Arquitectura religiosa, quinhentista e maneirista. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, interiormente com iluminação axial e unilateral. Fachadas em cantaria aparente, a principal terminada em empena truncada por dupla sineira e rasgada por portal em arco de volta perfeita, de aduelas largas, e fresta. Fachadas laterais com porta travessa e a posterior cega, terminada em empena.
Planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, mais estreita e da mesma altura, tendo adossada à fachada lateral esquerda sacristia rectangular. Volumes articulados com coberturas em telhados de duas águas, dispostos à mesma altura na igreja e de uma água na sacristia, na continuidade da capela-mor. Fachadas em cantaria ou alvenaria de granito aparente, com algumas zonas de aparelho muito irregular, denotando alterações da estrutura, com as juntas tomadas e cimentadas, terminadas em cornija de betão, bastante avançada, pintada de branco, sobreposta lateralmente por beirada simples. Fachada principal virada a NE., terminada em empena truncada por dupla sineira, alteada, com vãos em arco abatido sobre pilares toscanos, albergando sinos, e rematada em cornija recta coroada por pináculos piramidais com bola e cruz latina central sobre acrotério. É rasgada por portal em arco de volta perfeita, de aduelas largas, sobre impostas salientes, possuindo arquivolta e falso colunelo escavado nos pés direitos, encimado por fresta em arco canopial e capialços laterais contracurvados. Ladeia o portal silhar inscrito com a data de 1240. A fachada lateral esquerda possui o terço inicial da nave com aparelho regular e depois muito irregular, onde se abre porta travessa em arco de volta perfeita, actualmente fechado e transformado em altar, com imagem pétrea sobre mesa; a sacristia, revestida a placas de granito, é rasgada por porta de verga recta e fresta e, virada a NE., por janela rectangular jacente, gradeada. A fachada lateral direita possui igualmente o aparelho muito irregular nos dois terços posteriores da nave e é rasgada por porta travessa em arco apontado, de aduelas largas, sobre impostas, e por janela de capialço, gradeada, tendo inferiormente lápide inscrita; na capela-mor abre-se fresta de capialço. Fachada posterior terminada em cornija, alteada por faixa rebocada e pintada de branco e terminada em cornija de betão, que se prolonga pelo corpo da sacristia, rasgada por porta de verga recta; a capela-mor, cega, apresenta silhar com elemento estilizado inscrito e, superiormente, um outro com cruz de Cristo.
Materiais
Estrutura em cantaria de granito aparente; placas de granito polido revestindo a sacristia; cornijas de betão; sineiras, pináculos, cruzes, pia baptismal, e outros em cantaria de granito; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; grades em ferro; algerozes metálicos; cobertura de telha.
Observações
EM ESTUDO. *1 - Segundo a tradição local, cada casal cuida durante um ano da manutenção da Igreja, o homem como sacristão e a mulher zelando pela limpeza do imóvel. Decorrido o ano, o casal organiza, a 5 de Agosto, a chamada festa dos casados, que inclui a elaboração de um ramo enfeitado com vários produtos da região, entre eles um frango, uma cabaça de vinho, um cacho de uvas, uma melancia e as chaves da igreja. Depois das cerimónias religiosas, o ramo é entregue ao casal que servirá de mordomos no ano seguinte. A festa termina com um baile, à porta do novo casal.