de aresta. Ao centro, fonte de tanque circular. INTERIOR: Casa da Portaria rectangular com cobertura abobadada, com acesso ao claustro pequeno. Neste claustro abre-se a Capela da Sacravia *3, coberta por abóbada de berço, estucada, decorada por composições geométricas, algumas com florões, tendo na base querubins e cornija sobre friso marmoreado. Pavimento em mosaico enxaquetado. Paredes revestidas a azulejos, sendo inferiormente por azulejos enxaquetados, monócromos a azul e superiormente por azulejos polícromos de ponta de diamante. Do lado do Evangelho lápide de mármore moldurada com inscrição e, do lado da Epístola, lápide idêntica em branco. Na parede testeira, altar rectangular, com urna de mármore no seu interior encimado por nicho com pilastras molduradas toscanas e arco do volta perfeita. A ladeá-lo composição de volutas brancas, sobre fundo marmoreado a rosa e preto e a rematá-lo frontão de volutas interrompido por querubim. Capela de São Pedro, com acesso pelo claustro grande, com retábulo de talha dourada e pintada, vazado por nichos de modo a receber relicários, e silhar de azulejos monócromos a azul, figurativos com representação da aparição da Virgem a um monge carmelita. Capela de Nossa Senhora, correspondendo à antiga cela de Frei Estêvão da Purificação. Junto a esta capela situa-se a livraria. As celas são distribuidas hierarquicamente, existindo na ala O. as da comunidade religiosa e a do prior, na meridional a chamada "casa do fogo" e na setentrional as dos noviços. Refeitório com painéis de azulejos do séc. 18 e Sala do Capítulo, com sepultura de Frei Estêvão da Purificação.
Materiais
Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, azulejos, madeira pintada e dourada, telha de canudo.
Observações
*1- DOF: Convento de Santa Ana da Ordem do Carmo e respectiva cerca. *2 - o retábulo é proveniente da capela de Santa Ana, do Convento do Carmo, em Lisboa. *3 - nesta capela esteve sepultado Frei Estêvão da Purificação.