Estação ferroviária central de topo de linha, com edifício de passageiros em estilo eclético, de planta em U de influência francesa, sobretudo nas torres laterais. O revestimento de azulejos do átrio da estação é uma das obras mais representativas da corrente nacionalista e históricista do azulejo português na 1ª metade deste século.
EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS - Planta composta, com desenvolvimento em forma de "U". A fachada principal, orientada a SO., toda em cantaria de granito, simétrica e de grande rigor geométrico, apresenta um corpo central mais baixo, que correponde ao átrio principal, e em cada extremidade dois volumes mais altos, com três pisos. No corpo central, forte cornija arquitravada assente em cachorros e mísulas de ressalto, densas no ritmo repetitivo que percorrerá todo o edifício. Rematando a fachada, uma robusta platibanda, que utiliza o mesmo princípio das fenestrações. As fachadas laterais mantêm entre si as relações de simetria quanto a vãos, cheios e decoração. O vestíbulo é revestido a azulejos, enquadrados por pilastras. Junto ao tecto, um friso azul e dourado decorado com flores estilizadas. Por baixo, a toda a volta, um outro friso, policromado, evocativo da história da viação em Portugal. Nas paredes dos topos, por baixo dos frisos, quadras históricas. No lado esquerdo a Batalha de Arcos de Valdevez e Egas Moniz perante Afonso VII de Castela. No lado direito a entrada de D. João I no Porto, com a sua noiva e a conquista de Ceuta. Na parede fronteira à entrada estão pequenos painéis representando cenas campestres.
Materiais
Pavimentos do piso térreo em material cerâmico e betonilha e dos restantes pisos em soalho de madeira; paredes em alvenaria de pedra, com a fachada principal em cantaria e as outras com alguns panos rebocados, no interior revestimento de azulejos (átrio), e reboco; tectos estucados; cobertura em telha. Estrutura da nave da gare de passageiros em ferro (pilares em ferro fundido), com cobertura em chapas metálicas e em PVC translúcido.
Observações
* 1 DOF: Estação dos Caminhos de Ferro de São Bento, também denominada "Estação de São Bento", incluindo a gare metálica, os painéis de azulejos e a boca de entrada do túnel, na Praça de Almeida Garrett, na Rua do Loureiro e na Rua da Madeira. A estação foi construída no local onde existia o Convento de São Bento de Avé Maria, mandado erguer por D. Manuel em 1518. Os azulejos utilizados nos painéis das paredes do topo em que foram unicamente usadas as cores azul e branco, não foram, como era habitual, pintados no enxecote, mas sim no vidrado, o que representa uma alteração na técnica de pintura do azulejo.