Arquitectura civil e religiosa maneirista e barroca. Corpo do primitivo Paço Episcopal, com "loggia" à italiana associando num lado pequena capela maneirista e noutro grande monobloco barroco de inspiração militar e regional, com torre central aberta ao mar.
Planta longitudinal com orientação E. / O. composta de grande rectângulo, ao qual se articula um corpo mais estreito, com "loggia", rematado a O. por capela de planta na mesma orientação, com corpo de serviços anexo para N.. Grande massa marcada pelo volume do corpo E., com cobertura de 3 telhados de 4 águas, corpo intermédio e capela com 2 águas, e anexos da capela com 4 águas, todas com telha portuguesa de canudo e beirais simples, duplos e triplos conforme a fenestração. Fachada principal a S. com 3 altos pisos, com embasamento e cornija de balanço em alvenaria, flanqueada por cunhais em cantaria, com marcação de 3 corpos evidentes por 2 gárgulas em meia cana implantadas na cornija e na divisão das águas; piso térreo com o corpo central definido por grande portal de cantaria, encimado por lintel recto datado e ladeado por 2 janelões de moldura de cantaria de recorte ondulado, filete exterior relevado e gradeados; corpos laterais com porta de moldura idêntica ladeada por pares de óculos quadrilobados; 8 janelas articuladas, com as superiores do andar nobre com varanda de sacada a servir de lintel de balanço às do andar de serviços; molduras de cantaria rematadas por filete ondulado e relevado exterior; varandas de hastes de ferro com bolachas, pintadas a verde escuro; portadas de almofadas de madeira pintadas a verde, com postigos envidraçados pintados a branco. Torre central de mais 2 pisos, recuada em relação à fachada e aberta ao mar com alpendre de estrutura de madeira assente em hastes de ferro e balcão com pilastras de cantaria e grade de ferro; parede de fundo totalmente revestida de azulejos, com 2 portas emolduradas a cantaria com lintel de balanço e volantes de guilhotina envidraçados a trabalharem sobre balcão de portadas de almofadas de madeira pintadas de branco. Corpo O. do edifício com 2 pisos e beiral de telha triplo; piso térreo com portas de molduras de cantaria simples e janelas gradeadas; soco pintado a vermelho em todo o comprimento da fachada e janelas do piso nobre com molduras de cantaria, volantes de guilhotina envidraçados e armas reais de coroa aberta a E.. A fachada O. é a da capela, terminada em empena aguda, com campanário de cantaria assente a N.; portal com as armas episcopais do fundador e encimado por Cruz de Cristo a qual ainda se articula com um pequeno óculo superior. Fachada N. dominada pela "loggia" com arcaria de volta perfeita, assente em colunas toscanas com estilóbatos, balcão de cantaria com filete ressalvado a todo o comprimento e colunas de suporte do alpendre assentes em mísulas ressalvadas sobre o balcão. Corpo anexo à capela com acesso ao piso superior a N. por escadaria com balcão superior e muro de cantaria, com porta inscrita em arco de cantaria de volta perfeita com impostas ressalvadas. Corpo principal a E. dominado pela torre central, sobre estrutura semelhante à fachada oposta, mais simples e com o piso térreo definido por 4 meio janelões gradeados de iluminação da sala de exposições temporárias.
Materiais
Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, til, pinho de Riga e outras), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, vidro, azulejos, e telha marselha e de meio canudo.
Observações
*1 - Edifícios marcados pelo cariz militar e "chão" executados sob desenho de arquitectos de formação militar: os mestres das obras reais, com dinheiros da fazenda régia. Acresce que a reconstrução dos meados do séc. 18, novamente foi um projecto de um arquitecto militar a ser executado, depois assumido pelo prelado franciscano. *2 - O acervo do Museu é internacionalmente importante ao nível de colecção de pintura flamenga dos séc. 15 e 16, de dimensões invulgares, possuindo ainda escultura e ourivesaria flamenga da mesma época, pintura e escultura e ourivesaria portuguesa dos séc. 15, 16, 17, 18 e 19, num conjunto nacionalmente importante e proveniente não só do "Tesouro da Sé" como das restantes igrejas da Madeira. Para além do recheio de Arte Sacra, possui o edifício um importante conjunto de azulejos de uma oficina de Lisboa, datáveis de 1750 / 1770 a cobrirem todo o pano de fundo da varanda. *3 - Foi proposta à CMF a adaptação do andar térreo da "loggia" para café público em Junho de 1998, que não foi aceite.