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Capela de São Sebastião

Capela de São Sebastião

O ponto de interesse Capela de São Sebastião encontra-se localizado na freguesia de Ericeira no municipio de Mafra e no distrito de Lisboa.

Capela rural de pequena dimensão e feição rustica, construída, provavelmente, no séc. 15 e reconstruída no 17, de acordo com uma estética maneirista. Integra-se no conjunto de pequenas capelas da denominada região saloia, caracterizadas por um exterior de tratamento arquitetónico austero, e por um esquema planimétrico interior básico, nave única, capela-mor e sacristia, por vezes, como é o caso, de grande riqueza decorativa. Apresenta, contudo, uma planta de características bastante inusuais para a região, resultante da articulação de um corpo inicial hexagonal, nave e capela-mor, e de um corpo retangular, acrescido posteriormente, para sacristia e dependências anexas. Fachadas rebocadas e integralmente caiadas de branco, rasgadas por vãos de verga reta e moldura de cantaria simples, igualmente caiada, e rematadas por friso e cornija, encimada por pináculos em forma de pinha nos ângulos. Cobertura em domo hexagonal, com pináculos em forma de pinha no topo, na nave e capela-mor, e em telhado, de duas águas na sacristia. Fachada principal rasgada por portal retilíneo, rematado por friso e cornija. Interior, com coberturas diferenciadas em cúpula na nave e em abóbada de berço na capela-mor e escassa iluminação interior, é totalmente revestido a azulejo de tapete (muros e cúpula), com dois padrões seiscentistas, com púlpito no lado do Evangelho, confrontante com pia de água benta concheada, datável do séc. 18. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras almofadadas, de acesso à capela-mor, onde surge um retábulo em mármore com embutidos, de corpo reto e um só eixo, cuja qualidade evidencia as possibilidades económicas da irmandade que administrava o templo. As portas possuem, jambas em cantaria, que assentam em plintos paralelepipédicos, com as faces almofadadas, integrando losango, solução também visível nos portais da Igreja Paroquial de São Pedro (v. IPA.00002613).

Planta poligonal, irregular, formada pela articulação, escalonada, de dois corpos de um só registo, o hexágono da nave, a que se adossa, a norte, o corpo retangular, da capela-mor, sacristia e dependências anexas. Fachadas rebocadas e integralmente caiadas de branco, rasgadas por vãos de verga reta e moldura de cantaria simples, igualmente caiada, e rematadas por friso e cornija, encimada por pináculos em forma de pinha nos ângulos. Cobertura em domo hexagonal, com pináculos em forma de pinha no topo, na nave, e em telhado, de duas águas na capela-mor e sacristia. Fachada principal, voltada a sul, rasgada por portal de verga reta, de moldura simples em cantaria, cujas jambas se apoiam em plintos paralelepipédicos onde se inscrevem almofadas em forma de losango; o vão é protegido por duas folhas de madeira, almofadadas e pintadas de castanho e por uma grade de ferro com decoração vazada vegetalista. Sobre a porta, surge uma lápide de cantaria com a inscrição: SÃO SEBASTIAO M e gravação dos atributos do santo (setas). Fachada lateral esquerda, virada a ocidente, de dois panos, o do anexo, rasgado por janela com moldura rebocada e pintada de branco, sobre este, é visível uma das faces cegas da capela, o segundo pano corresponde à da capela e é cego. Fachada lateral direita, virada a nascente, de dois panos, o da capela, rasgado por porta de verga reta, com as jambas assentes em plinto paralelepipédico, com almofadas em forma de losango, e o do pano do anexo, com porta de verga reta, à qual se acede por um degrau; sobre esta, é visível uma das faces cegas da capela, encimada por sineira em arco de volta perfeita emoldurada, com um cabeção de madeira que suporta sino de bronze. Fachada posterior, a norte, marcada pelo corpo da sacristia, com remate em empena triangular, encimada por pináculo em forma de pinha no vértice, e rasgado, no extremo direito, por porta de verga reta, com acesso por escada adossada, de quatro degraus. Sobre o anexo, é possível ver o pano correspondente à capela-mor. INTERIOR: nave única, hexagonal, com pavimento em tijoleira e paredes murárias e cúpula integralmente revestidas a azulejo de tapete polícromo, azul e amarelo sobre fundo branco, com dois padrões distintos nas paredes, sendo um mais rico no nível superior (padrão P-474 do módulo 4x4/4) e o padrão P-308 do módulo 2x2 (SIMÕES, 1997), separados por frisos; superiormente, as paredes são percorridas por friso de óvulos e dardos e por cornija em cantaria, pintada de branco. A cúpula da nave encontra-se revestida a azulejo de padrão estrelado, seccionado pelas nervuras com frisos de óvulos e dardos. No lado do Evangelho, surge a bacia do desaparecido púlpito, em cantaria de calcário e, no lado oposto, uma pia de água benta hexagonal com base gomeada, também em cantaria de calcário. Arco triunfal de volta perfeita, com fecho saliente e volutado, sobre pilastras toscanas, com os fustes almofadados, assentes em cubos, a do lado esquerdo suportando uma caixa de esmolas de madeira pintada de vermelho, com a inscrição ESMOLA PARA O MÁRTIR SÃO SEBASTIÃO. Elevada por um degrau a capela-mor, de planta retangular, de disposição transversal à nave e cobertura em abóbada de berço, é, igualmente, revestida a azulejo de padrão policromo, apresentando, na sua parede testeira, o retábulo em mármore polícromo, de corpo reto e um só eixo, definido por quatro colunas toscanas com fustes rosa, assentes em plintos paralelepipédicos com embutidos de mármore de temática vegetalista, entre as quais surgem quatro apainelados com embutidos semelhantes, formando motivos geométricos e vegetalistas, que se repetem no sotobanco. Ao centro, nicho em arco de volta perfeita, com fecho saliente, assente em pilastras toscanas, contendo uma peanha com a imagem do orago. Remate em friso e dupla cornija, encimado por frontão semicircular, com embutidos de várias tonalidades. Altar paralelepipédico revestido a azulejo; fronteiro a este, a mesa de altar, de madeira e assente em dois pilares oitavados.

Materiais

Alvenaria mista; pedra calcária, mármore, telha, tijoleira, madeira, ferro, bronze e azulejo.

Observações

*1 A zona especial de proteção (ZEP) tem em consideração a implantação isolada e destacada do templo, em terreiro sobranceiro à falésia, bem como a sua relação, tanto física como simbólica, com o mar.