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Igreja de Santa Cruz

Igreja de Santa Cruz

O ponto de interesse Igreja de Santa Cruz encontra-se localizado na freguesia de União de Freguesias da cidade de Santarém no municipio de Santarém e no distrito de Santarém.

Igreja paroquial de estilo gótico: espacialidade - 3 naves de diferente altura, com clerestório, portal principal de arquivoltas em arco quebrado, cabeceira de ábside facetada, com cachorrada envolvente, panos divididos por esbarros escalonados, vazados por janelas maineladas bem rasgadas; renascimento: colunas toscanas de suporte da nave, púlpito; barroco: modinatura dos portais da fachada N. da nave, de acesso à Sala da Irmandade e aposto no alçado exterior da mesma sala, outrora na fachada principal; dinâmica da pintura da abóbada e do revestimento azulejar da Sala da Irmandade. O portal barroco que escondia o primitivo portal gótico da fachada principal está hoje adossado, sem qualquer função, ao alçado O. da Sala da Irmandade. Semelhanças do pórtico principal com o de Santa Maria do Olival de Tomar (141811003). Os azulejos da Sala da Irmandade são atribuíveis ao mestre do P.M.P.; a pintura da abóbada, arquitectónica e ilusionista, a António Simões Ribeiro, pintor lisboeta, autor da pintura dos tectos da Biblioteca da Universidade de Coimbra (060325014) e da Igreja do Colégio de São Salvador da Baía (SERRÃO, 1990)

Planta longitudinal, composta pela nave rectangular, torre sineira incorporada, anexo rectangular adossado do lado direito, capela-mor justaposta a E., quadrangular, com ábside pentagonal. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhado sobre a igreja e anexo, em domo sobre a torre. Fachada principal de 2 registos, em empena angular, rasgada por portal, de 4 arquivoltas em arco quebrado sobre colunas de capitéis vegetalistas, e por óculo de 2 arquivoltas; à esquerda torre sineira de 3 pisos, rasgada por ventanas em arco redondo, com pináculos sobre acrotérios nos 4 vértices. Fachada lateral N.: parede da nave lateral rasgada por frestas e portal axial de vão rectangular, moldurado, encimado por volutas e cruz; parede da nave central rasgada por janelas maineladas, em arco quebrado. Fachada lateral S. em parte tapada pelo volume prismático da Sala da Irmandade, esta com portal adossado ao alçado E.. Na fachada posterior capela-mor prismática, de 9 panos delimitados por esbarros de vários andares, rasgados por 4 janelas maineladas com óculo sobreposto, inscritas em arco quebrado; acima dela a empena angular da nave, vazada por óculo. Sala da Irmandade portal de vão rectangular com duplas pilastras toscanas enquadradas por volutas rematadas por pináculos com bolas acima da arquitrave, encimado por janela de vão rectangular ladeado por volutas com frontão redondo coroado por 3 bolas. Interior: 3 naves de diferente altura, a central com cobertura de madeira de 3 planos, as laterais de 1 plano, com 3 tramos separados por colunas de capitéis toscanos; coro-alto pouco profundo, com guarda de laçarias em madeira; baptistério, enquadrado por arco quebrado; capela-mor abrindo por arco triunfal quebrado, coberta por abóbada de cruzaria sobre meias colunas embebidas, com capitéis zoo e fitomórficos, pedra de armas num dos fechos. Paredes da nave integralmente revestidas a azulejo de padrão polícromo seiscentista, em 2 registos; painel figurativo no baptistério representando o Baptismo de Cristo; na parede N. da capela-mor painel em azulejo, com pedra de armas e inscrição; na nave lateral esquerda túmulo. Adossado a uma das colunas da nave púlpito de caixa facetada, assente em balaústre compósito, lavrado de grutescos. Sala da Irmandade com abóbada de berço sobre sanca envolvente, com pintura de quadratura, silhar de azulejos em azul e branco com cenas do Cântico dos Cânticos *2; altar vazado por edícula em arco redondo com retábulo em talha dourada, no alçado O..

Materiais

Alvenaria de pedra sem reboco, cantaria em molduras, colunas e pavimento, telha cerâmica, azulejo, madeira, vidro

Observações

*1 - Os silhares de azulejo de composição figurativa da Casa da Irmandade, representando episódios do Cântico dos Cânticos, foram realizados a partir de gravuras de Boetius Van Blomswert utilizadas como ilustração da obra do jesuíta Hugo Hermann "Pia Desideria Emblematis, elegiis & affectibus SS. Patrum illustrata..." impressa pela 1ª vez em Antuérpia em 1624 (existe uma edição na Biblioteca da Academia de Belas Artes - Lisboa).