Componente urbano. Espaço urbano de confluência. Praça da ribeira setecentista com origem em rossio medieval. Ao longo do Rio Douro, desde cedo se fixaram populações que se dedicariam a actividades com ele relacionadas, estruturando as suas construções segundo um eixo paralelo ao Douro. A existência do Rio da Vila cortou esse eixo dividindo-o em duas secções que viriam a dar origem à R. da Fonte Taurina e à R. da Lada. Por outro lado, o vale do Rio da Vila foi aproveitado para através dele se fazer o acesso da Ribeira, área de funções urbanas relacionadas com as actividades piscatórias e comerciais, para o morro da Sé, zona de funções administrativas e religiosas, o que daria origem à R. dos Mercadores. Este eixo constituía o acesso, não só à parte alta da cidade, mas também a ligação do Douro com as estradas que partiam em direcção a N. e a E. É na confluência destes dois eixos que se vai desenvolver um espaço não edificado que os relaciona entre si e os põe em contacto com o Rio Douro: a Pç da Ribeira. A actual R. Infante D. Henrique, anteriormente R. Nova, R. Formosa e R. dos Ingleses, constitui um 2º eixo, mais recuado, paralelo ao rio Douro, cuja abertura decorre dos propósitos reorganizadores do urbanismo ribeirinho pelo rei D. João I. A partir da 2ª metade do séc. 18, passa a ser interceptada perpendicularmente na zona E. do seu traçado pela R. de S. João. Esta rua foi aberta para facilitar o acesso à Pç. da Ribeira a quem se lhe dirigia desde o Lg. de S. Domingos e a R. de S. Catarina das Flores, um dos mais importantes eixos da cidade desde o séc. 16. A abertura da R. de S. João integra-se numa profundamente reforma da Pç. da Ribeira que lhe conferiu um aspecto muito semelhante ao actual.
ESTRUTURA URBANÍSTICA: a Pç. da Ribeira apresenta planta rectangular aberta a S. para o rio Douro e com um ligeiro pendor naquela direcção. Constitui o espaço de confluência de diversos eixos de sentido E. - O., ao longo do rio, e N. - S., permitindo o acesso da zona ribeirinha à parte alta da cidade. Entre os primeiros, são de referir o Cais da Ribeira que tem continuidade pelo Cais da Estiva, imediatamente sobre o rio; as ruas que se estruturaram à cota alta sobre os troços conservados da antiga muralha fernandina, a R. de Cima do Muro e a do Muro dos Bacalhoeiros; paralelas à antiga muralha, já no espaço intramuros, a R. dos Canastreiros, em grande parte do seu trajecto transformada em galeria, tendo continuidade para o lado O. da Pç. pela R. da Fonte Taurina. Com início no topo N. da Pç. da Ribeira, existe a R. dos Mercadores, de traçado estreito, rodeando o Morro da Sé, e a R. de S. João, de traçado mais amplo, aberta no séc. 18, para facilitar o acesso para NO. Transversal à R. de S. João, a R. do Infante D. Henrique é um eixo também paralelo ao rio mas mais recuado, de traçado largo. ESPAÇO CONSTRUÍDO: a Pç. da Ribeira tem o lado oposto ao rio rematado por uma fonte monumental entre o início das ruas de S. João e a dos Mercadores. A estrutura arquitectónica envolvente ocupa o espaço correspondente a um edifício de três andares, ostentando o escudo das armas de Portugal, sob as quais está um nicho destinado a receber uma imagem. Inserindo-se no mesmo projecto de reforma da Pç., as fachadas a O. apresentavam uma distribuição original em três registos. Posteriormente e por diversas vezes, estas fachadas foram ampliadas chegando a atingir actualmente sete pavimentos. Ao nível do r/c, existem arcadas formando galeria, hoje completamente fechada e constituindo espaço interior. O andar principal, é formado por altas aberturas com varandas, seguindo-se-lhe o 3º andar com janelas de peitoril de reduzidas dimensões. As fachadas a E., constituem um interessante conjunto de casas do tipo estreito e alto do Porto, recentemente restauradas. Apresentam portas largas ao nível do r/c e fachada de tabique com andares em ressalto, algumas, enquanto outras tem a fachada lisa de pedra. No centro da Pç. existe um fontanário reconstruído durante os recentes trabalhos de restauro o qual integra uma escultura de José Rodrigues. Na R. do Infante D. Henrique, tem destaque a casa da Feitoria Inglesa. A fachada principal de feição classizante organiza-se em 4 registos sendo o r/c formado por arcadas. O 3º andar possui altas aberturas, com varandas e frontões, enquanto o 2º e o 4º, concebidos sob a forma de mezzanini, possuem janelas de menores dimensões, de peitorial. A frontaria remata com uma platibanda, decorada por balaústres e festões. No interior é de salientar a escadaria com clarabóia, a sala de baile e, no último andar, a cozinha que conserva todo o equipamento original e a baixela primitiva. No extremo O. da mesma rua, localizam-se a Casa do Despacho da Venerável Ordem Terceira de São Francisco (v. PT011312130040) e a Igreja de São Francisco (v. PT011312130005).
Materiais
Não aplicável
Observações
* DOF: Conjunto urbano constituído pela Praça da Ribeira e suas naturais extensões, ou sejam, a Rua de São João e respectiva transversal, a Rua do Infante D. Henrique.