Ermida rural de pequena dimensão e feição rustica, construída, provavelmente no séc. 16 e reconstruída no 18 (em período pré-terramoto), alvo de várias intervenções ao longo do tempo que lhe alteraram a feição interna, nomeadamente a sua adaptação a escola primária no final da primeira metade do século 20. Integra-se no conjunto de pequenas capelas da denominada região saloia, nomeadamente das Capelas do Espírito Santo, caracterizados por exterior de tratamento arquitetónico austero, por um esquema planimétrico interior básico, nave única, sacristia, e capela-mor. Assim, apresenta uma planta poligonal, resultante da articulação axial de dois retângulos, de dois registos, correspondentes aos dois corpos principais, a nave única e a capela-mor, mais estreita, quase quadrangular, a que se adossa, lateralmente, do lado esquerdo, o retângulo da sacristia, com porta independente de acesso ao exterior com a mesma orientação do portal principal. Fachadas rebocadas e caiadas a branco, muito sóbrias, percorridas, ou por soco e cunhais de cantaria, ou, como é o caso, por faixa pintada a amarelo ocre. Fachadas principal e posterior em empena triangular encimadas por cruz pétrea, sendo a principal rasgada axialmente por portal, ou manuelino encimado por óculo (como é o caso), ou de verga reta e moldura de alvenaria simples encimado por pequena janela retilínea servida de gradeamento. As fachadas laterais são rasgadas por vãos retilíneos com molduras simples de cantaria e rematadas por cornija saliente. Cobertura telhada a duas águas. Interiormente, apresentam nave única com cobertura tripartida (normalmente de madeira) e capela-mor com cobertura em abóbada de berço, tendo sido alvo de muitas intervenções e alterações de uso, os interiores encontram-se muito descaracterizados. Fachada principal orientada a sul, terminada em empena triangular encimada por cruz pétrea, é rasgada, axialmente, pelo portal principal, manuelino, encimado por óculo. Deste templo destaca-se o seu portal (único elemento classificado do imóvel), que apresenta afinidades formais com o portal da capela do Espírito Santo de Enxara do Bispo (v. IPA.00005588), inscreve-se em arco conopial constituído por quatro segmentos, com pés-direitos delimitados por colunelos assentes em bases de secção oitavada e rematado por florões. Os colunelos exteriores apresentam fustes torsos e capitéis oitavados com gramática decorativa de carácter fitomórfico (romãs, acantos e rosetas). Nas ombreiras decoração de flores quadrifoliadas, máscaras e um animal (um macaco a comer um fruto). Superiormente o arco possui elementos ornamentais de carácter vegetalista e zoomórfico, e, no extradorso, um peixe, uma ave e heráldica manuelina. A inclusão de um peixe e de um macaco na decoração do portal, é de difícil interpretação, sendo de considerar tratar-se de elementos provavelmente bebidos em gravuras ou iluminuras da época.
Planta poligonal, retangular, composta pela articulação longitudinal de dois corpos escalonados, retangulares, correspondentes à nave e à capela-mor profunda, tendo adossado, a ocidente, o corpo da sacristia, justaposto ao da ábside, também retangular. Fachadas rebocadas e caiadas a branco, percorridas por faixa amarelo ocre, sendo as laterais terminadas em cornija saliente. Cobertura telhada a duas águas. Fachada principal orientada a sul, terminada em empena triangular encimada por cruz pétrea, é rasgada, axialmente, pelo portal principal encimado por óculo. O portal inscreve-se em arco conopial constituído por quatro segmentos, com pés-direitos delimitados por colunelos assentes em bases de secção oitavada e rematado por florões. Os colunelos exteriores apresentam fustes torsos e capitéis oitavados com gramática decorativa de carácter fitomórfico. Nas ombreiras decoração de flores quadrifoliadas, máscaras e um animal. Superiormente o arco possui elementos ornamentais de carácter vegetalista e zoomórfico, e, no extradorso, um peixe, uma ave e heráldica manuelina. Fachada lateral esquerda, a ocidente, composta por dois panos, respeitantes ao corpo da sacristia, que encobre o da capela-mor, e que é rasgado por uma porta de verga reta e moldura de cantaria retilínea encimada por pedra esculpida, ilegível; este articula-se em ângulo com o pano da nave, animado por duas janelas retangulares com molduras de cantaria simples. Fachada lateral direita, a nascente, também com dois panos, correspondentes ao corpo da nave, rasgado por duas janelas retilíneas com molduras de cantaria simples, e, articulando-se em ângulo, o da capela-mor, de parede cega. Fachada posterior, de empena triangular, e parede cega. INTERIOR: nave única e capela-mor pavimentadas de tijoleira e cobertas com tetos de madeira. Sacristia com lavatório de pedra embebido na parede norte.
Materiais
Cantaria de calcário, alvenaria de tijolo, telha, madeira, vidro e ferro.
Observações
*1 - DOF: Portal manuelino da antiga Capela do Espírito Santo de Alcainça Grande; *2 A Capela de São Silvestre é a capela lateral do lado da Epístola da Igreja de São Miguel de Alcainça, onde figuram as arcas tumulares de Vicente Annes Froes, prior de Cheleiros no século 14, e de seu pai, o pórtico manuelino em causa será o do presente templo, do Espírito Santo.