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Mosteiro de São Fins de Friestas

Mosteiro de São Fins de Friestas

O ponto de interesse Mosteiro de São Fins de Friestas encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Gondomil e Safins no municipio de Valença e no distrito de Viana do Castelo.

Arquitectura religiosa, românica e setecentista. Igreja conventual de planta composta por uma nave e cabeceira contrafortada, de dois tramos, o primeiro da mesma largura e o segundo semicircular, formando três volumes escalonados, da primeira fase do Românico Português, que adapta cabeceira redonda e capitéis com volutas e decoração vegetal; de entre esta, insere-se, mais particularmente, na primeira fase do foco românico do Alto Minho. Dependências monacais de estrutura e fenestração setecentista. Incluída no Itinerário do Românico da Ribeira Minho. Igreja com nave estreita, quase com a mesma largura da capela-mor, e de grande altura, adoptando dois níveis de frestas para solucionar o problema da iluminação. Segundo Carlos Ferreira de Almeida, a dimensão da nave, pequena em relação à cabeceira, deverá apontar para a sua construção em data posterior. Dessa segunda fase, ou até mesmo de uma terceira, deverá datar, segundo o mesmo autor, a galilé, cuja existência explicava a relativa pobreza e a pouca profundidade do portal principal da igreja; A exuberância da sua decoração arquitectónica, com grande quantidade de cachorros, capitéis e mísulas de volumosa escultura animalesca e vegetal, faz desta igreja um dos exemplos mais importantes do Românico em Portugal, segundo os padrões da Escola da Sé de Tuy que o Alto Minho nos fins do séc. 12 e inícios do sec. 13 ainda adaptava. Destacamos a frequência com que o motivo do boi de raça galega aparece, existindo mesmo no interior um capitel com cabeça de novilho. O tímpano do portal axial gravado com serpente e banda de ornatos geométricos - como surge em Rubiães (v. PT011605200002) e na igreja da Comenda de Távora (v. PT011601370009) - tem carácter apotropaico, tal como as impostas zoomórficas dos laterais. A ábside, com um tramo rectangular e outro em semicírculo, representa já uma evolução sobre o de Ganfei (v. PT011608080006). As dependências monacais, actualmente de planta em L, dada a demolição de outro corpo que as interligava à igreja, contêm silhares siglados de três tipos, uma delas medieval, e outra em C deitada, cuja posição poderá indiciar uma reconstrução do edifício.

Planta longitudinal composta de nave única e cabeceira de 2 tramos, o primeiro rectangular e da mesma largura e o segundo semicircular. Volumes articulados com coberturas escalonadas cobertas por telhados de duas águas. Fachada principal orientada, terminada em empena com cornija enxaquetada e em laçaria; portal arco pleno formado por três arquivoltas, a primeira enxaquetada e a segunda percorrida por veio, sobre pés-direitos ou dupla coluna, de capitéis vegetalistas; tímpano gravado com serpente e ornatos geométricos sobre imposta quadrangular. Encima-o duas frestas sobrepostas. Fachadas laterais com contraforte, percorridas por cornija enxaquetada sobre cachorros zoomórficos, geométricos e vegetalistas, rasgadas por dois níveis de frestas desencontradas e por portais de arco pleno, de duas arquivoltas, assentado o do lado N. sobre pés-direitos e coluna com capitel vegetalista; possuem tímpanos lisos sobre impostas zoomórficas. A cabeceira é percorrida por cornija enxaquetada sobre cachorros esculpidos e tem o primeiro tramo contrafortado e fresta abrindo para fora, com duas arquivoltas, a exterior enxaquetada, sobre impostas decoradas e colunas de capitéis vegetalistas; o segundo tramo é ritmado por colunas com grandes capitéis vegetalistas e, ao centro, abre-se fresta semelhante às anteriores. INTERIOR vazio, com frestas a abrirem para o interior, a inferior do frontíspício com arco pleno enxaquetado sobre imposta. Tecto da nave em madeira. Arco triunfal pleno sobre colunas com capitéis esculpidos encimado por fresta. Capela-mor percorrida, sensivelmente a meio, por friso enxaquetado e coberta por abóbada de berço no primeiro tramo e em concha no segundo. No topo, abre-se fresta sobre impostas esculpidas. Do antigo mosteiro subsistem ainda muitos elementos, mas todos eles em ruínas. É o caso do longo muro da cerca que a S. da igreja cria pátio, aberto por portal de arco pleno, e sobre o qual ali corria, a grande altura, um aqueduto com canais a céu aberto que, desde o monte, trazia água para abastecer o mosteiro. As dependências monacais ainda existentes têm planta em L, organizadas a E., a N., fachadas de dois pisos, tendo no primeiro arcadas lavradas e no segundo janelas rectangulares, e uma outra ala a O., num nível inferior à igreja, com interior abobadado. No cunhal da intersecção da arcada do claustro para a escada do terreiro, encontra-se reaproveitado silhar que parece ter vestígios da cavidade onde engatava o forcps e uma inscrição latina. Numa das faces viradas a N. tem uma escultura tosca de um mamífero e na outra a de um bovino com a inscrição esculpida "BOVE". No pátio existe também pequena fonte e caleira sobre toscos pilares que conduzia a água ao moinho.

Materiais

Cantaria granítica aparelhada. Pavimento de lajes e cobertura exterior de telha.

Observações

*1 - No âmbito do projecto da Rota do Românico da Ribeira Minho, estão previstas obras de beneficiação da igreja e mosteiro de São Fins de Friestas em três fases: acessos; arranjo dos claustros, aqueduto e limpeza; e reabilitação do convento. *3 - Aqui viveu algum tempo São Francisco de Borja (1510 - 1572), terceiro geral da Companhia de Jesus.