Arquitectura religiosa, maneirista. Pequena capela vincular, reconstruída, seguindo a traça primitiva, integrada em antigo conjunto residencial, mantendo ainda alguns elementos da construção do séc. 17. De planta longitudinal, composta por nave com coro-alto e capela-mor, de frontispício em eixo com portal de cantaria com arco de volta perfeita, rematado por friso e cornija, encimado por janela e remate em empena, que possui sineira no lado esquerdo.
Planta longitudinal, composta de nave e capela-mor, à qual se encosta para O. e para S. o antigo solar. Volumes articulados com coberturas diferenciadas de 2 e 4 águas e beirais duplos de telha de canudo portuguesa sobre a fachada O. da capela e em todo o antigo solar. Fachada principal virada a S., terminada em empena, encimada por cruz de Malta, tendo a E. telha invertida a servir de gárgula e a O. campanário de cantaria rija, de arco de volta perfeita, com empena, cimalha de balanço e impostas bastante finas. Toda a fachada é rebocada, pintada a cal branca e rematada por estreita faixa, parte em cantaria, parte refeita em alvenaria de cimento. Portal de cantaria com arco de volta perfeita, chave relevada e decorada, face decorada com filete rebaixado em ponta de diamante, filete intermédio longitudinal relevado sobre pontas de diamante e lintel de balanço, pilastras com decoração idêntica à face do arco, com capitéis e astrágalo, assentes em bases relevadas e degrau saliente; portadas de madeira com almofada a toda a altura; janela superior quadrada com moldura de cantaria e portadas de madeira envidraçadas. Fachada O. da capela cega. INTERIOR simples, com coro-alto separado por fasquiado de madeira sobre a nave, chão com lápide indicativa da "sepultura dos inocentes" de 1666, degrau para o altar, paredes parcialmente revestidas a azulejos de padrão "massaroca" a rematarem o altar de madeira pintado a branco e com remates alveolados pintados a ouro, reconstruído a partir de elementos do antigo consumido pelas chamas.
Materiais
Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, azulejos, vidro e telha de meio canudo.
Observações
Em 10 de Janeiro de 1983 a Câmara Municipal do Funchal pediu a recuperação da capela. Em 13 de Dezembro de 1989 a DRAC dá parecer sobre o projecto. Pelas fotografias antigas existentes, verifica-se que, por exemplo, o muro do pátio do antigo solar era, junto à capela, mais alto, possuindo banco típico, agora desaparecido; na parede exterior da capela, do lado O. da porta, existia pia de água benta, ainda não reposta nem no interior nem no exterior da capela; no tecto do sub-coro existiam as armas dos Torre Bela, que poderiam ser repostas.