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Igreja de Santo Estêvão

Igreja de Santo Estêvão

O ponto de interesse Igreja de Santo Estêvão encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Valença no municipio de Valença e no distrito de Viana do Castelo.

Igreja de reconstrução neoclássica, de fundação medieval, com planta retangular composta de três naves, cada uma de três tramos, separados por possantes pilares quadrangulares, e cabeceira tripla, interiormente de espaço individualizado, devido ao corte visual provocado pelos pilares que separam as naves. Apresenta fachada principal de nítida verticalidade, com as naves de grande altura, tendo a central remate em frontão triangular e as laterais em cornija reta, com o portal enquadrado por pilastras e coroado por frontão entrecortado. No exterior possui inscrições com datas alusivas a diferentes momentos de construção, nomeadamente uma dos séc. 13; No interior destacam-se retábulos em talha policroma neoclássicos e, na capela-mor, cadeirais confrontantes encimados por painéis maneiristas, representando cenas da vida de Santo Estêvão, possivelmente pertencentes a um antigo retábulo; um painel do séc. 16, representando Nossa Senhora do Leite, e um outro, do séc. 18, representando Santo Estêvão em oração, entre outros. Segundo Vítor Serrão (1998, p. 234), o painel Coroação da Virgem (1571 - 1572) deve ser atribuída ao pintor Manuel Arnao e teria sido o primeiro painel pintado para o retábulo-mor, que não agradaria à Colegiada, levando-a a desistir da encomenda do retábulo. Dadas as dimensões idênticas às tábuas de Francisco Correia, o autor sugere que poderão ter feito conjunto no retábulo-mor. Possui ainda uma cadeira episcopal gótico-mudéjar, do séc. 15.

Planta retangular, composta de três naves, capela-mor rectangular e absidíolos quadrangulares, torre sineira quadrangular e sacristias rectangulares adossadas lateralmente. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma água. Fachadas percorridas por embasamento avançado e cornija saliente, com pilastras nos cunhais, rematados nas naves e capela-mor por pináculos. Fachada principal com naves definidas por pilastras compósitas, tendo a central frontão triangular rematado por cruz latina sobre acrotério no remate da empena, e as laterais de cornija recta, sendo a esquerda rematada por sineira de uma ventana, em arco de volta perfeita. Na nave central abre-se portal de verga recta sobrepujado por frontão triangular, encimado por janelão de verga curva ladeado por duas janelas de brincos com verga curva; nas laterais abre-se janela de verga curva encimada por outra de verga recta. Fachadas laterais semelhantes, marcados por três níveis, escalonados, correspondentes à nave central e capela-mor, nave colateral com sua capela, com janela rectangulares, e sacristias com janelas de verga curva; possui, ainda, a S. porta de verga curva, junto à torre sineira, com pilastras nos cunhais e de três níveis, com porta e duas janelas rectangulares no primeiro, relógio no intermédio e quatro sineiras de arco de volta perfeita no último, com pináculos nos cunhais, e coruchéu piramidal sobrepujado por varandim, catavento e cruz. No oposto possui ainda dois corpos anexos, com janelas e portas rectangulares. INTERIOR rebocado e caiado, com pavimento soalhado e orla em lajes graníticas e tecto em abobadilha de madeira. Coro-alto sobre arco abatido e balaustrada, com porta de acesso à direita; no sub-coro baptistério de vão definido por pilastras rematado em arco de volta perfeita com motivo concheado na pedra de fecho, com pia de água baptismal gomada, e dois arcos de volta perfeita, que abrem para as colaterais. As naves colaterais albergam quatro retábulos de talha policroma e separam-se da nave central por dois arcos de volta perfeita sobre possantes pilares quadrados, com pilastra no intercolúnio e recebendo no terço inferior um púlpito; sobrepujam os arcos janelões rectangulares. Púlpitos, confrontantes, de base quadrangular, sobre mísula, e balaústres, com acesso rasgado no intercolúnio da nave. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras toscanas, flanqueado por dois arcos de volta perfeita que abrem para os absidíolos, com janelas rectangulares e porta para a sacristia, albergando altares de talha policroma e tendo tecto em abobadilha de madeira pintado. A capela-mor, possui pavimento lajeado, tecto de madeira de perfil curvo, cadeirais laterais de madeira, confrontantes, com espaldar encimado por 3 painéis pintados sobre tábua com cenas alusivas à vida de Santo Estêvão *1 e tendo uma cadeira episcopal gótico-mudéjar; sobre supedâneo sobrelevado, com três degraus de acesso, retábulo-mor de talha policroma, com trono sob baldaquino com colunas compósitas, albergando a imagem de Cristo Crucificado *2.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; pilastras, frisos e cornijas, molduras dos em cantaria de granito; portas de madeira; grades das janelas, varandim, catavento e cruz em ferro;pavimentos em lajes de granito e soalho; retábulos policromos; coro-alto e cadeirais em talha; painéis pintados sobre madeira; cobertura de telha.

Observações

*1 - O sexto painel, sobre tela, com a representação de Santo Estêvão em oração, do séc. 18, deve corresponder a uma pintura que originalmente estaria no coro. *2 - O retábulo veio do extinto mosteiro das religiosas da Vila. *3 - Segundo Mário Jorge Barroca, esta lápide, em muito mau estado de conservação, comemora a conclusão das obras na igreja, mas a sua leitura suscita diversas dúvidas, nomeadamente porque o nome do pai e o patronímico do filho não conferem, não respeitando assim o sistema onomástico medieval. Para Alberto Pereira de Castro, a fundação deste templo terá ocorrido em 1283, por ordem de D. Dinis, "que a instituiu como Igreja do seu padroado, numa clara intenção de isentá-la do bispo de Tui". Para este autor, a leitura de Mário Jorge Barroca possui um pequeno equívoco, visto julgar que esta igreja de Santo Estêvão não é a que é referida nas Inquirições de 1258, mas uma outra igreja, do padroado régio. Ou seja, D. Dinis instituíra e manda edificar uma igreja com o nome de outra que já existira, mas agora do padroado régio, e em local bem distante da anterior, próximo de uma moradia régia.