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Real Edifício de Mafra

Real Edifício de Mafra

O ponto de interesse Real Edifício de Mafra encontra-se localizado na freguesia de Mafra no municipio de Mafra e no distrito de Lisboa.

Conjunto arquitetónico barroco, de matriz italiana, constituído por palácio real, basílica e convento franciscano, construído ininterruptamente entre 1717 e 1744, por iniciativa e sob estreita supervisão de D. João V (1689 - 1750), segundo projeto original do arquiteto João Frederico Ludovice (1673 - 1752), que terá contado com projetos parciais, elaborados no decorrer da obra, como forma de responder aos sucessivos aumentos. Habitualmente comparado com o madrileno Mosteiro do Escorial, Mafra surge, antes de mais, como uma impressionante afirmação do poder absoluto, do Império Português e de legitimação da Casa de Bragança. Com planta poligonal, composta pela justaposição de dois grandes corpos retangulares, um principal, a ocidente, que comporta o paço real e a basílica, e um secundário, a nascente, que contém o antigo palácio dos infantes e o convento. A fachada principal está orientada a ocidente, desenvolve-se numa extensão total de 220 metros, simetricamente a partir da basílica, que ocupa o seu pano central, interrompendo e, simultaneamente, unificando os palácios do rei (a norte) e da rainha (a sul), através da Sala da Bênção, destinada ao soberano - procurando assim uma unificação dos poderes sagrado e terrestre na figura do rei "pela graça de Deus" -, que abre sobre o terreiro frontal e sobre a nave, assumindo o seu papel de basílica patriarcal e de capela real. A fachada é rematada por dois grandes torreões monumentais, claramente influênciados por aquele que Filipo Terzi havia desenhado para o lisboeta Paço da Ribeira, símbolo inequívoco do poder real. As imponentes fachadas palacianas apresentam características de um barroco contido, característico dos trabalho de Ludovice, de influência italiana, particularmente de Carlo Fontana (1634 - 1714), mostrando um classicismo rigoroso, de grande sobriedade, conseguido pela repetição dos elementos e simetria (vãos retilíneos, encimados pela alternância de frontões curvos e triangulares, panos separados por pilastras de cantaria), portais ladeados por duas colunas toscanas que sustentam um frontão triangular. Ao centro, a fachada da basílica, monumental, observa uma cuidadosa interpretação das ordens, a toscana nas colunas de acesso à galilé, a compósita da fachada da igreja e a ladear o portal de acesso. As torres sineiras, altas, elegantes e com um dinamismo que lhe é transmitido pelo jogo de côncavo/convexo, a cúpula e o lanternim denotam um barroco de influência borrominiana. Interiormente, a residência palaciana apresenta uma funcionalidade de organização vertical, cozinhas na cave, dispensas e ucherias no piso térreo, segundo piso para os camaristas e membros da corte, piso nobre para a fmília real, e mansarda para os criados, sendo as salas ocidentais do andar nobre reservadas às funções sociais, os torreões aos aposentos privados e as alas norte e sul à vivência cuotidiana, no final destas estavam os aposentos dos infantes. A basílica apresenta planta em cruz latina com os braços e a abside em semicírculo, composta por galilé retangular, nave única, com seis capelas laterais retabulares, profundas, intercomunicantes, transepto saliente servido de duas capelas retabulares, duas capelas absidais, também retabulares, e capela-mor profunda. Na sua volumetria destaca-se o zimbório que se levanta sobre tambor vazado por oito janelas, com molduras profusamente trabalhadas e a grande cúpula, a maior feita até então em Portugal, e a que não terá sido alheio o engenho de Custódio Vieira (1682 - 1744), assim como o não fora na concepção das torres. Ricamente decorada, a igreja apresenta-se como um "templo todo de mármore", em que este material está presente na cobertura da nave, em abóbada de berço, rosa, preta e branca, no cruzeiro e cúpula do zimbório, nas colunas e arcos de acesso às capelas laterais, na capela-mor e capelas do transepto com cobertura em abóbada de aresta; no pavimento, de calcário rosa, preto e branco, formando elementos florais estilizados; nos retábulos, feitos à romana, nas 52 estátuas de vulto de encomenda italiana. Ao mármore aliam-se os metais e as telas com pintura a óleo. Toda a decoração da basílica foi cuidadosamente encomendada e elaborada para o local, onde só se empregaram materiais nobras, sendo de notar a ausência total de talha dourada tão usual no barroco joanino nacional. A sala dos lavabos e a sacristia, que, situadas já no espaço conventual, se apresentam ao serviço do templo, apresentam características que permitem a sua atribuição a Mateus Vicente de Oliveira (1705 - 1786), como sejam a existência de arcos contracurvados em falsas janelas, os frontões interrompidos por pilastras que se erguem até à cimalha, ou as molduras de toros encurvados. O edifício conventual desenvolve-se em torno de um grande claustro, o jardim de buxo, merecendo realce a sua botica e enfermarias, o Campo Santo e a sua capela, o corredor das aulas e a Sala dos Atos Literários, para além do grande refeitório, e da elegante Sala do Catítulo, abobadada, de forma elíptica, com bobertura de caixotões brancos e pavimento de mármore rosa, branco e negro. No entanto, na área conventual, o principal destaque vai para magnifica biblioteca, ou Real Livraria de Mafra, desenhada por Manuel Caetano de Sousa (1738 - 1802), com planta em cruz latina, cobertura de caixotões em mármore branco, pavimento em mármore axadrezado rosa, preto e branco, e com elegantes estantes rococó em talha branca. A construção do monumento de Mafra decorreu ao longo de vinte e sete anos, e muito embora tenha sido alvo de vários projetos parciais elaborados por uma vasta equipa no decorrer da obra, a ininterrupção dos trabalhos e a supervisão régia terão contribuído para uma de invulgar coerência e harmonia construtiva que esta enorme mole arquitetónica apresenta.

Conjunto de planta poligonal, composto pela articulação de vários módulos, maioritariamente de quatro pisos sendo o último em mansarda, que formam uma grande massa quadrangular criada a partir da justaposição de dois grandes corpos retangulares, organizados em torno de claustros centrais quadrangulares (dois no corpo principal e um no secundário). Corpo principal, a ocidente, comporta o antigo paço real e a basílica, e o corpo secundário, a nascente, contém o antigo palácio dos infantes e o convento. As paredes das suas fachadas são rebocadas e pintadas a ocre, percorridas por soco de cantaria calcária, sendo os vários panos separados por pilastras do mesmo material, apresenta cornija saliente, pétrea, e platibanda servida de balaustrada, sustentando elegantes gárgulas decoradas com volutas, também em mármore. São rasgadas por vãos, maioritariamente retilíneos, com molduras de cantaria. Coberturas telhadas a duas águas, articuladas nos ângulos, em domo bolboso acantonado por pináculo nos torreões, igualmente em domo bolboso nas sineiras da basílica, que contemplam fogaréus nos acrotérios, motivo que ladeia, igualmente, o tímpano da fachada principal do templo, que contempla, ainda, cúpula elevada sobre tambor vazado por janelas. PALÁCIO: corpo de planta poligonal formada a partir de um grande módulo retangular, interrompido ao centro pelo corpo perpendicular da basílica, desenvolve-se longitudinalmente no sentido norte-sul, rematado, nos seus extremos, por dois torreões monumentais de planta quadrangular, aos quais se adossam dois novos módulos retangulares paralelos, perpendiculares ao principal, que se desenvolvem no sentido ocidente-nascente. Fachada principal, monumental, plana, com quatro pisos, o último dos quais em mansarda, virada a ocidente, numa extensão total de 220 metros, com nove panos distintos. Apresenta um eixo de simetria definido pela basílica (descrição infra), que constitui o pano central, desenvolvendo-se a partir deste em espelho por quatro panos idênticos, correspondentes aos corpos dos palácios do rei (a norte) e da rainha (a sul). Ao pano da fachada da basílica seguem-se, para cada lado, três panos idênticos, os primeiro e terceiro iguais, rasgados por quatro vãos retilíneos, com moldura de cantaria simples, em cada piso, e o central, centralizado, no piso térreo, pelo corpo proeminente do portal, ladeado por duas colunas dóricas que sustentam um frontão triangular, os segundo e terceiro pisos apresentam-se rasgados por cinco janelas de peitoril retilíneas com molduras simples, as laterais, com frontão curvo a central do segundo piso, e, no terceiro piso, encimadas por frontões triangulares e curvos alternados. Note-se, ainda, no pano central, as nove pequenas janelas retilíneas da mansarda, que se abrem num friso marmóreo sobre a cornija, enquadradas por mísulas decoradas por volutas. Os grandes torreões que rematam a fachada, com a qual se articulam em ângulo, compõem-se de três pisos separados por frisos, dupla mansarda e cobertura rasgada por óculos. São inteiramente revestidos a pedra, rusticada no rés-do-chão e lisa nos dois superiores, onde a fenestração, separada por pilastras, alterna vãos encimados por frontões curvos e triangulares. Fachadas laterais compostas por cinco panos rasgados por vãos retilíneos, com moldura de cantaria simples nos primeiro e segundo pisos e composta no terceiro. O primeiro pano da fachada lateral esquerda e o quinto pano na fachada lateral direita são rasgados, ao nível do primeiro piso, por um vão (que hoje surge entaipado na fachada esquerda e é em capialço na direita) de moldura composta, profusamente trabalhada, encimada por uma janela de sacada, com balaustrada pétrea semicircular, e moldura com frontão interrompido com cartela decorada por pedra de armas. Os segundo e quarto panos comportam portas de verga reta no primeiro piso, sendo os segundo e terceiro rasgados por janelas de peito com moldura em frontão curvo; o pano central é rasgado por quinze janelas por piso, tendo, ao centro, no primeiro piso, uma janela de sacada com balaustrada e moldura encimada por frontão curvo. INTERIOR: embora a sua divisão interna não seja exatamente igual, os dois corpos do palácio seguem a mesma orientação funcional, sendo completamente independentes um do outro. As áreas palacianas ocupam, grosso modo, toda a fachada principal do edifício (à exceção da basílica), os dois torreões e o andar nobre dos corpos laterais. O acesso ao interior é feito a partir do portal que centraliza o segundo pano a partir do centro (basílica) na fachada principal, dando lugar a um amplo átrio que estabelece o acesso ao torreão, ao claustro (quadrangular, definido por uma galeria em abóboda de berço, sustentada por colunas dóricas e que abrem para o claustro em arcos inteiros), às escadarias que conduzem às galerias palacianas, sendo que a verticalidade dos acessos é aqui de extrema importância, marcando toda a organização funcional do espaço, assim, as cozinhas palacianas localizam-se ao nível da cave, sendo as dispensas e ucharias situadas no primeiro piso, os quartos de camareiros e damas da corte no segundo piso, os aposentos reais e demais salas palacianas no terceiro piso, e os quartos dos criados na mansarda. Para os corpos da fachada principal estavam remetidas algumas das áreas mais sociais, como seja a longa galeria que liga os torreões norte e sul (com c. 232 metros), as salas das Descobertas, dos Destinos, da Guarda, da Bênção (com dupla janela de sacada sobre a praça e sobre a nave da basílica) e dos Camaristas. Nos torreões ficavam os aposentos reais (norte do rei e sul da rainha, após a morte de D. Fernando II toda a família real passou a ocupar o torreão sul, sendo o norte reservado aos visitantes de maior importância). Na ala norte destacam-se as salas de Diana, do Trono (ou das Audiências) e a capela real com invocação de São José. Na ala sul, salas de D. Pedro V, da Música e a capela da rainha, com invocação da Virgem. Na ala nascente, as salas de Jogos, de Caça e de Jantar. Por último, sobre o convento, nas extremidades nordeste e sudeste do terceiro piso, localizam-se os aposentos dos infantes, também em separado, tendo ao centro a biblioteca conventual. BASÍLICA: planta em cruz latina com os braços e a abside em semicírculo, composta por galilé retangular com os topos, igualmente, em semicírculo, nave única, com seis capelas laterais retabulares, profundas, intercomunicantes, transepto saliente servido de duas capelas retabulares, duas capelas absidais, retangulares, também retabulares, e capela-mor profunda. Desenvolve-se de ocidente para nascente, inscrevendo-se no pátio quadrado que circunscreve dois corpos secundários, a norte e a sul. Na sua volumetria destaca-se o zimbório que se levanta sobre tambor vazado por oito janelas, com molduras profusamente trabalhadas ladeadas por colunas coríntias, que sustentam o peso da dupla calote da cúpula, em cujos panos se rasgam dois olhos de boi sobrepostos. O lanternim ostenta oito janelas ladeadas por colunas jónicas, coberto por coruchéu bolboso, rasgado por pequeno óculo e encimado por esfera e cruz. Fachada principal antecedida por escadório de três lances, de sete degraus cada, ostenta duas torres sineiras enquadrando um módulo central onde se abrem, num primeiro nível, os cinco vãos de acesso à galilé, através de dupla colunata, onde seis colunas jónicas criam uma galeria de três arcos de volta perfeita e dois vãos de verga reta, ladeados por dois nichos albergando estatuária monumental: duas estátuas de vulto em mármore, em fosco, atribuídas a Giovanni Battista Maini, com 2,810 metros cada, à esquerda, Santa Clara, fundadora da congregação feminina da Ordem de São Francisco, aqui representada com o hábito da ordem, segurando com as duas mãos o ostensório, seu atributo, e, à direita, Santa Isabel da Hungria, envergando o seu hábito de clarissa, segura um Crucifixo, a cuja adoração dedicou a sua vida, e pisa a coroa, símbolo da sua abdicação. O segundo registo é animado pela alternância de três janelas de sacada e, separados por colunata formada por seis colunas compósitas, dois nichos com estatuária monumental: as estátuas de vulto, em mármore fosco com 3,40 metros cada, dos dois fundadores das ordens mendicantes, à esquerda São Francisco de Assis, da autoria de Carlo Monaldi, representado com o hábito da ordem que fundou (e à qual se destinava o convento) e os seus atributos usuais, a pisar os livros heréticos, tendo ao lado o crânio com o Livro da Ordem e segurando a pedra primordial da capela de Assis, e, à direita, São Domingos, atribuído a Pietro Bracci, apresenta o santo com a capa e o capucho da ordem e segurando o Livro da Regra. As janelas, com moldura composta, encimadas por frontão triangular sobre mísulas com volutas, as laterais, e por frontão curvo sobre mísulas com volutas, a central, a varanda da Bênção, sendo as três servidas de balaustrada pétrea. Empena alteada em frontão triangular encimado por acrotério com cruz em ferro, e tímpano animado por baixo-relevo marmóreo, a primeira peça de escultura encomendada, da autoria de Giuseppe Lironi, com 2,240 x 3,12 metros, em jaspe, representando a Virgem, o Menino e Santo António, sustentado por grinaldas com motivos florais, assente em cornija destacada, ladeado por fogaréus. Acima desta erguem-se os três níveis das torres (relógios - com mostrador de seis horas, ou horas canónicas, torre norte, e de doze horas, ou horas à francesa, torre sul - e duas ventanas sineiras em arco de volta inteira). INTERIOR: acede-se ao interior do templo através de uma galilé, abobadada, de 28 x 7 metros, com os topos em semicírculo com ligações aos espaços octogonais existentes sob as torres sineiras, que dão acesso a duas salas que comunicam com as escadarias dos palácios (norte e sul), apresenta cobertura apainelada de mármore em abóbada de berço, sendo de aresta nos extremos, pavimento em xadrez de mármore preto e branco. Nas paredes laterais encontram-se catorze nichos com outras tantas estátuas de vulto, com 3,580 metros (as duas que ladeiam a entrada na igreja), São Vivente de Fora e São Sebastião, ambas de Carlo Monaldi, e 2,860 metros as restantes, a saber, da esquerda para a direita: São Bernardo, atribuído a Giuseppe Rusconi; São Caetano, de Bernardino Ludovisi; São Francisco de Paula, de Bernardino Ludovisi; São Félix de Valois, de Pietro Bracci; São Pedro Nolasco, de Pietro Bracci; São Bento, atribuído a Giuseppe Rusconi; São Bruno, atribuído a Giuseppe Lironi; Santo Inácio, de Agostino Corsini; São João de Deus, de Agostino Corsini; Santa Teresa, de Carlo Monaldi; São Filipe Néri, de Carlo Monaldi; e São João da Mata, atribuído a Pietro Bracci. A ladear o portal de acesso à nave, duas colunas compósitas que sustentam, frontão alteado, interrompido com medalhão oval com um baixo-relevo figurativo, com 1,7 x 1,3 metros, com a Virgem, o Menino e Santo António, da autoria de Carlo Monaldi. Ultrapassada a porta, apresenta-se o interior da basílica de nave única, coberta por abóbada de berço em cantaria calcárea rosa, preta e branca, com penetrações iluminantes, levantando-se no cruzeiro a cúpula do zimbório, em cuja cimalha do tambor, entre as litanias da Virgem que a decoram, encontra-se, entreaberta, em baixo-relevo, a "Porta do Céu". No interior da cúpula, suspensa do lanternim, encerrando-o, encontra-se uma pomba com 1,5 metros de envergadura, símbolo da imaculada conceção de Maria. Os braços do transepto, rematados em semicírculo, apresentam cobertura em abóbada de berço semelhante à da nave, capela-mor e capelas do transepto com cobertura em abóbada de aresta. A iluminação do espaço interior faz-se mediante janelas abertas nos muros laterais (sobre cada uma das capelas), na abside e nas capelas do transepto, na fachada principal e no zimbório. O pavimento é calcário rosa, preto e branco, formando elementos florais estilizados. Para a nave abrem seis capelas laterais profundas, intercomunicantes, a que se acede a partir de arcaria de volta perfeita enquadrada por dupla pilastra com capitéis de decoração compósita, são separadas entre si por pórticos de mármore negro com baixos-relevos. Possuem retábulos de cantaria enquadrando baixo-relevo de mármore figurativo, alusivo à invocação, sobre os pórticos de comunicação, lunetas, normalmente em mármore, podendo algumas ainda ser pintadas, possuem igualmente quatro estátuas de vulto por capela. Capelas laterais do lado do Evangelho: Santo Cristo, Santos Bispos, Nossa Senhora do Rosário, do lado da Epístola: Santos Mártires, Santos Confessores e Santas Virgens. No segundo registo, galeria de acesso palaciano, que permitia à Corte a assistência aos serviços religiosos. No braço do transepto, do lado do Evangelho, ergue-se a Capela da Coroação de Nossa Senhora, ligeiramente elevada e protegida por teia, onde se integra um retábulo de pedra, com um painel em baixo-relevo marmóreo alusivo à invocação. No braço oposto, também sobrelevada e protegida por teia, encontra-se a Capela da Sagrada Família. A capela-mor, protegida por teia balaustrada, é profunda, com cobertura em abóbada de aresta e retábulo de cantaria composto por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, enquadrando uma tela, da autoria de Francesco Trevisani, "A Virgem entrega o Menino a Santo António", alusiva à dupla invocação do templo (onde a Virgem surge na sua Corte Celestial, sentada sobre nuvens e rodeada de anjos, entregando o Menino a Santo António, que num plano terreno, em pose de devoção, O recebe), rematado por frontão triangular, sobre o qual se encontra um grupo escultórico em mármore centralizado por um Cristo Crucificado rodeado por anjos que O adoram, da autoria de Francesco Schiaffino. Na parede fundeira é de notar, ao nível do segundo registo, a tribuna real e, sob esta, a presença de um grupo escultórico, da autoria de Alessandro Giusti, a ladear a entrada, com 2,08 metros, representam a Fé (segurando o cálice e a hóstia da comunhão numa mão, enquanto a outra pousa sobre o peito) e a Religião (ostentando o crucifixo numa mão e o coração em chamas, símbolo de devoção, na outra). Junto ao claustro do módulo sul encontram-se algumas divisões cuja funcionalidade é afeta à basílica, como sejam, no segundo piso, a Sacristia, ampla, onde os arcos contracurvados e "falsas janelas" levam a que seja atribuída ao traço de Mateus Vicente de Oliveira, com capela própria, evocativa de São Francisco, a contígua Sala dos Lavabos, com quatro lavabos de mármore com molduras com toros encurvado, também atribuídas ao discípulo de Ludovice, e futuro arquiteto de Queluz, e mesa central de igual material, e a Casa da Fazenda (ou do Tesouro), conjunto de salas destinadas a guardar as alfaias litúrgicas e paramentarias, também nesta área existe uma sala destinada às observações astronómicas, estando marcada no seu pavimento uma linha meridiana. CONVENTO: corpo adossado ao palácio, para nascente, é formado a partir de quatro módulos retangulares, de cinco pisos, o último em mansarda, organizados em torno de um grande claustro central. Fachada principal orientada a nascente, apresenta onze panos definidos a partir de um eixo de simetria marcado pelo módulo proeminente do pórtico, que se articula em ângulo com a restante fachada. Este, vazado numa lógia de arcos perfeitos revestida a pedra rusticada que antecede a porta principal, é rasgado, ao nível dos segundo e terceiro pisos, por três janelas retilíneas com moldura de verga reta, na frente, e uma em cada parede lateral, o quarto piso apresenta fenestrações de sacada, protegidas por balaustrada pétrea, moldura encimada por arco abatido as laterais e com frontão triangular alteado a central, o quinto piso apresenta janelas quadrangulares com moldura de verga reta (iguais em toda a fachada), sendo a mansarda rasgada por óculo. A restante fachada é simétrica, sendo os panos extremos (primeiro e décimo primeiro) rasgados por janela retilínea com moldura simples de cantaria em cada piso, os segundo, quarto, oitavo e décimo panos, rasgados, no primeiro piso, por porta de verga reta, encimada por janelas de sacada nos segundo e terceiro pisos (a do segundo piso com moldura em arco abatido), de peitoril encimada por frontão triangular no quarto piso, os terceiro, quinto, sétimo e nono panos, os mais longos, apresentam os primeiros dois pisos rasgados por seis janelas de peitoril retilíneas com moldura simples, sendo o terceiro piso marcado por outras tantas janelas com moldura encimada por frontão triangular. As fachadas laterais, idênticas entre si, apresentam quatro panos, de quatro pisos, separados por cornijas de cantaria e rasgados por janelas de peitoril retilíneas com moldura de cantaria simples nos três primeiros pisos, sendo a do quarto piso de moldutra composta, terminadas, as duas fachadas, por cornija saliente e platibanda com balaustrada, com gárgulas, e acrotérios decorados. O primeiro pano, muito estreito apresenta apenas uma fenestração por piso, o segundo, apresenta uma porta de verga reta ao nível do primeiro piso, encimada por vãos encimados por frontões curvos e triangulares, os terceiro e quintos pano são idênticos, rasgados por cinco vãos em cada piso, o quarto pano é centralizado ao nível do primeiro piso por um triplo portal proeminente, envolvido por cantaria rusticada, sendo a moldura centralizada por frontão triangular, encimado por uma janela de sacada em cada piso, sendo a do terceiro sobrepujada por frontão triangular alteado. Este pano é mais alto que os que o ladeiam, sendo visíveis as pequenas janelas retilíneas da mansarda, que se abrem num friso marmóreo sobre a cornija. INTERIOR: a entrada conventual encontra-se orientada para a fachada sul (atual entrada da Escola Prática de Infantaria do Exército), dando acesso à escadaria monumental e ao claustro central (jardim de buxo). No primeiro piso, na área conventual podem-se distinguir, nas imediações da escadaria, os espaços da Capela dos Sete Altares (atual Auditório da EPI). Neste corpo, na ala ocidental do convento, localizam-se, de norte para sul, o refeitório (com a cozinhas para nascente), a sala de lava-mãos, o corredor das aulas, com as respetivas salas e a Casa dos Atos Literários (que serviu de tribunal). Nos primeiro e segundo pisos, em redor do claustro central e junto à fachada nascente, ficavam as celas dos frades. No terceiro piso, junto à fachada principal do convento, encontra-se a grande biblioteca (ou Casa da Livraria), com planta em cruz latina, cobertura em abóbada de berço, decorada com caixotões, a branco, pavimento em mármore rosa, branco e preto, em quadrícula, paredes forradas de elegante estantaria de talha a branco, e profusamente iluminada pelas janelas que a dois níveis rasgam as suas paredes. Os módulos norte e sul deste corpo nascente correspondem, ao nível do terceiro piso, aos palacetes dos infantes (norte) e das infantas (sul), ficando, nas mansardas os quartos dos criados. No corpo do palácio, a norte, junto ao claustro, encontram-se ainda algumas dependências conventuais, como sejam, o Campo Santo e a sua capela, ficando, no segundo piso a Enfermaria dos Doentes Graves (sob a capela real), com acesso à Capela do Campo Santo (no piso inferior), a enfermaria dos convalescentes e as salas da botica. No corpo do palácio, para sul, encontra-se, no primeiro piso, junto à fachada sul, a elíptica Sala do Capítulo.

Materiais

Cantaria de calcário e de mármore, alvenaria mista, reboco pintado, estuque, madeira, metal, vidro

Observações

*1 Em 1962, Ayres de Carvalho, em D. João V e a Arte do Seu Tempo, contraria a atribuição da autoria do projeto de Mafra a Ludovice, considerando-o apenas o autor da planta da igreja (decalcada da de São Pedro do Vaticano, ou de Santo Inácio) e de um cenóbio para 13 frades, o mesmo autor considera que a planta mais ambiciosa do complexo mafrense teria sido executada sob as ordens do marquês de Fontes, em Roma, por Carlos Fontana e, após a sua morte, Thommaso Mattei, com a colaboração de Carlo Gimac, tendo sido trazida pelo marquês no seu regresso da cidade papal, em 1718; *2 José Correia de Abreu, oficial da Secretaria de Estado e reposteiro-mor de D. João V, havia abandonado Roma em 1728 aquando do corte de relações entre a corte portuguesa e a Santa Sé, acompanhando o então embaixador, André de Melo e Castro (1668 - 1753); *3 : "Primeiramente hum Crucifixo com a sua glória e dous Anjos grandes em acto de adoração, o qual deve hir colocado na capella maior, sobre o Retabolo do Altar; Depois duas vertudes, que vão sobre a porta principal da Igreja da parte de dentro; Hum basso-relevo de meyo porfil em fosco, que se deve colocar no frontispício da Igreja (sendo este separado do que já encomendei a V. R. para sima da porta principal da mesma Igreja) que represente Nossa Senhora com o Menino Jesus, e Santo Antonio adorando-O; ... Logo depois destas se seguirão as quatro grandes que vão na faciata, que são de São Domingos, São Francisco, Santa Clara e Santa Isabel Rainha da Hungria, e como estas ficam expostas ao tempo, parece devem ser feitas em fosco; seguem-se as seis que vão no vestíbulo, que são de São Vicente, no qual se deve pôr Livro como Diacono, e o Corvo aos pés guardando o Santo, ou como melhor parecer, depois de servir a sua lenda, São Sebastião et cetera. Seguir-se-hão as oito que ficam debaixo das Torres; Depois as oito das duas Capellas Colateraes à maior; e por último as vinte e quatro que vão nas seis Capellas do Corpo da Igreja, e destas se deve comessare primeiro das que ficam mais próximas ao Cruzeiro." (PEREIRA, p. 15); *4 Grupo escultórico que hoje se encontra na Igreja de Santo Estêvão, em Lisboa; *5 para tal, tornava-se prioritário assegurar a recuperação da ala norte do andar nobre, a remodelação da ala sul, de acordo com a proposta de reordenamento museológico a apresentar; beneficiação do acesso à biblioteca; integração de uma pinacoteca na ala sul; instalação de serviços de apoio no piso térreo; acesso aos pátios da Basílica; * 6 o protocolo assegura a conversão da Capela dos Sete Altares (hoje auditório), a capela da EPI, a cedência pela EPI ao IPPAR da Capela Real; a cedência ao IPPAR de todo o piso nobre da ala nascente (áreas anexas à Biblioteca), da Sala dos Convalescentes, dos "mezaninos" para instalação de serviços técnicos; a demolição das oficinas da EPI situadas a nascente do monumento; e compensação financeira por parte do IPPAR destinada à construção de espaços funcionais alternativos a instalar na zona das novas casernas da Quinta da Vela.