Arquitectura industrial modernista. Marcação volumétrica de cada área funcional; marcação ritmada de cheios e vazios; grandes áreas envidraçadas; a esquina como ponto de concepção especial não só em planta como em volume; articulação de formas rectas e arredondadas; utilização de frisos e molduras nos remates e aberturas. Não constituindo protótipo, existiam algumas semelhanças com o Edifício do Frigorífico do peixe (Lota de Massarelos) de Januário Godinho, arquitecto no Porto. A fábrica "Algarve Exportador" constitui-a um património da arqueologia industrial visto possuir a organização funcional característica da tipologia de uma unidade conserveira: as repetidas três naves, pequena área de escritórios, pátio de chegada do pessoal com os cais de carga e descarga para as diversas áreas da fábrica e ainda os anexos do pessoal.
As duas fábricas formavam um conjunto arquitectónico modernista pela linguagem racionalista que apresentavam nas diversas fachadas. Todas as superfícies exteriores do conjunto rematavam num friso saliente ao longo das platibandas. Os planos de fachada marcados por cheios e vazios repetiam-se em torno de grandes superfícies envidraçadas, com molduras de contorno. No conjunto fabril, destacava-se a resolução formal das duas esquinas, a da "Algarve Exportador", através de um volume mais baixo concêntrico com a Praça Passos Manuel, e a da "Raínha do Sado", no ângulo agudo entre a Rua de Heróis de França e a Rua de Roberto Ivens, por um volume mais alto de forma cilíndrica. O símbolo e o nome de cada uma das Fábricas aplicado sobre a superfície das fachadas, executados em reboco fazem parte da composição dos alçados. Tanto uma fábrica como outra possuíam um pátio voltado para a Rua de Heróis de França. A "Rainha do Sado" continha ainda um outro destinado a Jardim. A organização interior do conjunto traduzia-se fundamentalmente na articulação de naves paralelas à Avenida da República.
Materiais
As Paredes exteriores eram em alvenaria de tijolo rebocadas (na "Algarve Exportador" o reboco era esquartelado); as paredes interiores eram em alvenaria de tijolo rebocadas e em algumas partes revestidas a azulejos; a estrutura de suporte da cobertura era em asnas de madeira e a estrutura de suporte da cobertura em asnas metálicas; as caixilharias eram de madeira e ferro; chaminés em tijolo burro; e soleiras em granito.
Observações
O conjunto fabril ocupava um quarteirão situado na antiga Zona Industrial de Matosinhos agora praticamente desactivada. Quando o projecto da "Raínha do Sado" foi apresentado, existia um lote não ocupado que veio a ser preenchido posteriormente pela Fábrica "Algarve Exportador" já existente (não foi possivel datar esse acrescento).