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Ponte de Trajano

Ponte de Trajano

O ponto de interesse Ponte de Trajano encontra-se localizado na freguesia de Santa Maria Maior no municipio de Chaves e no distrito de Vila Real.

Ponte romana, de arco, com tabuleiro plano, de paramentos almofadados, assentes em arcos de volta perfeita, de aduelas almofadadas e com orifícios para encaixe da forfex, e apresentando talhamares prismáticos a montante. Insere-se na via XVII do Itinerário de Antonino Pio, constituindo o monumento romano mais representativo na cidade e paradigma do esplendor que a mesma atingiu, e, simultaneamente, constituindo uma das principais pontes romanas do país. No seu conjunto, conserva o traçado original, evidenciado no aparelho almofadado e nas marcas de forfex das aduelas, ainda que tenha sido reduzida, pois as descrições do séc. 18 referem ter 18 arcos, e tenha sofrido algumas reconstruções, conforme é notório no aparelho dos arcos do lado E. e na numeração das aduelas de alguns arcos, no lado oposto. O facto dos talhamares não terem todos as mesmas dimensões e alguns não serem estruturais, mas apenas adossarem à estrutura, bem como o facto dos dois últimos arcos da margem esquerda, junto ao bairro da Madalena, serem mais largos, ocupando o espaço que, segundo Colmenero, corresponderia a três dos originais, vem confirmar as várias reconstruções. Numa das últimas reformas que sofreu, em finais do séc. 19, substituiu-se, sensivelmente a meio, de cada um dos lados, um talhamar por um pilar semiculcular, sobre os quais se colocaram marcos comemorativos, monolíticos, cilíndricos e com inscrições, constituindo cópias dos padrões originais perdidos. Segundo Antonio Rodríguez Colmenero constitui uma das poucas pontes da Península que possuem data de construção, a acreditar na coluna dedicada a Trajano, existente a montante da ponte. A calçada romana descoberta recentemente junto à ponte, a montante e disposta obliquamente em relação à mesma, deverá ser anterior à ponte.

Ponte de tabuleiro plano, com cerca de 140 m de comprimento, paramentos em aparelho regular almofadado, actualmente apenas sobre 16 arcos visíveis, de volta perfeita, de aduelas almofadadas e com orifícios para encaixe da forfex, e alguns dos arcos do lado E. com as aduelas numeradas, sobre pilares rectangulares; as juntas das aduelas e intradorso dos arcos surgem pintados de branco; os dois arcos no extremo da margem esquerda, junto ao bairro da Madalena, são maiores que os outros e quatro na margem direita encontram-se entaipados, dois deles interiormente servindo de arrecadação e rasgados por vãos rectangulares gradeados. A montante, a ponte é reforçada por oito talhamares prismáticos, ligeiramente escalonados e de tamanho e altura sensivelmente diferente, sendo uns estruturais, uma vez que os seus silhares servem de sustentáculo aos arcos, e outros surgem apenas adossados à estrutura da ponte. Sensivelmente a meio, entre o sexto e o sétimo arco, existe, a montante e a jusante, pilar semicircular avançado da estrutura, em cantaria de aparelho regular, com cartela oval, inscrita com a data 1880, terminado em cornija, ao nível do pavimento da ponte, e sobre os quais se erguem dois marcos cilíndricos, monolíticos, a montante designado "padrão dos povos" e a jusante comemorando a construção da ponte; ambos os marcos assentam em bases sobre socos quadrangulares. Entre o quarto e o quinto arco, contado a partir da vila, em vez de talhamar existe um outro pilar semicircular, composto de dois corpos escalonados, ambos terminados em cornija, e no sexto talhamar integra-se um outro pilar do mesmo formato, de sustentação de candeeiros de iluminação do imóvel. Tabuleiro com pavimento em paralelos de granito, com passeios laterais em cimento, exteriormente avançados da estrutura da ponte e assentes em cornija de cantaria, que integra inferiormente e em ritmo regular, de ambos os lados, gárgulas semicirculares para escoamento da água; apresenta guarda em ferro.

Materiais

Estrutura em silhares graníticos; guardas em ferro; guardas em ferro; pavimento em cubos graníticos e em cimento.

Observações

*1 - DOF: Ponte de Trajano e as colunas comemorativas nela colocadas, do tempo dos imperadores Vespasiano e Trajano. A cidade de Chaves constituía um importante nó de comunicações durante a época romana. Segundo Antonio Rodríguez Colmenero, a principal via era a chamada XVII do Itinerário de Antonino, que, pelo menos, entre Praesidium e Aquae Flaviae, e entre esta e Compleutica, discorria por dois ramais diferentes, que se cruzavam na cidade, criando quatro entradas ou saídas. Uma das mais conhecidas procedia de Ardãos, Seara Velha, Soutelo e Valdanta entrava na cidade, por uma ponte anterior à existente sobre o Ribelas, provável "decamanus maximus" da cidade, percorrendo a Rua Figueiredo Fernandes para E., e cruzando o Tâmega pela ponte, para seguir em direcção a São Lourenço. O ramal S. procedia de Boticas e Pastoria e cruzava o Ribelas pela ponte actual de dois arcos, penetrando na cidade pelo "cardo maximus" prosseguiria o mesmo decurso dentro da área urbana e sairia dela em direcção a Reboretum, depois de cruzar o Tâmega, mais ou menos pela Galinheira, antes da construção da ponte de Trajano. *2 - Segundo as Memórias Paroquiais de 1758, o rio Tâmega não era navegável, mas alguns cavalheiros curiosos passeavam nele em barcos, na distância de 4 léguas, tendo sido o Conde de Aveiras, enquanto governador das armas da Província de Trás-os-Montes, quem introduziu o primeiro barco, para seu divertimento. As águas do rio serviam para banhos e ali se faziam muitas barracas no Verão. *3 - Segundo João de Barros, quando passou pela ponte o corpo de São Geraldo, que morrera em Bornes, Vila Pouca de Aguiar, e o traziam para Braga, a ponte carecia de segurança ou estaria destruída, pelo que, para espanto de todos, o rio que inundava as duas margens, parou milagrosamente de correr e abriu-se, para que por esse vau passasse o féretro e seus acompanhantes.