Pequena igreja paroquial rural construída no século 14, provavelmente entre as décadas de 1330 - 1340, apresenta características que a permitem integrar num gótico arcaizante, numa tendência verificada sensivelmente após a morte D. Dinis (1325) de regressar a esquemas planimétricos mais simples. Assim, apresenta, para além de elementos próprios de um românico tardio, como sejam, os portais salientes em alfiz, os muros contrafortados e a cachorrada na beirada, ou a fraca iluminação da sua nave, conseguida a partir de frestas abertas na naves laterais e de rosácea na parede fundeira, um tratamento dos capitéis (embora poucos sejam os de origem) das colunas que suportam as baixas arcadas que separam as suas três naves (não verificáveis a partir do exterior), próprio do gótico, visível na sua decoração fitomórfica. Também góticos são a capela-mor abobadada com abside poligonal e elegante fresta trilobada na parede testeira, e os túmulos armoriados dos donatários de Mafra. Pedro Dias acha-a seguidora de uma linha construtiva evolutiva que remonta à Igreja de São Pedro de Arganil (v. IPA.00002585), do século 13, e desemboca na mais evolucionada Igreja de Santa Maria de Sintra (v. IPA.00006132).
Planta poligonal, resultante da articulação longitudinal e escalonada de dois corpos, um retangular, referente ao corpo da igreja, de três naves, e um segundo, da cabeceira, poligonal com cinco arestas simétricas. Fachadas em alvenaria de pedra calcária aparente, rasgadas por estreitas frestas de iluminação no corpo da igreja e fresta de três lumes na capela-mor. Cobertura diferenciada, telhada a duas águas na nave e a cinco na capela-mor com beirada em cachorrada. Fachada principal, orientada a ocidente, desenvolvida em dois registos com frontispício terminado em empena angular, encimado por cruz em pedra; primeiro registo centralizado por pórtico ogival rasgado em alfiz, com quatro arcos quebrados sobre colunas de capitéis decorados com motivos vegetalistas; encima-o, no segundo registo, uma rosácea. Na fachada lateral direita, a sul, existe um pórtico colateral, também ogival, rasgado em alfiz, com três arcos quebrados sobre colunas com capitéis vegetalistas. A cabeceira é facetada por contrafortes escalonados, rematados por gárgulas zoomórficas, com entablamento assente em modilhões. INTERIOR: acede-se ao interior do imóvel a partir do seu pórtico principal, o templo apresenta três naves, separadas por arcadas baixas, formando quatro tramos de arcos quebrados sobre colunas monolíticas e capitéis com decoração vegetalista. Iluminação uniforme, efetuada através de estreitas frestas nas naves laterais, pela rosácea da parede fundeira e pelas frestas de três gumes da abside. Pavimento ladrilhado e cobertura de madeira. Nas naves laterais encontram-se, à entrada, frente a frente, os túmulos monumentais de D. Diogo Afonso de Sousa (do lado do Evangelho), junto do qual se encontra um púlpito em madeira policroma, e de sua mulher, D. Violante Lopes Pacheco (do lado da Epístola). Arco triunfal quebrado, antecedido por degrau. Capela-mor de dois tramos e abóbada de arestas sobre mísulas decoradas, apresenta trono e altar em pedra. Cornija corre toda a parede testeira; ao centro encontra-se uma elegante fresta trilobada.
Materiais
Estrutura de cantaria calcária e alvenaria rebocada. Cobertura de telha.
Observações
segundo reza a tradição, a igreja está ligada ao nome de Pedro Hispano, pois aqui teria sido pároco o futuro papa João XXI. *1 cruz processional em prata dourada, repuxada e cinzelada, apresentando no cruzamento dos dois braços, em cristal de Veneza, dois quadros, um representando Cristo, outro Nossa Senhora, contém ainda os escudos dos Sousas de Arronches e dos Pachecos. Sofreu modificações no séc. 18.