Sanatório constuído no séc. 19, em estilo neoclássico, de grande escala e impacto na massa urbana, com planta retangular formada por vários corpos, os centrais sucessivamente mais recuados e os dos extremos mais salientes, resultante num certo dinamismo, conferido pelos sucessivos recuos dos corpos intermédios e o avanço dos extremos e do central, sobre o qual se ergue torre. Tem as fachadas sensivelmente simétricas, com regularidade de fenestração e simetria de vãos, sublinhados pelos emolduramentos de cantaria, almofadados ou denteados, o qual se repete nos cunhais e cornija. Revela certa influência inglesa, mas utilizando materiais insulares e as gramáticas decorativas regionais, o que, aliado ao excepcional estado de conservação em que se encontra, ao parque com um acervo arbóreo centenário que rodeia o edifício principal, lhe conferem uma qualidade arquitectónica e paisagística ímpares. Destacam-se ainda os pormenores da sua fundação, ligada às casas imperais e reais do Brasil, da Alemanha e da Suécia, e ao falecimento da princesa do Brasil no Funchal, tudo contribuindo para tornar o conjunto um dos símbolos do Romantismo dos meados do séc. 19.
Planta composta, rectangular irregular com orientação sensivelmente E. / O. formado por 3 corpos centrais e 2 laterais, com ligeiro avanço. Volumes longitudinais articulados pelo corpo central sobrelevado e com torre central; coberturas diferenciadas de 4, 3 e 2 águas de telha de canudo assente em cornija de cantaria com cachorrada. Fachadas marcadas com embasamento de cantaria aparelhada rasgado por frestas, indicativas de cave, 2 pisos em todo o edifício, com mais 2 no corpo central, demarcados por friso de cantaria, que se repetem nos parapeitos das janelas e nas marcações superiores das bandeiras e alhetas nos cunhais. Fachada principal virada a S. de 7 corpos com pequenos avanços sucessivos nos centrais. No piso térreo do corpo central, embasamento de cantaria almofadada a subir até ao nível da bandeira da portas; porta central de arco de volta perfeita com a chave relevada a subir ao piso superior e ladeada por 2 frestas; portadas de madeira aparente almofadadas e bandeira em leque envidraçada; 3 janelas de guilhotinas triplas por corpo com lintéis curvos e chaves relevadas em cantaria e tapa-sóis de madeira fasquiados pintados a vermelho, nos corpos laterais; nos corpos extremos são geminadas e transformadas em portas, protegidas por alpendres quadrangulares assentes em 8 pilastras e terraço superior com balaustrada, tudo em cantaria. Piso superior a relevar igualmente o corpo central, encimado por frontão triangular rematado por cruz e as armas reais da Suécia no tímpano, sob o qual se encontra escrito "Hospício da Princeza Donna Maria Amélia"; é rasgado por ampla janela idêntica à porta inferior, mas mais elaborada; janelas idênticas às do piso inferior, mas geminadas, com frestas laterais e com o lintel das janelas centrais a subir até à cachorrada nos 4 corpos avançados e transformadas em portas de acesso aos terraços nos laterais. Fachadas laterais mais simples, com 3 janelas e também com as centrais com o lintel a subir até à cachorrada. Fachada posterior a repetir praticamente todo o mesmo esquema da anterior, com escadaria de acesso à porta central e às dos corpos salientes laterais. Interiormente o Hospício possui amplo pé-direito com apontamentos de estuque nos tectos e, no piso superior, interessante capela dedicada a Nossa Senhora das Dores.
Materiais
Estrutura em cantaria rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho e outras), azulejo, estuque, amarrações mistas, telha de meio canudo e calhau rolado miúdo.
Observações
Comparando a litografia de 1867, verificamos não existirem os alpendres de cantaria dos corpos laterais. No entanto, deverão ser bastante antigos, dado a sua comunicação às enfermarias e estarem assim ligados à inicial função terapêutica do Hospício. Na colecção do Sr. Agostinho de Vasconcelos, Funchal, existe o projecto de um retábulo neobizantino para a capela do Hospício, encomendado pelo Imperador Fernando Maximiliano, em Viena, mas que não foi executado, pois o actual foi adquirido em Munique, por 100 libras.