Edifício residencial multifamiliar modernista de cinco pisos, com garagens no térreo, 2 fogos por piso e cobertura em terraço. Entrada reentrante aberta a eixo e na linha do gume vertical que, estendido além da guarda do terraço, divide a fachada principal em esquerdo e direito. Fenestração contínua, sem molduras (apenas capeamento do parapeito), rasgada em 3 panos rebocados que avançam cumulativamente para o centro da fachada acima dos dois primeiros pisos.
Edifício de cinco pisos, com garagens no térreo e cobertura em terraço. A fachada principal apresenta uma composição de desenvolvimento horizontal e simétrico, depurada, onde a marcação de um eixo, feita pelo gume saliente facetado que sobe da porta da rua até ao terraço, dividindo o prédio em esquerdo e direito, constitui elemento fulcral. Todavia, trata-se de uma composição que aposta no tratamento de volumes numa concepção tridimensional. O despojamento decorativo, acentuado por extensos panos lisos rebocados, fenestração estreita e contínua com molduração reduzida ao capeamento do parapeito, e ainda assim muito discreta, faz relevar a essencialidade da composição: o efeito de multiplicação do edifício, a crescer sobre a rua, pelo avançamento ritmado da fachada (1+1+1) acima das garagens e primeiro piso, como se atrás de um edifício outros idênticos se ocultassem. Semelhante sugestão é especialmente acentuada pelos recortes desnivelados dos remates inferiores e superiores dos andares avançados, estes últimos constituindo a guarda do terraço. Para este efeito contribui ainda, naturalmente, o recuo da fachada ao nível dos dois primeiros pisos. No térreo abrem-se as portas das garagens (duas para cada lado) - além de uma mais estreita, no topo, de acesso ao logradouro - e, ao centro e reentrante, a porta de entrada no edifício, sendo os panos entre os vãos revestidos a mármore, os vãos desprovidos de molduras e as respectivas portas, em ferro, de desenho modernista, com elementos cromados, sendo de destacar, pela sua elaboração, a caixilharia da entrada principal. O primeiro piso, de superfície rebocada à semelhança das demais do edifício, é percorrido por uma moldura contínua, só entrecortada pelo desenho torneado do gume vertical que sobe até ao terraço, enquadrando os seis vãos (3+3) do r/c.
Materiais
Observações
*1 O processo do Arquivo de Obras encontra-se desaparecido há vários anos; no espólio deste arquitecto, depositado no Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa, nada mais se encontra além de um desenho cartonado da fachada principal do edifício, de óptima qualidade, assinado e datado de 1937. Este desenho vem reproduzido, nomeadamente, no Catálogo Cassiano Branco: uma obra para o futuro, ..., p.157.