Aglomerado proto-urbano. Povoado proto-histórico com ocupação romana e medieval. Povoado fortificado / castro circundado por três linhas de muralhas, tendo na plataforma superior um templo, e no sopé do outeiro um forno cerâmico. Integra ainda uma necrópole. O castro é apontado como o local onde foi instalada a primeira grande povoação do território que corresponde a Matosinhos. Segundo o arqueólogo José Varela, os vestígios "em zona periférica do castro", indicam que a povoação se estendia até à margem do rio Leça, "onde se crê ter existido um entreposto de comércio marítimo que terá assumido uma grande importância durante o período de romanização da Península Ibérica".
Povoado fortificado defendido por três linhas de muralhas que o circundam. A plataforma superior do povoado, actualmente ocupada por um campo de tiro, foi ocupada por construções e arruamentos, estando estes, aparentemente, a estruturar a organização das mesmas. Um dos edifícios detectado, de planta rectangular, com piso em barro e possuindo um lareira com lastro em tijolos assentes horizontalmente, conservava in situ, numa parede, um silhar com insculturas apresentando um tetrásceles constituído por serpentes geminadas como tema decorativo principal, no que o arqueólogo Neves dos Santos interpretou como sendo um santuário ligado ao culto funerário. O mesmo arqueólogo detectou um outro edifício que conservava a base de coluna e o respectivo fuste, aventando a hipótese de se tratar de um templo romano. Na encosta O., na zona recentemente intervencionada, foi detectado um núcleo habitacional familiar de construções de planta circular e rectangular, com pátio lajeado, verificando-se sobreposições de muros reveladores de ocupações sucessivas do local. Na base O. do povoado, durante as escavações da década de 1960, também foram detectadas construções de planta rectangular, aparentemente organizadas em bairros, algumas com pátios lajeados, e estando todo o conjunto estruturado por arruamentos lajeados. Perto deste local, ainda durante as mesmas escavações, apareceu um possível forno cerâmico construído em tijolo, do qual já não se conserva qualquer vestígio. Também na base do outeiro, a E., foi detectada uma necrópole, entretanto destruída. Neste local terá existido um castelo medieval, e embora tenha aqui sido registado espólio cerâmico coevo não se tenha detectou qualquer estrutura com ele relacionado.
Materiais
Muralhas e construções em granito; cobertura de construções com tegula e imbrex; pavimentos das construções em terra batida e barro; arruamentos pavimentados com lajes graníticas; estrutura do forno em tijolo.
Observações
A plataforma superior do povoado foi completamente destruída pela construção do campo de tiro e instalações do Clube de Caçadores de Matosinhos, enquanto a encosta E. está completamente ocupada por uma urbanização. O seu espólio é constituído por machados polidos, fragmentos de cerâmica comum da Idade do Ferro, cerâmica comum romana, alguma da qual pintada, cerâmica de importação romana, ânfora, lucernas, recipientes em vidro, tegula, imbrex, mós manuárias, pesos de tear e pesos de rede de pesca, fíbulas, objectos de adorno, escória de ferro, artefactos metálicos (ferramentas artesanais, alfaias agrícolas), numismas, cerâmica de importação tardo-romana, cerâmica comum medieval, cerâmica medieval vidrada. O espólio está depositado no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, no Museu do Instituto de Antopologia da Faculdade de Ciências do Porto, no Museu Municipal da Figueira da Foz, e no Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Matosinhos.