Estação de correios construída no séc. 20, do tipo III, com 600 a 1400 assinantes telefónicos, segundo a definição da Delegação para os novos edifícios dos CTT *2. Possui planta poligonal irregular e fachadas de três pisos, o primeiro para os serviços telégrafo postais, o segundo para os serviços telefónicos e o terceiro para a residência do chefe da estação, inserindo-se de gaveto na malha urbana. Destaca-se pela articulação de volumes geométricos, acentuados pelo retilíneo dos vãos, alguns assumidamente horizontais e outros mais verticais, em paredes opostas, destacando-se como nitidamente diferentes e mais tradicionais os vãos da casa do chefe da estação, com janela de sacada central na fachada principal entre janelas com moldura terminada em pequena cornija, e na fachada lateral direita formando brincos retos. As fachadas são rasgadas por vãos retilíneos: janelas de peitoril e algumas jacentes, com molduras de cantaria, na maioria dos casos de molduras comuns, sendo mais amplas as que marcam a zona de atendimento ao público e a residência do chefe da estação, e as demais rasgadas em zona elevada e de menores dimensões. Na fachada principal a zona de atendimento ao público evidencia-se por alpendre fechado, disposto no lado esquerdo, todo em cantaria, ao contrário do resto do edifício, marcado por pilares e colunas suportando arcos, no interior dos quais se abrem janelas, sendo acedida lateralmente por porta de verga reta precedida de dois lanços, por escada, por onde se acede também à casa de habitação, encimada no pano recuado por terraço com guarda plena. Conserva ainda ladeando a porta principal a antiga caixa de correio, embutida na parede, com moldura de cantaria inferiormente denticulada.
Planta poligonal irregular com corpo retangular adossado no ângulo esquerdo da fachada principal, formando vários volumes escalonados, de disposição verticalista e coberturas diferenciadas em telhados de três e quatro águas, rematadas em beirada simples, e em terraço. As fachadas são de dois, três ou quatro pisos, rebocadas e pintadas de branco, com o primeiro piso revestido a cantaria, com silhares de cantaria nos cunhais colocados em ritmo ocasional mas regular, e terminadas em cornija. Fachada principal virada a sul, de dois corpos e três panos de diferente volumetria, o disposto no ângulo esquerdo formando alpendre, em cantaria de granito e saliente da caixa murária, de dois panos, terminados em empena truncada; o pano da esquerda é mais largo, ritmado por quatro pilares salientes, encimados por fragmentos de colunas semi-embebidas suportando arcos de volta perfeita, no intervalo dos quais se rasgam, inferiormente, três janelas retangulares jacentes, de dois lumes, gradeadas, e, superiormente três janelas adaptadas ao perfil do arco e com caixilharia integrando bandeira; ladeando a janela central surgem nos seguintes duas falsas mísulas e superiormente a inscrição em cantaria relevada "CORREIO"; o pano da direita, sensivelmente recuado, é rasgado por janela retangular e a meia empena assenta em modilhões, possuindo a nascente escadas de acesso à sala de atendimento público, em L, com guarda plena de cantaria com rodamão saliente e curvo ao centro; neste mesmo lado, abre-se a porta de acesso, de verga reta, ladeada por três caixas de correio: uma embutida na caixa murária, com moldura em cantaria de perfil inferior denticulado e encimada pela inscrição relevada, em ferro, "CARTAS", e duas outras recentes, para correio normal e correio azul. Os dois outros panos da fachada principal apresentam igual largura, mas o da esquerda é mais baixo, terminado terraço com guarda plena de alvenaria rebocada e pintada, capeada a cantaria, possuindo quatro gárgulas ao nível do pavimento e sendo rasgado por duas janelas retilíneas, molduradas a cantaria; o pano da direita possui no segundo piso duas janelas retangulares, interligadas pelas molduras, no terceiro, três janelas iguais, com caixilharia integrando bandeira e no último piso duas janelas de peitoril com moldura terminada em pequena cornija ladeando janela de sacada, assente em duas mísulas e com igual moldura. Fachada lateral esquerda formada por quatro panos, o da direita correspondente ao alpendre, todo em cantaria, o seguinte terminado em terraço, com guarda em alvenaria rebocada e capeada a cantaria, rasgada no primeiro piso por três vãos retangulares estreitos geminados e com moldura inferior de capialço, no segundo e terceiro por três vãos retangulares geminados e de moldura comum, sendo as do último piso mais estreitas; no pano seguinte, o mais elevado, rasga-se no primeiro piso porta de verga reta e nos três pisos superiores duas janelas geminadas de moldura comum, sobrepostas e interligadas por frisos verticais; no pano extremo esquerdo, terminado em terraço, rasga-se igualmente no primeiro piso porta de verga reta e, no segundo, janela retangular moldurada. A fachada lateral direita possui quatro pisos, o inferior rasgado por uma porta e uma janela, dispostas descentradamente, o segundo por três janelas retangulares geminadas e interligadas pelas molduras, no terceiro semelhantes, mas sensivelmente maiores e com caixilharia de bandeira e no quarto três janelas de peitoril com moldura terminada em pequena cornija e formando brincos retos. INTERIOR: com paredes rebocadas e pintadas de branco possuindo pequeno vestíbulo com silhar alto de mármore cinzento e pavimento cerâmico, separado da sala de atendimento público por porta de madeira envidraçada de duas folhas.
Materiais
Estrutura rebocada e pintada; elementos estruturais, soco, revestimento do primeiro piso, molduras dos vãos, cornijas e frisos em cantaria de granito; grades de ferro; vidros simples e foscos no primeiro piso; caixilharia e portas de alumínio ou de madeira; cobertura de telha.
Observações
*1 - O Plano de Construções dos Novos Edifícios para os CTT, foi em grande parte, realizado durante o período de subida de preço dos materiais e mão-de-obra, mercê das circunstâncias devidas à Segunda Guerra Mundial, o que veio a prejudicar o andamento previsto do referido plano. Em 1951, o Plano de Construções dos Novos Edifícios para os CTT, sofreu um abrandamento em virtude de ser revisto pelos Serviços da Administração Geral dos CTT; Decreto-Lei n.º 38454 pelo qual se extinguiu a Delegação e determinou que as respetivas atribuições transitassem para a DGEMN. *2 - O projeto previa uma sala de público central, com duas salas, uma para o correio e outra para o telégrafo, todas em contacto direto com a sala do estacionamento do pessoal menor; na parte posterior, o gabinete do chefe, escadas, refeitório, vestiários e instalações sanitárias; surgindo ainda o arquivo. A ala do público tinha acesso por dois alpendres, tendo balcão com 4 guichets; tinha cofre; três cabines telefónicas; duas entradas de serviço; casa do chefe com sala comum, 3 quartos, cozinha, despensa e instalações sanitárias; em localidades frias, a estação teria aquecimento central ou salamandras. No logradouro existente na fachada posterior, localizar-se-ia um telheiro para a guarda dos postes.