Mercado construído no séc. 20, em estilo neoclássico, tardio, de planta retangular, com pátio central e dois eixos, no sentido transversal e longitudinal a definir as entradas. A monumentalidade, criada pelos torreões nas esquinas em contraponto às linhas horizontais marcadas nas superfícies das fachadas, não é indiferente a Correia da Silva. Assim, estamos perante um edifício influenciado pela "École de Beaux Arts". Apresenta grandes afinidades com as obras do Arquitecto Marques da Silva *2, não só na linguagem arquitectónica como também na monumentalidade dos edifícios, como é exemplo a Estação de São Bento (v. PT011312140090).
Edifício de planta rectangular alongada, de três pisos a S. e de dois a N., devido ao desnível do terreno. Apresenta grande pátio central subdividido em dois espaços exteriores por uma galeria coberta com dois pisos. No prenchimento destes espaços dispõem-se no sentido N. - S. quatro estreitos e extensos corpos térreos de cobertura inclinada de duas águas, destinados a comércio com bancadas. Estas coberturas revestidas a placas de ardósia tipo "escama" apresentam volumes rectangulares sobre a cumeeira, com o mesmo tipo de revestimento de quatro águas para ventilação. Apenas na zona de passagem da galeria estes corpos de bancadas são interrompidos para espaço de circulação. Exactamente ao eixo e na parte inferior da galeria um chafariz de quatro bicas. Fachada principal voltada a S., recuando relativamente ao alinhamento da Rua e apresentando nos extremos dois torreões de cobertura esférica. A interromper a linha do entablamento sobre o portal de entrada ergue-se ao centro um frontão com um brasão ladeado por esculturas. A grande unidade arquitectónica do edifício, consiste no tratamento de todas as fachadas, marcadas por uma cornija rebocada e denteada, que simultaneamente modela o ritmo das aberturas. A colmatar esta unidade uma cobertura negra contínua decorada por um remate metálico na cumeeira interrompida apenas nas coberturas esféricas das duas esquinas da Rua Formosa e nas duas elevações de duas coberturas inclinadas de quatro águas a marcarem o eixo transversal das entradas das ruas de Sá da Bandeira e Alexandre Braga.
Materiais
Paredes de betão rebocadas; coberturas revestidas a placas de ardósia e / ou telas a imitar ardósia e em chapas de fibrocimento apoiadas em estrutura metálica (galerias superiores); pavimentos revestidos a betonilha.
Observações
A iniciativa da construção do Mercado do Bolhão foi durante a Vereação presidida por Elísio de Melo. O nome de "Bolhão", deve-se, a neste local ter existido um regato que ao atravessar um lameiro entre a Rua Formosa e Fernandes Tomás, formava uma espécie de bolhão de água. Na sua concepção, previa uma cobertura metálica no pátio interior que não se chegou a executar. Funcionalmente, o comércio tradicional de estabelecimento inseria-se na parte exterior do edifício, mantendo-se no interior o comércio espontâneo de mercado. *1 - O Engenheiro Casimiro Barbosa era 1º Oficial Engenheiro da Câmara; *2 - Tanto Marques da Silva como Correia da Silva estudaram em Paris e foram marcados pelas referências da arquitectura da "École de Beaux-Arts", materializadas nas obras de Charles Garnier e Guadet.