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Núcleo urbano da cidade de Valença

Núcleo urbano da cidade de Valença

O ponto de interesse Núcleo urbano da cidade de Valença encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Valença no municipio de Valença e no distrito de Viana do Castelo.

Núcleo urbano sede municipal. Cidade situada em margem fluvial na fronteira do Minho. Vila medieval de fundação régia com cerca urbana. Praça de guerra seiscentista composta pelo corpo principal (a Praça) e por extensa obra externa (Obra Coroada). A Praça engloba o núcleo medieval e respectiva cerca muralhada elíptica, apresentando traçado de tendência ortogonal estruturado pela Rua Direita, ligando primeiro duas portas e depois a Praça de Santa Maria ao Largo do Corpo da Guarda Principal. Sequência de vias paralelas, com desdobramento do percurso matricial, ligando o Terreiro das Freiras, a Igreja de Santo Estêvão, a Casa da Câmara e Cadeia, o Pelourinho e o Largo do Eirado, contíguo ao traçado da cerca medieval, espaço depois dominado por equipamentos militares. O corpo da Praça inclui a formação do arrabalde e de um paiol à prova de bomba Transformação do convento de freiras clarissas em quartel de artilharia e hospital militar. A Coroada mostra um esboço de malha reticulada, marcada pela posição central da Capela da Irmandade Militar, ao mesmo tempo que o Campo da Parada, onde existia um vasto quartel, é dominado pelo paiol principal.

Núcleo urbano delimitado por dois recintos fortificados distintos, justapondo-se ao corpo da Praça a Obra Coroada. A Praça agrega o núcleo medieval, de perímetro elíptico, cuja cerca foi parcialmente incluída na fortificação abaluartada, tal como a zona do arrabalde quinhentista. Apresenta um traçado tendencialmente ortogonal, formado por quarteirões de proporção longilínea e estruturado pela Rua Direita (R. Mouzinho de Albuquerque), que assegura uma sequência ritmada de vias paralelas, a Rua do Meio (R. José Rodrigues) e a Rua de S. Francisco (R. Maestro de Sousa Morais). Mostrando menor rectilinearidade, o percurso destas vias é fragmentado pela área antes ocupada pelo Convento das Freiras, depois Quartel e Hospital Militar e hoje um espaço residual, apenas em parte preenchido pelo Hospital da Santa Casa da Misericórdia (v. IPA.00008919). O contorno da R. de S. Francisco inflecte na direcção do Terreiro das Freiras (Lg. Visconde de Guaratiba), visualmente muito extenso devido à demolição da Feitoria Militar. A Rua Direita garante a ligação directa entre a Praça de Santa Maria, onde se ergue a Igreja Paroquial ou de Santa Maria dos Anjos (v. IPA.00006437) e a contígua Igreja da Santa Casa da Misericórdia (v. IPA.00006231), e o Largo da Principal (Lg. José M. Rodrigues) onde se localizava o edifício do Corpo da Guarda Principal. A Rua do Meio permite o desdobramento deste percurso, partindo do Largo do Eirado, um espaço antes confinante com a cerca medieval e depois ocupado pelo Armazém das Armas e pela Atafona Militar (respectivamente no local do Tribunal Judicial – IPA.00015948, e do edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones, CTT – IPA.00021107), em direcção ao adro da Igreja de Santo Estêvão (v. IPA.00006230). O adro congrega ainda a presença do Pelourinho, antigo Marco Miliário (v. IPA.00000413) e da antiga Casa da Câmara e Cadeia Civil (v. IPA.00009010) marcando sensivelmente o centro da área urbana, na pouco directa proximidade da Porta dos Açougues, transformada mais tarde em poterna e perto da qual se situa um dos paióis da Praça. Enquanto eixo estruturante, a Rua Direita permanece como vínculo entre as portas medievais, a desaparecida Porta da Vila e a em parte sobrevivente Porta da Gaviarra. É de notar que a zona de influência desta última possui uma base topográfica bastante mais irregular, incluindo uma subida íngreme em direcção a Santa Maria e da área hoje dominada pela Pousada de São Teotónio (v. IPA.00006217). A localização da Porta da Vila medieval parece coincidir com o Largo de S. João - Praça da República, onde se situa a Câmara Municipal (v. IPA.00009009), exactamente o centro nevrálgico da distribuição de fluxos, no cruzamento dos percursos procedentes das quatro portas da Praça. Observa-se a diversa orientação e a forma dos quarteirões que o delimitam, tornando explícita a transição entre tecidos urbanos de diferente formação, bem evidente na Rua de S. João (R. Lopes da Silva) direccionada para as Portas do Meio / Portas da Vila, de acesso à Coroada. A Porta da Fonte da Vila, um acesso secundário, abre também para o Lg. de S. João, tal como a Rua do Governo Militar. Aí se conserva a Casa do Governador (v. IPA.00023839), organizando uma praça de armas secundária junto às Portas do Sol, principal acesso da praça de guerra e onde existiam outros equipamentos militares, como o Trem de Artilharia. A Coroada, concebida como recinto exclusivamente militar, evidencia menor densidade do espaço construído, polarizado em função da centralidade da Capela Militar do Bom Jesus (v. IPA.00006233), que organiza o esboço de uma malha reticulada. Contudo, verifica-se que o eixo militar estruturante, a Rua do Poço (R. 5 de Outubro), que permitiria a comunicação directa entre as Portas da Vila e as Portas da Coroada, foi truncado por construções privadas, do que resultou a valorização da estrada de armas (R. Apolinário da Fonseca) como via principal, rematada pela Capela do Senhor do Encontro (v. IPA.00006232). O recinto defensivo é dominado pelo Campo da Parada - Campo de Marte, vastíssimo terreiro onde se destaca o volume do Paiol de Marte, mas cuja configuração não é compreensível sem a presença do extenso quartel de infantaria que aí existia. O espaço construído mostra-se muito heterogéneo, resultado da soma sucessiva de alterações. De época mais recuada conservam-se algumas construções excepcionais, como a Casa do Eirado terminada em ameias decorativas (v. IPA.00015529), a casa da Rua Direita, nº 70 a 72, com vãos decorados com motivos quinhentistas (v. IPA.00025021), ou outros exemplos que incluem somente vãos biselados. Estas casas têm dois pisos e a fachada em cantaria, ao contrário do restante conjunto, que apresenta as paredes rebocadas, sendo apenas em cantaria a guarnição dos vãos, os socos, as pilastras e as cornijas. Sobrevivem também outras casas de métrica e composição semelhante, mas atribuíveis aos séculos 17 e 18 e reduzidas a casos pontuais na Rua Direita, Rua da Trindade, Rua de S. João e na Coroada. Neste recinto surgem, de preferência, frentes mais largas, possibilitando a abertura de maior número de vãos e privilegiando a varanda corrida assente em robustas mísulas. Destaca-se também a abertura de nichos na frontaria e a presença de algumas gárgulas tubulares. As casas de dois pisos tendem a ocupar lotes estreitos, mostrando a compartimentação organizada em profundidade e a escada interior posicionada transversalmente ao centro. Nas parcelas quadrangulares a posição da escada revela maiores variações. Inscreve-se neste grupo um exemplo excepcional, a casa tardo-barroca do Marechal Champalimaud (v. IPA.00025018), já de finais do séc. 18, dotada de pátio aberto, animado pelo portal e balaustrada superior. Regista-se ainda, de modo muito restrito, construções de dois pisos com escada externa. Grande parte das casas com três ou mais pisos parece resultar de acrescentos à estrutura inicial de piso térreo e sobrado, beneficiando as fachadas com amplas varandas. Salienta-se um razoável número de casas grandes, marcadas por cornijas muito balançadas, como por exemplo a Casa do General Ribeiro de Carvalho (v. IPA.00025019), ou o caso mais singular da Casa do Poço (v. IPA.00016739). Nas numerosas variantes que poderiam ser identificadas, sublinha-se ainda o revestimento azulejar da frontaria.

Materiais

Não aplicável

Observações

Existe a hipótese da correspondência à Valença referida por Tito Lívio, oppidum que em 136 a.C. foi dado pelo pretor Décio Jonio Bruto aos soldados veteranos. Há ainda a registar o achado de uma lápide funerária que documenta a passagem de um destacamento da legião VI e o marco miliário encontrado em 1680 no lugar do Cais. Nesse lugar parecem existir ainda vestígios do antigo cais e respectiva escadaria (NEVES, 1990). Dado que Valença revela significativa dinâmica comercial, apenas de certo modo turística, convém salvaguardar o centro histórico de projectos desajustados, tais como a abertura de túneis ou a instalação de elevadores panorâmicos. Mudança de toponímia da vila: em Janeiro de 1866, faz-se a mudança de nome do Campo da Parada para Campo de Marte, Eirado da Feira para Lg. do Eirado; em Julho de 1905, mudou-se o nome da R. de São João para Conselheiro Lopes da Silva; em Setembro de 1906, em sessão camarária, aprovou-se a mudança do nome da R. da Parada Velha para Lg. Veríssimo Morais; em Janeiro de 1911, procedeu-se à mudança de designação do Lg. São João para Pç. da República (antes já se tinha chamado Lg. de João Franco); em Julho de 1912, a Câmara muda o nome do Lg. 7 de Julho para Lg. de São Sebastião; em Fevereiro de 1920, a Câmara decide mudar o nome do Lg. do Bom Jesus para Pç. Dr. José Augusto Soares, a R. da Colegiada para R. Sousa Morais a R. Direita para Mouzinho de Albuquerque; em 1947 procedeu-se à mudança do nome do Lg. 7 de Julho de 1912 para Lg. Manuel Maria Rodrigues.