Igreja paroquial construída, inicialmente, no século 16, e reconstruída no século 19, apresenta hoje uma feição essencialmente tardo-barroca, muito embora ainda integre alguns elementos manuelinos, como sejam, a porta axial de acesso à galilé e, no interior desta, o pórtico que enquadra a porta de acesso à torre sineira, ambos em arco de volta inteira e com decoração vegetalista e zoomórfica e, ainda no exterior, uma mísula de arranque de abóbada. Integra-se no conjunto de edifícios religiosos da denominada região saloia, caracterizados por exterior de tratamento arquitetónico austero, galilé diante da fachada principal e torre sineira adossada á sua esquerda, e por interior organizado segundo um esquema planimétrico básico, de nave única e capela-mor. Todavia, até ao incêndio de 1984, a igreja era de três naves separadas por arcos de volta perfeita assentes em seis tramos de arcos inteiros, com duas capelas colaterais retabulares e capela-mor. Apresenta uma planta poligonal, composta pela justaposição de três retângulos escalonados, que se articulam longitudinalmente, correspondentes à galilé, à nave e à cabeceira. Torre sineira quadrangular adossada, a norte, ao corpo da nave. Fachadas rebocadas e caiadas de branco, delimitadas por cunhais e soco em faixa azul-cobalto. Cobertura exterior telhada a duas águas, fogaréus nos acrotérios, coruchéu piramidal rematado por catavento de ferro e fogaréus nos acrotérios, na torre. Fachada principal com orientação canónica, em empena com frontão triangular interrompido do lado esquerdo, pelo corpo saliente da torre sineira, que se desenvolve em três registos, sendo o último vazado por quatro sineiras em arco pleno. A galilé é fechada, com acesso por arco pleno de cantaria calcária decorado com motivos vegetalistas. Fachadas laterais contrafortadas. Interiormente o templo apresenta hoje uma só nave e capela-mor profunda, protegida por teia balaustrada em madeira e com retábulo de três eixos, com sotobanco revestido a mármore branco, preto e rosa. Na parede fundeira, sob a sineira, existe capela batismal, integralmente revestida de azulejos de padrão policromados, azuis e amarelos, onde se encontra uma pia batismal oitavada, com seis faces relevadas com decoração plateresca e encimada com epígrafe em caracteres góticos alusiva à construção do templo (1527).
Planta poligonal, composta pela justaposição de três retângulos escalonados, de três e dois registos, que se articulam longitudinalmente, correspondentes à nave, transepto e cabeceira pouco profunda. Adossado ao corpo da nave, a norte, encontra-se o corpo quadrangular da torre sineira. Fachadas rebocadas e caiadas de branco, delimitadas por cunhais e soco em faixa azul-cobalto. Cobertura exterior em telhados de duas águas sobre a nave e a abside, com fogaréus nos acrotérios, e em coruchéu piramidal rematado por catavento de ferro na torre. Fachada principal, de um só pano, de orientação canónica, em empena com frontão triangular interrompido do lado esquerdo, pelo corpo saliente da torre sineira, que se articula em ângulo com a restante fachada. Apresenta, no primeiro registo, galilé fechada, com acesso por arco pleno de cantaria calcária decorado com motivos vegetalistas, encimado por vão retilíneo com moldura simples de cantaria e grade de ferro, que interrompe o frontão, o qual é animado por medalhão circular relevado. À esquerda, o corpo da torre, em três registos delimitados por cornija saliente e, lateralmente, por cunhais, apresenta o primeiro registo animado por um óculo, no segundo um relógio de quadrante circular, e o último vazado em redor por quatro sineiras em arco pleno. Fachada lateral esquerda, a norte, com três panos correspondentes aos três corpos principais, sendo o da capela-mor cego, o do transepto contrafortado e o da nave rasgado por duas janelas retilíneas com moldura de cantaria simples e grades de ferro. Fachada posterior, a nascente, cega, terminada em empena triangular. Fachada lateral direita, pano da nave delimitado por grandes contrafortes, tendo o primeiro inscrito um relógio de sol em pedra, apresenta-se rasgado por duas janelas retilíneas com moldura de cantaria simples e grades de ferro e porta travessa, pano do transepto igualmente delimitado por contrafortes. INTERIOR: acede-se ao interior através da galilé, onde, à esquerda se encontra o pórtico da torre sineira em arco de volta inteira em cantaria pintada, cujos pés-direitos, em colunelo, se prolongam na única arquivolta que o constitui. A decoração, de carácter vegetalista e abstrato, concentra-se em dois anéis, ao nível dos pés-direitos, nos capitéis e assinalando o fecho do arco. Ultrapassada a galilé encontra-se o portal com dupla moldura de verga reta em cantaria, de acesso à nave. Igreja de nave única e capela-mor profunda, protegida por teia balaustrada em madeira e com parede testeira revestida a retábulo de cantaria de mármore, de corpo reto e três eixos, sendo os nichos laterais preenchidos por edículas, hoje sem imagética, e o central por camarim vazado com maquineta expositiva em mármore, sotobanco revestido a embrexados de mármore azul e branco e banco com embrexados de mármore branco, preto e rosa, sobre o qual figura sacrário em talha dourada. Frontal de altar com remate em espaldar recortado. Na parede fundeira, sob a sineira, existe capela batismal, integralmente revestida de azulejos de padrão policromados, azuis e amarelos, com pia batismal de secção octogonal em mármore rosa, assente sobre base também poligonal, de menor secção, apresentando seis faces esculpidas em dois níveis, com emblemas e motivos vegetalistas em baixo relevo (de expressão plateresca) na parte inferior, e registo epigráfico em caracteres góticos alusivos a edificação do templo numa faixa superior.
Materiais
Cantaria de calcário
Observações
*1 - DOF: Pórtico da torre sineira, da galilé e pia batismal da matriz de Igreja Nova; *2 segundo a tradição, João Manuel, freguês do lugar do Penedo da Arrifana, Igreja Nova, formulou um voto no qual se dispunha a ir todos os anos em peregrinação ao Sítio da Nazaré, em troca da cura da sua mulher, que se encontrava muito doente; por ter a Virgem atendido ao seu pedido, João Manuel, por quatro anos partiu em peregrinação levando uma bandeira que todos os anos guardava na sua igreja; logo se lhe juntou o povo da freguesia, depois o de Mafra, mais tarde os de Santo Isidoro, Montelavar, São Pedro da Cadeira, Ericeira, Porto da Carvoeira, Alcainça, Terrugem, São João das Lampas, Sobral da Abelheira, Galés, Gradil, Azueira e Enxara do Bispo, criando o Círio da Prata Grande; *3 ficou então estipulado todo o preceito do este círio, que ainda hoje se pratica, e de que Igreja Nova é cabeça; assim, a cada ano uma freguesia recebe a imagem da Senhora da Nazaré, que permanece ao seu cuidado até à romaria do ano seguinte, organizada pela freguesia hospedeira; ao chegar à Nazaré, a imagem volta a partir para a freguesia seguinte, que deixa uma vela (círio) a arder até ao próximo ano, assim, sendo dezassete as freguesias, a imagem demora dezassete anos a regressar ao local inicial.