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Jardim do Cerco e mata da cerca do Convento de Mafra

Jardim do Cerco e mata da cerca do Convento de Mafra

O ponto de interesse Jardim do Cerco e mata da cerca do Convento de Mafra encontra-se localizado na freguesia de Mafra no municipio de Mafra e no distrito de Lisboa.

Espaço verde de recreio. Jardim da cerca conventual de caracterização estilística barroca, constitui um todo em conjunto com o Convento. Terreno limitado por muro maioritariamente florestado, construído para uma comunidade religiosa e contendo mata e jardim. Caracterização barroca patente na disposição geométrica de canteiros de buxo lagos ornamentados centram o espaço.

Espaço murado que se desenvolve directamente associado ao convento, constituído por jardim e mata. JARDIM: limitado a S. por muro atrás do qual o Convento se impõem como cenário e a N., po muro que separa a Tapada Militar. Estruturado por eixo que se desenvolve a partir do portão principal com orientação O. / E.. De cada lado, junto ao mesmo portão, jardim formal com canteiros de buxo em composição geométrica irregular. Nesta zona existe um exemplar de buxo em porte arbóreo. Caminho separa e contorna zona aproximadamente oval com prado e coberto arbóreo de grande porte e pontuações de luz nas aberturas. Após o prado, zona em calçada branca com tanque eliptico (6,6m diâm. maior e 5,96m diâm. menor) que quebra para N. o eixo principal. Esta zona é limitada por muro de suporte da zona a E., que, com bancos adjacentes, contorna a taça central. A S. da taça, nora (7.48m alt. maior, 4.80m alt. menor, 8.04m larg. maior, 7.10m larg. menor, 2.60m lado do hexagono, 8.90m condução de água em alt., 4.54m raio do poço) alimentada por aqueducto suportado por arcos (51m comp, 8,66m alt. e 0.67m larg.) . A E. desta zona desenvolven-se dois patamares separados por muro de suporte rasgado por eixo central. Nestes, jardim formal com canteiros de buxo prenchidos e simétricos relativamente ao eixo pontuado por dois chafarizes, um em cada patamar. A N. situa-se uma casa de apoio ao jardim, outra onde se instala a Direcção Geral das Florestas e uma gaiola de ferro para pássaros. A S., aqueducto corre paralelamente aos patamar sendo acompanhado por fiada de ameixoeiras-de-jadim. Para S., numa dobra proporcionada por um recorte do muro, situa-se uma área rectangular, o viveiro municipal, área correspondente ao antigo horto do convento. MATA: Vegetação de grande porte e extremamente densa. Separada dos patamares anteriores por eixo transversal perpendicular e sobreelevado em relação ao eixo principal. Limitada a N., S. e a E. pelo muro da Tapada Militar e a O. por um recinto localizado frente à fachada tardoz do Convento. Reticulado de caminhos com presença de estatuárias (c. 2,3m alt.) em parte dos cruzamentos. Um dos caminhos corresponde ao prolongamento do eixo principal do jardim, um outro, que se desenvolve paralelamente para S. deste, culmina no portão de acesso à Tapada. Parque infantil construído a E. do jardim, com parque de merendas a S., e espaço para Jogo da Bola / Pela no limite O.. Este espaço (53m comp. e 12m larg.) é plano e a cota mais baixa que a envolvente, limitado pormuro de suporte com 2 filas de banco encaixado a toda a volta, ornamentados com baixos relevos em forma de concha e acesso por escadaria com 8 degraus.

Materiais

INERTES: alvenaria, saibro (caminhos). VEGETAL: árvores - abeto (Picea abies), ameixeira-de-jardim (Prunus cerasifera),árvore-do-incenso (Pittosporum undulatum) ácer (Acer opalus ssp granatensis), araucária (Araucaria bidwilii e Araucaria colunmaris), azereiro (Prunus lusitanica),bordo-comum (Acer campestre), cameleira (camelia japonica), castanheiro-da-Índia (Aesculus hippocastanum), cedro-do-buçaco (Cupresus lusitanica), cedro-de-espanha (Juniperus oxycedros), freixo (Fraxinus angustifolia), hortênse (Hydrangea macrophylla), lagunaria (Lagunaria patersonii), ligustrum (lLigustrum sp), lantana ( Lantana camara), lodão-bastardo (Celtis Australis), magnólia (Magnolia grandiflora), metrosidero (Metrosideros robusta), nespereira (Eriobotrya japonica), olaia (Cericis siliquastrum), plátano (Platanus hybrida), tília-de-folhas-grandes (Tilia platyphylos), tuia (Thuja orientalis), ulmeiro (Ulmus minor); arbustos - buxo (Buxus semperviriens), cana (Canna indica), evônimo (Euonymus variegata), Linum grandiflora, loendro (Nerium oleander), roseira (Rosa sp) ; herbáceas - agapantus (Agaphantus africanus) bergenis crassifolia, begonia sp, craveiro (dianthus sp), crisântemo (Chrysantemum sp)cyneraria sp), clivia sp, dahlia sp, gladíolo (Gladiolus sp), (impatiens sp), lírio (Iris sp), margarida (bellis perennis),ophipogon japonica, salvia (Salvia splendens), viola sp; trepadeiras - hera (Hedera helix).

Observações

*1 Real Edifício de Mafra - Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada; Abílio Ferreira de Brito era natural de Aveiro e trabalhou como jardineiro chefe, sob as ordens do francês Bonard, que D. Fernando de Sax contratara para traçar os Parques das Necessidades, da Pena e de Mafra (jardim da cerca e um outro junto às lagoas da Tapada). Tomás de Melo Breyner confidenciou ter ouvido dizer ao Conde de Ficalho e a Jules Daveau "que sem o prático de Mafra se não podiam ter feito colheitas capazes para os herbários, porque tinha ele o instinto do classificador" (Memórias, v. 1, Lisboa, 1930, p. 181-182).*"não há muitos anos (desde 1893) por ocasião de se modernizar um jardim na cerca do Convento, foram quebradas pelo camartelo do trabalhador diversas figuras mitológicas, modeladas em gesso na escola de escultura de Mafra [...]. Desse vandalismo alguns restos foram salvos pelo Sr. Estevão António Jorge, que fora discípulo daquela escola [...]" (O Mafrense, 1893)