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Igreja Paroquial de Marvila

Igreja Paroquial de Marvila

O ponto de interesse Igreja Paroquial de Marvila encontra-se localizado na freguesia de União de Freguesias da cidade de Santarém no municipio de Santarém e no distrito de Santarém.

Igreja paroquial gótica, manuelina, renascentista, ecléctica, de grandes dimensões; espacialidade e planimetria associáveis ainda ao gótico mendicante; elementos estruturais e decorativos característicos do manuelino: cobertura da cabeceira, rebaixada, polinervada, com combados (capela-mor), apoiada em mísulas, fechos com heráldica régia; modinatura e decoração do portal, dos janelões, dos arcos de acesso à cabeceira e dos arcos divisórios da mesma. Elementos classicizantes nas colunas e arcos dvisórios da nave, nos portais laterais e no púlpito. Dinâmica barroca introduzida pelo revestimento integral dos alçados internos e pelo altar em talha da capela-mor. Eclectismo: torre sineira integrada na fachada, neo-gótica, portas de acesso ao batistério e coro-alto neo-góticos, guarda-vento com vão de bandeira neo-gótica e ornatos clássicos entalhados. Designada por Santos Simões como a catedral do azulejo, a igreja constitui o maior núcleo seiscentista existente em Portugal, com 1200m2 de área, correspondendo a mais de 65 000 placas cerâmicas (SIMÕES, 1971). Na parte superior das paredes da nave é empregue o maior padrão azulejar - 12 x 12 - conhecido pelo nome de padrão rico de Marvila (MECO, 1985). O arco triunfal, polilobado, formando uma espécie de cortina, é idêntico ao da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, nas Caldas da Raínha (PT03100603001) e à Igreja da Madalena de Olivença. A torre sineira oitocentista, demasiado esguia e integrada na fachada, perturba o equilíbrio da mesma. O pórtico è semelhante ao figurado no retábulo de Santa Auta, hoje no MNAA. O interior da igreja mostra semelhanças com a sinagoga de Amsterdão - dimensões, banco corrido, colunas e capitéis, arcaria divisória das naves (CUSTÓDIO, 1996). As mísulas da cabeceira recebem deficientemente as descargas das nervuras e apresentam uma gramática decorativa "sui generis", formalmente desiquilibrada.

Planta longitudinal, composta pelo corpo das naves rectangular, cabeceira tripartida escalonada a E., de planta rectangular, a que se adossam 2 corpos rectangulares. Volumes articulados, cobertura diferenciada em telhado sobre a nave e cabeceira, em coruchéu piramidal sobre a torre sineira. Fachada principal em empena, com 2 pisos vazados por portal de arquivoltas trilobadas, flanqueado por pilares escalonados com cogulhos e óculo redondo no eixo central, integrando a torre sineira esguia e elevada a N., com ventanas em arco quebrado na secção superior. Fachadas laterais de 2 pisos vazados por 4 janelões em arco levemente quebrado e portal de vão rectangular, verga denticulada e frontão triangular; pequenas janelas em arco quebrado rasgam as paredes laterais das capelas laterais e capela-mor; gárgulas zoomórficas nos vértices superiores das capelas laterais. INTERIOR: 3 naves de 5 tramos, mais elevada a central, cobertas por tecto de madeira de 3 planos; arcos redondos assentes em colunas de bases quadradas com fitas enroladas nos vértices, fustes cilíndricos e capitéis canelados, com meninos alados e volutas nos vértices dos ábacos; coro-alto muito elevado ocupando parte do 1º tramo, assente um muro vazado lateralmente por 2 vãos em arco apontado, dando acesso ao baptistério de um lado e à torre sineira e coro do outro; arco triunfal polilobado, arcos de acesso às capelas laterais levemente apontados; cabeceira com arcos intercomunicantes, coberta por abóbadas rebaixadas, polinervadas, com fechos decorados. Alçados internos integralmente cobertos por azulejos, demarcando os 2 registos de altura: enxaquetados duplos na cabeceira, padrões de tapete na nave, registos representando símbolos marianos nas enjuntas dos arcos da nave central; retábulo em talha branca e dourada, de estilo nacional, na capela-mor; imagem de Cristo crucificado, indo-portuguesa, em marfim, com cruz revestida a tartaruga, sobre o sacrário; guarda-vento em madeira com portas de vergas apontadas e decoração entalhada ecléctica; púlpito em mármore adossado à coluna divisória do 4º e 5º tramos, de forma quadrada, com colunas compósitas formando as guardas, assente em balaústre com grande nó e capitel da mesma ordem; pias de água benta em pedra, com decoração manuelina, no subcoro e capela lateral N.; banco em pedra corrido ao longo das paredes da nave; tela com moldura redonda, figurando a Crucifixão sobre o arco triunfal, tapando o óculo. Sacristia: abóbada de berço pintada com brutescos, azulejos enxaquetados e de padrão azul e branco nas paredes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e caiada; cantaria em molduras, colunas e pavimentos, telha cerâmica na cobertura, azulejo em revestimentos internos, madeira em pavimentos, portas, guarda-vento e caixilhos.

Observações

Segundo a tradição a igreja deve o seu nome a uma imagem de Nossa Senhora das Maravilhas oferecida por São Bernardo ao primeiro templo, no Séc. 12. A demolida torre sineira, rematada por coruchéu piramidal, com gárgulas e torsal intermédio, visível na iluminura da Crónica de D. João I de Fernão Lopes, era rasgada na secção inferior por 2 arcosólios, que enquadravam os túmulos de Gonçalo Gil Barbosa e Francisco Barbosa.