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Rua da Junqueira

Rua da Junqueira

O ponto de interesse Rua da Junqueira encontra-se localizado na freguesia de Belém no municipio de Lisboa e no distrito de Lisboa.

Componente urbano. Eixo viário. Rua. Rua paralela ao eixo ribeirinho apresentando considerável extensão, sendo por isso composta por frentes urbanas de características muito diversificadas, reflectindo a sua génese como zona de praia fluvial e a lenta urbanização do caminho peri-urbano que ligava Alcântara a Belém, a partir da construção de estruturas defensivas e industriais, nos séculos 17 e 18, respectivamente. Estrutura linear progressivamente consolidada através da implantação de palácios e quintas de veraneionos séculos 18 e 19 e mais tarde, já no século 20, por equipamentos contemporâneos. A estrutura da generalidade dos quarteirões é irregular e resulta de uma base de parcelas senhoriais de grande dimensão; nas zonas mais regulares os lotes são estreitos e apresentam logradouros nas traseiras.O espaço construído é dominado pela arquitectura civil residencial, caracterizada por uma edificação contínua formando arruamentos de fachadas rebocadas e alinhadas, onde se destacam seis tipos arquitectónicos: a casa térrea e a casa de dois pisos, com telhados de duas águas, normalmente relacionadas com o modelo funcional unifamiliar, implantando-se em lotes estreitos e alongados (predominantes na Rua do Embaixador); a habitação colectiva, de modelo funcional plurifamiliar, com volumetria variável entre 3 e 5 pisos, desenvolvidos em frentes de diferente dimensão e implantada em lotes rectangulares de frente reduzida (predominante no conjunto da Junqueira, com especial incidência na área compreendida entre o Largo do Marquês de Angeja e a Calçada da Ajuda); a casa abastada, com características que demonstram outros cuidados na composição, como a presença de varandas e janelas de sacada ou outros pormenores arquitectónicos notáveis; os palácios e as quintas, implantadas em lotes de grande dimensão, com estrutura complexa e amplos jardins, que tanto podem surgir na frente urbana como nas traseiras; a habitação operária, baseada no principio da modulação, isto é, da adição sucessiva do modelo tipológico da fachada tipo porta-janela. Observam-se exemplos de arquitectura industrial, que apresenta uma síntese baseada na simplicidade, na simetria e, em alguns casos, na repetição modular. Presença de arquitectura pública, baseada nos conceitos racionalistas apresentados pelo Movimento Moderno. Pelas condicionantes que estiveram na sua origem e evolução, a Rua da Junqueira constitui um exemplo onde se encontram bem documentadas as etapas do processo de transformação de um caminho rural em rua urbana. Apresenta um conjunto de pormenores arquitectónicos importante, sendo possível verificar a presença massiva de alguns desses elementos, como é o caso dos trabalhos em ferro forjado, as platibandas ou o revestimento azulejar. No entanto em especial no troço E. correspondente à zona monumental da rua, observam-se conjuntos arquitectónicos excepcionais, como por exemplo o Palácio de Lázaro Leitão (v. PT1106320380), a Fábrica de Cordoaria (v. PT031106320175), o Palácio Burnay (v. PT031106020121), o Palácio do Marquês de Angeja (v. PT031106020294), o Palácio da Quinta das Águias (v. PT031106020195), o Palácio dos Condes da Ribeira Grande (v. PT031106020296), e algumas casas abastadas, que congregam na sua composição um grupo de pormenores arquitectónicos notáveis, tais como elementos em cantaria e argamassa, portas, janelas, e chaminés. A grande diversidade arquitectónica presente na Rua da Junqueira não chega, no entanto, para diluir a unidade que a caracteriza como conjunto urbano.

Estrutura urbana linear paralela ao eixo definido pela margem N. do rio Tejo e por isso com uma orientação E., percorre uma extensão que se aproxima dos 2000 metros, apresentando uma largura variável entre os 10 e os 30metros. A sua configuração varia significativamente entre duas zonas, correspondentes a áreas de crescimento distintas: uma primeira zona, entre a Rua 1º de Maio e o Largo do Marquês de Angeja, de carácter monumental e erudito, formada durante o século 17 a partir da construção dos fortes da Junqueira, consolidando-se durante os séculos 18 e 19 com a edificação de palácio e quintas de veraneio implantadas em grandes lotes, bem como através da localização de estruturas industriais, com destaque para a Cordoaria Nacional que, introduzindo uma ruptura, contribuiu de forma significativa para a delimitação do eixo da Junqueira. Uma segunda zona limitada pelo ínicio da Calçada da Ajuda e o mesmo Largo do Marquês de Angeja, apresenta um cariz mais urbano, sendo já delimitada por sequências de habitações de carácter colectivo, constituídas nos séculos 18 e 19 com a construção de estruturas de apoio à produção industrial e piscatória (alojamento para operários e armazéns). Assumindo-se como um eixo estruturante, sempre gerador da malha urbana que a envolve, a Rua da Junqueira, apresenta uma regularidade própria e como dispositivo ordenador, permite uma continuidade visual que congrega grande diversidade de elementos formais. É identificável uma configuração composta por frentes urbanas principais, mas algo descontínuas, definidas por unidades arquitectónicas complexas (palácios e jardins murados, edifícios da Cordoaria e alguns equipamentos contemporâneos), que estruturam a via pública principal (correspondente à Rua da Junqueira propriamente dita) e um conjunto de ruelas e travessas que se rasga perpendicularmente à linha de água do Tejo e portanto perpendicularmente ao eixo fundamental do conjunto. Os limites da área de influência da Rua da Junqueira são definidos a E. e O. pela Calçada da Ajuda e pela Rua 1º de Maio, respectivamente; a N. pelo Bairro da Ajuda e Santo Amaro, e a S. pela zona marginal ao rio. Neste contexto é de destacar, pela sua singularidade e homogeneidade, a Rua do Embaixador, um segmento que opera no sistema geral da área da Junqueira, estruturado por duas correntezas de habitações correntes, conferindo-lhe um carácter próprio muito diferente do ambiente urbano aristocrático que caracteriza o eixo principal. A existência destes pequenos espaços descentralizados ao longo do eixo fundamental é proporcionada pelas características do loteamento em pequenas parcelas, que contrasta com a generalidade do conjunto, onde predominam os grandes lotes, pertença das várias casas nobres que ali existiam e que lhe conferiram um carácter monumental. Esta ambivalência parcelar tem ainda reflexo no tipo de espaço verde que acompanha o espaço construído, verificando-se a existência de dois grandes tipos: o espaço verde de grandes dimensões, como os jardins dos palácios ou dos equipamentos (característico da zona da Junqueira compreendida entre o Largo do Marquês de Angeja e a Rua 1º de Maio); e o espaço verde de dimensões reduzidas, materializado na forma de pequeno logradouro, existente na área compreendida entre a Calçada da Ajuda e o Largo do Marquês da Angeja, onde se enquadra o tipo de lote que define a Rua do Embaixador. Associada ao processo de parcelamento, surge a forma dos quarteirões, onde é visível a existência de dois grandes grupos: o grande quarteirão, na zona monumental da Junqueira (troço compreendido entre a Rua 1º de Maio e o Largo do Marquês de Angeja); e o pequeno quarteirão, na área compreendida entre a Calçada da Ajuda e o Largo Marquês de Angeja, e na zona da Standard Eléctrica (Rua da Galé, Travessa Conde da Ponte, Travessa da Praia e Travessa Pinto). O espaço construído é caracterizado por uma grande diversidade, podendo-se encontrar tipos arquitectónicos que variam entre a casa unifamiliar e o palácio ou a quinta, passando por vários outros tipos, como a casa abastada e a habitação colectiva ou operária. Não sendo já perceptível a presença das antigas fortificações *1, podem ainda observar-se exemplos de arquitectura religiosa e industrial bem com a existência de alguns equipamentos comtemporâneos de impacto relevante no contexto urbanístico e tipológico da rua ( Hospital Egas Moniz, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Centro de Congressos, Standard Eléctrica).

Materiais

Pedra: calcário; cal e areia; betão; tijolo furado; tijolo maciço; telha de canudo; telha de aba e canudo; telha marselha; ferro fundido; ferro forjado, alumínio; madeira; azulejo; vidro.

Observações

*1- o Palácio do Marquês de Angeja e o Quartel da Brigada Fiscal da Guarda Nacional Republicana, foram erigidos sob as ruínas dos fortes de S. Pedro e S. João, respectivamente, sendo possível que alguns vestígios das antigas fortificações façam parte integrante da estrutura dessas construções.