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Bairro de Casas Económicas de Ramalde

Bairro de Casas Económicas de Ramalde

O ponto de interesse Bairro de Casas Económicas de Ramalde encontra-se localizado na freguesia de Ramalde no municipio de Porto e no distrito de Porto.

Setor urbano. Área com unidade morfológica contemporânea de traçado ortogonal. Habitação económica de promoção pública estatal (DGEMN). Bairro de casas económicas de grande dimensão composto por casas geminadas térreas das classes A (tipo 1, 2 e 3) e B (tipo 2 e 3), com logradouro à frente e no tardoz, correspondentes à 1.ª fase de construção. Inclui edifícios de equipamento colectivo: escola primária do sexo feminino e masculino. O bairro de Ramalde apresenta grandes afinidades formais, tanto na escala como na tipologia, e com duas fases de construção, com o Bairro de Casas Económicas do Amial (v. IPA.00005439). Foi o único, na cidade do Porto, a ser contemplado com duas escolas, com quatro salas de aula cada (atualmente unidas), destinadas respetivamente aos dois sexos.

Bairro de moradias económicas, definido estruturalmente por um retângulo, rasgado por duas ruas principais, transversais, a rua dos Choupos e a Rua do Furriel Guilherme de Antas, subdividido em pequenos retângulos delimitados por ruas secundárias, transversais e longitudinais, de traçado retilíneo, com nomes de árvores, a Rua das Acácias, das Figueiras, das Pereiras, das Nogueiras, das Macieiras, das Tílias, dos Azinheiros, dos Abetos e das Videiras; e duas praças arborizadas, a Praça dos Álamos, e uma Praça central, esta de maiores dimensões, localizada próximo da escola. O bairro é constituído por 148 moradias, construídas em duas fases, que evidenciam duas categorias económicas, e definem uma hierarquização social espacial. A primeira fase, localizada no interior do retângulo, é caracterizada por casas térreas, de construção simples, da classe A, tipo I, II, e III, geminadas duas a duas, com logradouro junto do alçado posterior, jardim junto do alçado principal, e alpendre de estrutura simples, de betão ou tijolo aparente, apresentado nalguns casos telheiro. As moradias da segunda fase, das classes B, C, e D, apresentam-se voltadas, na sua maioria, para a Avenida do Dr. Antunes Guimarães, também geminadas duas a duas, de maiores dimensões, com dois pisos, melhores materiais e acabamentos, delimitadas por muros. Nos alçados principais, apresentam alpendre com arcos de volta perfeita de ambos os lados, sobrepujado por varanda na classe B; varanda e entrada lateral recuada, protegida por telheiro na classe C; varanda em ângulo, servida por duas portas protegidas por cornija saliente ao nível do segundo piso, e portas em arco de volta perfeita ao nível do rés-do-chão, na classe D. No interior, todas a variantes dispõem de cozinha, e casa de banho, variando esta em número, dimensão e equipamentos de acordo com as várias classes e tipologias. Na classe A, nalguns casos não dispõe de sala e noutros é comum, as classes B, C, e D, dispõe de sala de estar e sala de jantar, tendo a classe D, ainda um pequeno gabinete de estudo. O número de quartos varia de classe para classe e dentro da classe, de tipologia para tipologia, podendo ir de um a quatro nas classes A e B, e de dois a cinco nas classes C e D. Nestas últimas, pode ainda existir vestíbulo, "quanto de criada" e respetiva casa de banho.

Materiais

Elementos estruturais de pedra; alvenaria mista, rebocada e pintada de cores variadas; molduras de portas e janelas de cimento armado; caixilharias de janelas e portas de madeira com vidro; paredes interiores e tetos estucados; pavimentos de madeira e revestimento cerâmico; estrutura da cobertura de madeira revestida a telha cerâmica.

Observações

*1 - Trabalharam na elaboração dos projetos - tipo de casas económicas, arquitetos como: Raul Lino, Eugénio Correia, Rebelo de Andrade, Couto Martins, Alberto Cruz, Rogério de Azevedo, entre outros. *2 - O estado passou a ter uma intervenção direta na construção de habitação económica, em colaboração com as câmaras municipais, os corpos administrativos e os organismos corporativos. A intervenção do estado consistiu fundamentalmente na conceção de facilidades na aquisição de terrenos, isenção de impostos e empréstimos com taxas de juro mais baixas, amortizáveis a longo prazo. No porto construíram-se 12 bairros económicos entre 1934 e 1950, num total de 1662 alojamentos. A distribuição espacial destes bairros permitia distinguir uma hierarquização social no espaço urbano, quer pela categoria das casas económicas, como pela localização geográfica. Nos bairros do Ilhéu (v. PT011312030442), Condominhas (v. PT011312060446), Amial (v. PT011312100106), Azenha (v. PT011312100464), Paranhos (v. PT011312100438) e Ramalde as rendas oscilavam entre os 85$00 e os 318$00, nos bairros de São Roque da Lameira (PT011312030396) e Costa Cabral (v. PT011312030444) entre 102$00 e 289$00, ao passo que o bairro Marechal Gomes da Costa (v. PT011312060298), localizado numa zona da cidade, socialmente privilegiada, a renda oscilava entre os 390$00 e 811$00. Durante a década de cinquenta, para além das ampliações efetuadas nos bairros já existentes, foi ainda construído o bairro da Vilarinha (v. PT011312110349) e o Bairro de António Aroso (PT011312010155), também em zonas consideradas privilegiadas socialmente.