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Liceu Rainha Dona Leonor

Liceu Rainha Dona Leonor

O ponto de interesse Liceu Rainha Dona Leonor encontra-se localizado na freguesia de Alvalade no municipio de Lisboa e no distrito de Lisboa.

Liceu Nacional, feminino, projetado e construído no final da década de 1950, ao abrigo do designado "Plano de 1958", programa de construção de 16 novos edifícios liceais, a erguer em diversos pontos do país num prazo de 8 anos. Este programa foi desenvolvido, com algumas exceções, no seio da JCETS, pela mesma equipa que desenvolvera o "Plano de 1938" e que levava a cabo, desde 1947, o programa de construção de escolas técnicas, agora reforçada por dois jovens arquitetos, Augusto Brandão e Maria do Carmo Matos, cujo envolvimento vai ser determinante na definição de projetos-tipo. Para a conceção do "Plano de 1958" a JCETS/MOP editou dois documentos orientadores, as "Normas Gerais para as Instalações dos Liceus"*1 e o "Estudo de Composição dos Vários Tipos de Liceus". Assim, os edifícios construídos ao abrigo do "Plano de 1958" perdem o caráter historicista e monumental dos do "Plano de 1938", adquirindo um "sabor sóbrio e moderno" que acompanha "as tendências mais discretas e lógicas das novas realizações arquitetónicas nacionais" (Augusto BRANDÃO - "Anteprojecto do Liceu Rainha D. Leonor". Lisboa, MOP/JCETS, 1957), e melhor adota o espírito funcional que estas construções exigem. Contemplam, contudo, os mesmos grupos de serviços anteriormente considerados (administrativos, escolares, especiais, de educação física, comunicações e diversos), organizados de acordo com uma tipologia linear, constituída por dois corpos funcionais autónomos, um reservado aos espaços letivos (dispostos ao longo de um corredor central, ou lateral, de distribuição), contendo (nos seus pontos mais centrais) os espaços administrativos e de serviços especiais, e outro reservado ao ginásio e refeitório (com entrada independente, normalmente, em posição axial e em contacto com os campos de jogos exteriores). A orientação geral proposta para os diversos espaços continua a ser a mesma ddo que anteriormente, salas de aula normais e laboratórios sempre para S., deixando os corredores para N., assim como as salas de desenho e de trabalhos manuais. Mantém-se também a opção por coberturas telhadas, com o teto do último piso em betão, por forma a permitir um melhor aproveitamento dos desvãos. O tamanho de um edifício liceu continua a ser calculado em função do número de turmas estimado (contemplam-se liceus para 24, 20, 16 e 9 turmas), sendo que a cada turma cabe uma sala de aula normal, todos os restantes espaços são calculados em função desta unidade. O tamanho de uma sala de aula normal (e os restantes em função deste) é pensado em função da métrica conseguida pela utilização de uma estrutura reticulada de betão-armado (pilar-viga). No caso do Liceu Rainha D. Leonor é considerada uma métrica estrutural alcançada pela divisão do espaço da sala de aula em duas partes iguais (4,15 m.), sendo a subdivisão desta dimensão utilizada para a normalização dos caixilhos exteriores das fachadas. Esta modulação, em conjunto com a utilização de elementos construtivos normalizados atribui uma uniformidade a todo o conjunto. O Liceu Rainha D. Leonor foi o primeiro edifício liceu projetado e construído ao abrigo deste programa, sendo de alguma forma experimental das propostas aí apresentadas e constituindo um "balão de ensaio" para a criação do 1.º Estudo de Normalização que viria a ser aplicado às escolas técnicas.

Conjunto de planta composta, poligonal, resultante da articulação de vários corpos retangulares de dois e três pisos. O edifício original apresentava uma planta modular composta por dois corpos retangulares, de dois e três pisos, perpendiculares entre si. A estes foi acrescido, logo em 1967, um terceiro corpo, de três pisos, igualmente retangular, criando uma planta em forma de "U", com a fachada principal localizada no corpo central, virada a N.. A N., adossado ao extremo NO. da fachada principal, encontra-se hoje um novo corpo retangular, erguido na última campanha de obras. As coberturas do edifício original são em telhados de duas águas, sendo a do novo corpo plana. O acesso principal ao imóvel é feito por este novo corpo, a NO., a partir da Rua Maria Amália Vaz de Carvalho. O edifício original, construído a uma cota de 4 metros acima do nível da rua, era volumetricamente descontínuo, sendo a transição entre o corpo principal, a N., e o corpo O., feita apenas por uma laje de ensombramento, o que criava um intervalo entre os dois corpos. Este intervalo foi aproveitado na última campanha de obras para a localização da nova construção. Existe assim hoje um novo bloco, que estabelece a ligação entre os dois corpos anteriores e se prolonga, sobre pilotis, até à frente de rua, definindo um grande pátio coberto, conseguido pelo desmonte do talude e pelo aproveitamento de parte da área do recreio, onde ficou instalada a receção e por onde se acede à entrada principal do edifício (antiga entrada de acesso ao ginásio). A fachada N. desta nova construção apresenta um pano maioritariamente cego, rasgado apenas no seu terço inferior por uma fileira contínua de pequenas janelas retangulares, sobre as quais ficou inscrito o nome da escola. A restante fachada N., fachada principal do corpo central, surge mais recuada, precedida por um talude arborizado, entrecortado ao centro por uma dupla escadaria que antecedia a antiga entrada principal. Desenvolvida em três pisos, é constituída por cinco panos, iguais dois a dois a partir do central. Assim, os primeiro e quinto panos (a E. e a O.), são envidraçados e correspondem a espaços de circulação vertical com caixa de escadas (o quinto pano, a O. forma ângulo com a nova construção), os panos segundo e quarto são rasgados, em cada um dos seus três pisos, por dez grupos de duas janelas retangulares retilíneas com caixilharia de alumínio, separadas por pilar de betão, numa métrica regular. O pano central corresponde à antiga entrada principal e átrio de entrada e é todo ele envidraçado, sendo o piso de entrada marcado pelo antigo portal principal e por dois laterais. A fachada esquerda corresponde à fachada principal do corpo E. (corpo exclusivamente letivo) e, tal como a sua fachada posterior, é rasgada por janelas retilíneas retangulares com caixilharia de alumínio separadas por pilar de betão, numa métrica regular (um grupo de duas janelas separadas entre si por um estreito pilar cilíndrico e cada grupo por um pilar mais largo retangular). A fachada posterior do corpo central é formada por três panos, sendo o pano central envidraçado e os dois restantes rasgados, ao nível do primeiro e segundo pisos, por dez grupos de duas janelas retangulares retilíneas com caixilharia de alumínio, separadas por pilar de betão, numa métrica regular, no piso térreo a metade externa destes dois panos apresenta um recreio coberto. A fachada direita, fachada principal do corpo O. (corpo do ginásio/refeitório) é, atualmente, composta por cinco panos, os dois primeiros correspondentes à nova construção. O primeiro constitui um cubo saliente com uma parede cega, atrás da qual, num plano mais recuado é possível observar um outro pano rasgado por duas fileiras de janelas. O segundo pano, mais estreito e envidraçado, corresponde a uma caixa de escadas. Seguem-se os três panos da primitiva fachada O.. De dois pisos, o primeiro destes é rasgado por um grupo de cinco grandes janelas retilíneas retangulares com caixilharia de alumínio separadas por viga de betão. O segundo pano é rasgado por duas pequenas janelas retangulares retilíneas junto ao teto de cada piso. O terceiro é rasgado por um grupo de três grandes janelas retilíneas retangulares com caixilharia de alumínio separadas por viga de betão. Por último, a fachada posterior do corpo O. é composta por dois panos, um primeiro apresenta uma parede cega e o segundo apresenta, ao nível do primeiro piso, cinco janelas retilíneas retangulares com caixilharia de alumínio. Ao nível do piso térreo, junto aos campos de jogos exteriores, existe um campo de jogos coberto suspenso sobre pilotis de betão. INTERIOR: após o pátio coberto da entrada acede-se ao novo átrio de distribuição, criado por um vazio de quádruplo pé-direito intercetado por galerias aéreas de circulação e onde se destaca, na sua parede poente, um baixo-relevo alusivo à rainha D. Leonor. A partir deste átrio acede-se aos corpos letivos (corpo N. e corpo E.), distribuídos a partir de um corredor de distribuição, reservando as salas de aula normal para S. (por forma a receberem uma maior exposição solar e uma maior iluminação), laboratórios, salas de aula especiais e salas de professores, orientadas para N. Com a última campanha de obras, os átrios criados pelas caixas de escada (nomeadamente envolvendo a escadaria central do corpo N., e a escada com que este corpo termina a E.) foram recriados, tornados pequenos espaços de convívio equipados com peças do mobiliário primitivo da escola e quadros com fotografias de época. Para O. do novo átrio acede-se a três equipamentos de acesso público preferencial - biblioteca, sala polivalente e campo desportivo coberto. No corpo O. encontram-se ainda os espaços desportivos interiores (o antigo pavilhão coberto e o ginásio), balneários, refeitório (completamente renovado) e salas de aula para aulas teóricas de educação física.

Materiais

Estrutura em betão armado e alvenaria ordinária de pedra rebocada e pintada; coberturas em telhado de telha tipo românico sobre estrutura de madeira formada por escoramentos apoiados no teto de betão; revestimentos, degraus e pavimentos em cantaria de calcário; caixilharias em madeira, vidro e metal; pavimentos interiores revestidos a linóleo; corrimões e portas em madeira.

Observações

*1(que repete grande parte do "Programa Geral para a Elaboração dos Projectos dos Liceus", definido em 1941, para a edificação dos edifícios liceu do "Plano de 1938").