Arquitectura civil pública, neoclássica. Edifício alfandegário de planta rectangular composta, de formas regulares e maciças, utilizando frontões triangulares, tipos diferentes de abertura em cada piso e o característico rusticado cingido aos dois primeiros pisos. Uma das características mais inovadoras e particular deste edifício é reunir diferentes soluções estruturais de acordo com as exigências funcionais da utilização. Assim utiliza nos pisos subterrâneos pilares em cantaria com abóbadas de pedra, estrutura de apoio em madeira para os telhados e nos pisos intermédios colunas em ferro, vigas metálicas, tirantes de ferro e abobadilhas de tijolo.
Planta rectangular composta, alongada, com dois pátios, constituído por três corpos principais de três pisos articulados por quatro corpos com o mesmo número de pisos mais baixos. Coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas. Fachada principal orientada a S., relacionada com o Cais da Alfândega, marcada ao centro pelo corpo mais alto encimado por uma cornija interrompida ao eixo por um frontão triangular. Os dois corpos laterais ligeiramente mais baixos articulam-se com o principal por dois corpos apenas com dois pisos, com janelas rectangulares alongadas de verga curva abatida. A demarcar-se o corpo principal apresenta no último piso aberturas de verga em arco perfeito. A definir as esquinas da frente voltada ao rio da Alfândega elevam-se nos dois cunhais com mais um piso uma espécie de torreões de planta quadrangular. Ao tempo da sua utilização original, o corpo principal ao centro destinava-se à parte administrativa e os outro dois laterais simétricos eram armazéns. Entre eles, os corpos mais baixos a definir os pátios destinavam-se também a armazéns. Por baixo dos armazéns um piso enterrado iluminado por um fosso em redor do edifício. Ao longo do Cais da Alfândega dispõem-se um carril para transporte das mercadorias que penetra no edifício e se distribui aos armazéns, nos diferentes pisos, definindo uma série de rótulas nas mudanças de direcção.
Materiais
Paredes exteriores de alvenaria de granito; Cobertura em estrutura de madeira e / ou ferro revestida a telha de barro; Caixilharias em madeira pintada; Revestimento de pavimentos em soalho ou lajeado de granito; Paredes interiores rebocadas; Tectos estucados ou com a estrutura metálica de madeira ou ferro à vista.
Observações
*1 - No plano de 1860 para E. e O. do edifício projectavam-se dois grandes espaços arborizados. Entre os técnicos que trabalharam durante a construção da Alfândega destacam-se Faustino Vitória, José Diogo Mouzinho de Albuquerque, Francisco Mourão Pinheiro, José Vitor Lecoq, José Araújo Júnior, João Joaquim de Matos, Alberto Álvares Ribeiro e Torquato Álvares Ribeiro. Das fundições que participaram no fabrico de elementos em ferro fundido e forjado salientam-se: a do Bolhão, de Miragaia, do Bom Sucesso e da Fundição de Massarelos. A fundição de Massarelos produziu a base de um dos guindastes existente no cais com a data de 1862. Sabe-se que se importaram de França e Inglaterra alguns componentes de ferro. Algumas colunas estruturais dos pisos térreos e os guindastes a vapor para mercadorias eram da Firma Brown Brothers & Cª. Com a construção deste edifício junto à frente de Miragaia, sobre a Praia de Miragaia, constituiu-se uma das alterações urbanísticas mais profundas em termos urbanísticos e paisagísticos dos finais do séc. 19. *2 - A Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações tem por objectivos a preservação de infra-estruturas de reconhecido interesse histórico, a criação e manutenção de um centro de documentação e o desenvolvimento junto ao público de novas formas de interesse quanto à problemática dos transportes e comunicações. *3 - A Colecção é constituída pelo acervo da Direcção-Geral das Alfândegas (cedido à Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações (AMTC) por um prazo de dez anos, por protocolo assinado pelo ministro das Finanças em 6 de Fevereiro de 2006) nomeadamente objectos, selos, medidas, carimbos, livros e documentação.