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Palácio Nacional de Queluz

Palácio Nacional de Queluz

O ponto de interesse Palácio Nacional de Queluz encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Queluz e Belas no municipio de Sintra e no distrito de Lisboa.

Arquitectura residencial, rococó e neoclássica. Palácio real de planta irregular e composta por vários corpos construídos ao longo de dois séculos, articulados entre si, concebidos por arquitectos distintos e com formações variadas, resultando num conjunto pouco harmónico. Exceptuando o último pavilhão a ser construído, o de D. Maria I, com uma fachada exterior mais imponente, o palácio é virado para o interior, sofrendo as fachadas que abrem para os jardins um tratamento mais cuidado do ponto de vista decorativo, numa clara viragem para o estilo rococó, mais intimista. O corpo mais antigo apresenta uma vertente mais cénica, criando uma simetria à ala pré-existente, formando dois amplos braços de um piso, que convidam a aceder ao interior do corpo principal, de dois pisos, desenvolvido em torno de um pátio interno rectangular, com arcadas no piso inferior e estrutura arquitravada no superior. Esta estrutura, ainda de cunho barroquizante, revelando a formação da escola de Mafra do seu primeiro arquitecto, é pontuada por elementos inovadores, como o recurso às colunatas e aos motivos serlianos no pátio interno, revelando linhas clássicas. Também a Fachada de Cerimónias que abre para o jardim mostra uma estrutura barroquizante e simétrica aliada a elementos decorativos rococó, como as cornijas de inspiração borromínica, os concheados e os elementos vegetalistas delicados; este esquema é visível na estrutura central, de perfil côncavo, com as colunas dispostas em ângulo. Este corpo denota o período de viragem que se vivia no gosto artístico português. As alas e os pavilhões da responsabilidade do arquitecto francês Jean-Baptiste Robillion e de toda uma equipa que o acompanhou, mostra uma clara tendência rococó, com o recurso aos arcos abatidos, às modinaturas recortadas, e, especialmente, à utilização de vários fragmentos de frontão relacionados entre si, que marcam o remate do corpo central virado para o Jardim de Malta. A formação cenográfica do arquitecto encontra-se bem patente no Pavilhão Robillion, com colunata no piso inferior, que sustenta varanda corrida no superior, impedindo a visualização directa das janelas com molduras ornadas por profusa vegetação; nos interiores concebidos pelo arquitecto, aparecem amplas salas intercomunicantes na zona destinada ao aparelho de Estado, contrastando com os pequenos gabinetes dos aposentos privados. Em todos domina uma decoração de espelhados, que reflecte e amplia a luz que entra pelas portas - janelas que percorrem todas as alas. Também a gramática decorativa denota este gosto, com o recurso à talha dourada ou à pasta dourada ("papier maché"), contrastando com fundos claros, de tonalidade pastel, onde dominam concheados, "espagnolettes", atlantes, acantos, animais híbridos e exóticos, dando origem a uma gramática que se conota com a "Escola de Queluz", onde vários entalhadores receberam formação. A Capela, de estrutura barroca, com nave e capela-mor de ângulos curvos, revelando a tendência e o gosto pela centralização do espaço, mostra uma decoração rococó, sendo todo o espaço dividido em apainelados pintados a marmoreados fingidos, a imitar pedras semi-preciosas, como o lápis lazúli, com a tribuna assente em estípides, o púlpito no lado da Epístola, e a capela-mor com cobertura em cúpula rasgada por dois óculos, cuja luz se reflecte em dois espelhos, criando um efeito de camarim a iluminar a estrutura retabular principal, muito simples, apenas composta por painel pintado envolvido por talha; esta simplicidade também é revelada nos retábulos colaterais, dispostos em ângulo. O Pavilhão D. Maria I apresenta-se em dois pisos, perfeitamente simétricos, mas onde dominam as modinaturas típicas do final do séc. 18; o seu interior, como algumas salas com decoração renovada nas alas primitivas, apresentam painéis pintados de tendência neoclássica, onde estão presentes os elementos sinuosos, as flores estilizadas, pavilhões, figuras híbridas e mitológicas, influenciadas pelas gravuras que mostravam as ruínas de Pompeia e Herculano, recentemente escavadas, e que se propagaram por toda a Europa. Residência sazonal, articulando-se de forma privilegiada com extensos jardins e mata, ocupada a partir do séc. 17 por membros da Família Real, por se encontrar ligada à Casa do Infantado, recebendo um incremento construtivo com o Infante D. Pedro, que a transformou em habitação permanente, devido ao incêndio sofrido pelo seu Palácio, em Lisboa; ganharia apogeu com o casamento deste Infante com a princesa herdeira do trono, a futura D. Maria I, tendo que aliar salas de aparato, como a do Trono ou a dos Embaixadores, de apoio à actividade da Rainha, com pequenos gabinetes particulares, tipicamente rococós, onde habitavam os vários membros da Família, destacando-se, como melhor exemplo, os aposentos da Princesa Maria Francisca Benedita, redecorados com a presença do casal régio D. João VI e D. Carlota Joaquina, segundo um esquema neoclássico. O conjunto é composto por vários corpos construídos em épocas distintas, por arquitectos diferentes, com sucessivas remodelações, consoante o mentor que o ocupava, destacando-se, como uma das maiores perdas, o desaparecimento da Casa da Ópera para dar lugar ao Pavilhão de D. Maria I. De todo o conjunto, destaca-se, pelo carácter cenográfico e de inspiração romana, o Pavilhão Robillion, onde se inserem várias salas, nomeadamente o Quarto de D. Quixote, assim denominado por apresentar decoração alusiva à obra de Cervantes, onde se passaram episódios felizes e trágicos da Família Real, com o nascimento de vários príncipes no local e morte de figuras régias, como D. Pedro IV. Este pavilhão apresenta colunata e varandas balaustradas, encimadas por urnas e decoração alegórica, destacando-se, numa das fachadas, a porta - janela encimada por um relevo representando Baco; situa-se numa ala distante do exterior, dando para a Quinta e o respectivo canal, com vista privilegiada sobre a mesma, implantado em zona de forte declive, vencido por uma imponente escadaria angular, decorada por leões, que dá nome ao conjunto. As fachadas que abrem para os jardins são imponentes, compostas por corpos centrais de dois pisos, normalmente tripartidos por pilastras colossais, que definem o eixo de simetria das alas, que se prolongam lateralmente em apenas um piso. As janelas e portas possuem modinaturas recortadas, encimadas por frisos ou espaldares, decorados por elementos fitomórficos e sobrepujados por cornijas de vários tipos - angulares, curvas ou contracurvas, de inspiração borromínica. No interior, a sala mais imponente é a do Trono, recriando um típico ambiente rococó, onde a luz das janelas se reflecte nas portas espelhadas e nos elementos arquitectónicos, como pilastras e estípides, com fustes espelhados, profusamente decorada com elementos barroquizantes, aliados à concha recortada, remetendo para uma linguagem típica do primeiro ensaio rococó. O recurso aos espelhos é constante, quer nas portas das várias dependências, quer nas pilastras da Saleta da Princesa Maria Francisca Benedita, do Quarto de D. Quixote e sobretudo da imponente Sala dos Embaixadores, com pavimento em cantaria de mármore e cobertura com cenas alegóricas e, ao centro, a representação da Família Real a assistir a um serenim. A Sala do toucador destaca-se pela sua luminosidade, através do recurso a apainelados espelhados e à pintura de cenas de coqueteria, em tons vivos. A única sala que apresenta azulejos, exceptuando o caso de algumas dependências do Pavilhão D. Maria I, com silhares neoclássicos, é o Corredor das Mangas, com duas decorações cronologicamente distintas, surgindo, na base, silhares em monocromia azul sobre fundo branco, representando cenas de caça, encimados por painéis que revestem a totalidade dos nembos, com cenas mitológicas, "singeries" e "chinoiserie". No interior, destacam-se a qualidade dos pavimentos, com parquet de madeira exótica, formando desenhos geométricos simples ou em composições concêntricas, muitas vezes repetindo a composição pictórica dos tectos. O Quarto de D. Quixote tem a singularidade de ser rectilíneo, mas apresentar cobertura curva, assente em colunas, dando a ilusão de uma estrutura centralizada. A Capela é o elemento menos inovador do conjunto, mostrando uma profusão de cores e dourados que o barroco joanino já utilizara, sendo digna de nota a cobertura exterior da capela-mor, em cúpula bolbosa, rasgada por olhos de boi. Na ala mais antiga, mantém-se um interessante pátio de pequenas dimensões, intimista, para onde abrem janelas em arco abatido e portas flanqueadas por pilastras que sustentam frontões triangulares, denominado Pátio da Lontra.

Planta composta por vários corpos rectangulares adossados, construídos em períodos distintos, o mais antigo formando uma ala côncava exterior, adossando-se-lhe um corpo perpendicular, com eixo N. / S., correspondente à terceira e à última fase de obras no palácio, de corpos articulados, com volumetria horizontal e coberturas diferenciadas em telhados de duas e quatro águas, sendo em cúpula bolbosa sobre a capela, situada no ângulo NE.. A fachada principal, virada a E., é a visível pelo público, confinando com a via pública, dando as posteriores de cada um dos corpos, as mais elaboradas, para a ampla zona dos jardins e quinta (v. PT031111080158). Fachadas rebocadas e pintadas de rosa ou amarelo, evoluindo em um ou dois pisos, percorridas por embasamento de cantaria. Fachada principal virada a NE., onde são visíveis três dos quatro corpos que compõem o conjunto. O CORPO do lado direito, mais antigo, forma um amplo largo côncavo, de disposição mais ou menos simétrica, tendo, no fundo do largo, um corpo de dois pisos, flanqueado por dois braços de apenas um piso, tendo, no lado direito, a Cozinha Velha. Toda esta ala apresenta fachadas rebocadas e pintadas de rosa, com cunhais apilastrados, rematadas em friso, cornija e platibanda de balaústres, com gárgulas ornadas por volutas. O corpo de dois pisos, divididos por friso de cantaria, apresenta três panos, os laterais cegos e o central saliente; o piso inferior é marcado por cinco arcos de volta perfeita, o central em cantaria de calcário, em aparelho isódomo, com fecho saliente e assentes em pilares toscanos, formando um pequeno átrio, para onde abrem duas janelas e três portas, todas em arco abatido, com molduras de cantaria e sobreportas do mesmo material, formando almofadado. O piso superior divide-se em três panos, através de duas pilastras toscanas, tendo, ao centro, janelão rectilíneo, flanqueado por estípides e rematado por frontão triangular, com o lado inferior alteado, dando lugar ao escudo real; os panos laterais possuem duas janelas em arcos abatidos e molduras recortadas, encimadas por pequeno espaldar rematado por cornija angular. Adossadas aos panos laterais do corpo anterior, surgem duas alas perpendiculares semelhantes, formadas por um piso de seis arcos de volta perfeita, com fecho saliente e assentes em pilares toscanos, criando um átrio, para onde abrem, no lado esquerdo, uma porta e cinco janelas e, no lado direito, duas portas e quatro janelas, todas em arco abatido, com molduras de cantaria, rematadas por espaldares curvos e almofadados, sobrepujados por cornijas curvas. As faces viradas a E. possuem duas janelas em arco de volta perfeita, com molduras recortadas, que se prolongam inferiormente, formando brincos, rematadas por cornija angular. Recuado relativamente ao anterior, surgem dois corpos confrontantes, que prolongam a ala, cada um deles rasgado por uma porta e quatro janelas em arco abatido, com espaldares e cornijas curvas, sendo as portas de perfil contracurvado, com jambas de arestas boleadas, flanqueados por pilastras, a que se adossam mísulas, que sustentam frontão triangular sem retorno, o do lado esquerdo de acesso ao Restaurante Cozinha Velha. Sucedem-se as alas curvas, com portas e janelas semelhantes às anteriores, a do topo do lado esquerdo, de acesso à capela, sendo as pilastras que o flanqueiam encimadas por fogaréus. A fachada lateral esquerda, virada a SO., divide-se em dois corpos, um deles saliente, abrindo para o Jardim de Malta, com um corpo que o articula com o mais recuado, a Fachada de Cerimónias. Esta é rebocada e pintada de amarelo, de disposição simétrica, a partir de um eixo central de dois pisos, divididos por friso de cantaria, e três panos definidos por pilastras toscanas, com os capitéis ornados por festões, rematada em frontão triangular, com o tímpano decorado por medalhão central com a cruz de Cristo, envolvido por elementos vegetais, e platibanda balaustrada, surgindo, sobre os acrotérios, esculturas de vulto. O piso inferior é rasgado por cinco portas - janelas em arco abatido, com molduras recortadas e orelhas volutadas, rematado por cornija e folhagem; no piso superior, ao centro, três janelas que abrem para sacada corrida de cantaria, convexa e sustentada por quatro colunas jónicas, com guarda de ferro vazada; o vão central apresenta pilastras dispostas em ângulo, que sustentam cornija contracurvada, de inspiração borromínica, sendo as laterais semelhantes às do piso inferior, variando o motivo decorativo do remate; nos panos laterais, mais quatro janelas de sacada com modinaturas semelhantes. As alas laterais são de um piso, rematadas por platibanda balaustrada, cada uma delas com cinco janelas em arco abatido com molduras recortadas e remate em cornija e elemento fitomórfico. O corpo do lado direito é rebocado e pintado de rosa, com remate em platibanda balaustrada, com disposição simétrica, a partir de um portal central, de perfil côncavo, e arco de volta perfeita, com fecho saliente, flanqueado por duas pilastras e duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, que sustentam fragmentos de fronão, a centrar emblema e elementos florais. De cada lado, evoluem cinco portas - janelas em arco abatido e moldura recortada com orelhas volutadas, encimadas por friso, cornija e elemento assimétrico com concheados e acantos; entre cada uma delas, surge uma estípide, encimada por bustos. Os dois corpos são unidos por um pano rebocado e pintado de amarelo, rematado em platibanda balaustrada, onde se rasgam sete portas - janelas, com moldinaturas semelhantes às anteriores. Fachada lateral direita, virada a NE., rebocada e pintada de amarelo, com dois panos, o do lado esquerdo evoluindo em três pisos, vencendo o desnível do terreno, cada um deles rasgado por nove janelas de peitoril, em arco abatido e moldura recortada, rematada em cornija. O pano do lado direito, recuado, abre para um terraço pavimentado a terra batida e com guarda em platibanda balaustrada, de um piso, para onde abrem sete portas - janelas; no ângulo formado por ambos, surge um pano de dois pisos, divididos por friso de cantaria, subdividido em três panos por pilastras toscanas colossais, com um corpo formado por portal de verga recta e moldura de cantaria, que se prolonga superiormente, emoldurando um grande janelão, rematado por cornija e volutas. Os panos laterais possuem, em cada piso, quatro janelas de peitoril, com molduras recortadas e rematadas por cornija, possuindo caixilharia em guilhotina. Este corpo desenvolve-se em torno de dois pátios, um no corpo central, de dois pisos, e outro no corpo do lado direito, denominado "Pátio da Lontra". O CORPO central, por onde se processa o actual acesso ao edifício, é composto por uma ampla ala de um piso, rebocada e pintada de rosa, com a fachada principal virada a NE., formada por cinco panos, alguns ligeiramente salientes, definidos por pilastras, encimadas por fogaréus ou urnas, rematados em cornija e falsa patibanda, rasgada por óculos lobulados e almofadados de cantaria. Nesta fachada, rasgam-se quatorze janelas de peitoril, uma delas umas antiga porta, parcialmente entaipada, com moldura recortada, formando falso frontão almofadado, rematado em cornija contracurvada, de inspiração borromínica e prolongando-se inferiormente, formando falsos brincos. Tem, ainda, três portas com o mesmo tipo de modinatura e o portal de acesso à capela, em arco de volta perfeita, com moldura recortada, mais larga na zona inferior, flanqueado por pilastras, a que se adossam consolas, que sustentam cornija contracurva. Descentrado e côncavo, o acesso ao imóvel, com pano central em arco de volta perfeita, flanqueado por dupla pilastra, que sustenta cornija recta, abaixo da qual se formam almofadados e um óculo circular com elemento fitomórfico; sobre a cornija, evolui um espaldar contracurvado, vazado por óculo circular e encimado por vaso florido. Os eixos laterais formam dois arcos de volta perfeita, rematados em meios-frontões e platibanda plena, ornada por elementos ovalados em relevo. Os arcos estão protegidos por portões de ferro forjado e o conjunto dá a ilusão de um arco triunfal, rematado por frontão triangular. Interiormente forma um átrio, pavimentado a calçada à portuguesa e cobertura em tecto de madeira, para onde abrem cinco vãos, um deles frontal, com perfis em arco de volta perfeita ou abatido, flanqueados por pilastras toscanas, a que se adossam consolas, que sustentam frontão semicircular no frontal e cornijas angulares nos laterais; no espaço, surgem bancos e vasos de cantaria. Fachada lateral esquerda parcialmente adossada, sendo visíveis quatro portas - janelas em arco abatido, com molduras recortadas e orelhas volutadas, rematando em friso, cornija e elementos vegetlistas; a fachada oposta encontra-se adossada. A fachada posterior abre para o Jardim de Malta, rematada em falsa platibanda balaustrada, de desenvolvimento simétrico a partir de um eixo central de dois pisos, divividos em três panos, por pilastras de fuste liso e capitéis coríntios, sobre duas ordens de plintos, os inferiores paralelepipédicos e almofadados e os superiores cúbicos, o central composto por alto portal côncavo, em arco de volta perfeita, encimado por almofadado e escudo decorado por elementos vegetais e concheados, flanqueado por duas colunas da ordem colossal, com fustes lisos e capitéis coríntios, sobre bases semelhantes às anteriores; estas sustentam fragmentos de frontão; o pano é rematado por frontão contracurvado, de perfil borromínico, no centro do qual se rasga uma janela em arco de volta perfeita, flanqueada por pilastras e rematada por cornija e elementos fitomórficos. O portal é flanqueado por portas - janelas em arcos abatidos, com molduras salientes, encimados por espaldares curvos, vazados por falsos óculos ovalados, rematando em cornija, encimado por janela de peitoril em arco de volta perfeita e moldura de cantaria boleada e fecho saliente. Os panos laterais são rasgados por portas - janelas em arco abatido, com molduras recortadas e orelhas volutadas, rematando em friso, cornija e elementos vegetalistas, encimadas por janelas de peitoril semelhantes às anteriores. Cada uma das alas laterais possui cinco portas - janelas semelhantes às anteriores. O CORPO do extremo esquerdo ou Pavilhão D. Maria I, evolui em dois pisos, divididos por friso de cantaria, com fachadas rebocadas e pintadas de rosa, percorridas por embasamento de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em friso, cornija e beirada simples. A fachada principal divide-se em três panos por duas ordens de pilastras toscanas, o central rematado por frontão triangular; é rasgado por portal em arco de volta perfeita, encimado por elemento almofadado e flanqueado por pilastras toscanas, flanqueado por duas janelas em arco abatido, com moldura recortada, rematadas por friso e cornija contracurvada de inspiração borromínca; às pilastras do portal adossam-se consolas que suportam uma sacada corrida, protegida por guarda de ferro, para onde abrem três janelas, a central mais alta e em arco de volta perfeita, flanqueada por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, rematada por frontão semicircular que invade o frontão do pano, ornado pelo escudo português; as janelas laterais são em arco abatido, moldura recortada e com orelhas volutadas, com friso alteado e rematado por cornija angular. Os panos laterais são semelhantes, tendo, no piso inferior, uma porta e duas janelas com modinaturas semelhantes às do corpo central, e, no superior, três janelas de sacada com modinaturas semelhantes às do segundo piso do pano central. Fachada lateral esquerda com três panos, o central saliente, rasgado, no primeiro piso, por cinco janelas de peitoril, com molduras recortadas e rematadas por cornija, surgindo outras tantas no segundo piso, as três centrais a abrir para uma sacada comum, com guarda em balaustrada de cantaria. Fachada lateral direita com três janelas em cada piso, semelhantes. Fachada posterior com uma porta e nove janelas no primeiro piso, com molduras recortadas e remate em cornija contracurvadas, que, no caso das janelas, se prolongam inferiormente, formando falsos brincos, surgindo, na superior, outras tantas janelas de sacada, com bacia em cantaria, guarda em ferro forjado e vão em arco abatido, encimado por cornija angular. No lado direito, abrem-se seis respiradores rectilíneos, aproveitando o declive do terreno. Este corpo liga-se ao central por um de pequenas dimensões, com fenestração semelhante à anteriormente descrita. O PAVILHÃO ROBILLION situa-se na extremidade do primeiro corpo descrito, virado para a quinta e para o Jardim Pênsil, adaptando-se ao forte desnível do terreno, com um e dois pisos; as fachadas são rebocadas e pintadas de rosa, flanqueadas por fortes cunhais de cantaria, em silharia fendida, encimados por panóplias, rematadas por balaustrada, interrompida por acrotérios encimados por urnas e açafates de flores, três delas percorridas, no piso inferior, por colunata, por vezes saliente, de colunas toscanas, algumas agrupadas e assentes em plintos comuns, que sustentam friso dórico e varanda, protegida por balaustrada, com os acrotérios encimados por estatuária, com alegorias às "Quatro Estações", "putti" ou esfinges. A fachada principal tem dois panos de dois pisos, separados por gigante em silharia fendida, o do lado esquerdo de menores dimensões e tendo, no piso inferior, três portas - janelas em arco abatido, a central de maiores dimensões, com molduras recortadas; no segundo piso, três portas - janelas semelhantes, mas rematadas por farto friso vegetalista. O pano do lado direito tem sete portas - janelas no primeiro piso, a central de volta perfeita e as demais em arco abatido, com molduras rcortadas, encimadas por outros tantas, com molduras envolvidas por motivos fitomórficos. A fachada lateral esquerda apresenta o mesmo tipo de modinaturas das anteriores, existindo, em cada piso, quatro portas - janelas, as inferiores de volta perfeita e as superiores em arco abatido. No ângulo desta fachada com a principal, enorme escadaria (Escadaria dos Leões) que liga ao terreno da quinta, tendo, no primeiro lanço a base mais larga e o topo estreito, levando a um patim, que diverge em dois lanços que ligam a cada uma das fachadas. A fachada lateral direita é em cantaria de calcário aparente, de dois pisos, o inferior com três portas rectilíneas, com molduras simples em cantaria; o superior é marcado por seis pilastras coríntias, tendo, ao centro, porta - janela em arco de volta perfeita, flanqueado por duas colunas coríntias, que sustentam friso florido e frontão semicircular, em cujo tímpano aparece um relevo, representando uma cena de Baco, e, sobre o qual, surgem duas figuras femininas; o conjunto é flanqueado por duas janelas em arco abatido, com molduras simples e com fecho marcado por um pavão, enquadrado por elemento almofadado. INTERIOR composto por várias salas intercomunicantes e articuladas, ornadas por pinturas, talha dourada, estuques e azulejo, destacando-se os compartimentos do Pavilhão Robillion e alguns do corpo principal, surgindo a Sala do Conselho ou do Despacho, a Sala de Espera ou das Açafatas, o Toucador e o Quarto da Rainha, o Oratório; surge, ainda, o Quarto de D. Quixote, a Sala das Merendas; efectuando a articulação entre a ala O. e a ala N., surge a Sala dos Embaixadores ou das Talhas ou dos Espelhos. Na ala N., surge a Sala da Tocha, a Sala dos Archeiros, a Sala do Bilhar, a Sala dos Particulares, o Corredor das Mangas. Efectuando a articulação entre a ala N. e a ala E., a denominada ala das Princesas, surge um conjunto de compartimentos, destacando-se a Sala de Entrada, o Quarto da Princesa, um Oratório e a Sala da Escultura a Sala do Café, a Sala de Fumo e a Sala de Jantar, surgindo, ainda a Sala do Lanternim. No ângulo da ala E., a Capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição; nesta ala, a Sala de Música ou das Serenatas e a Sala do Trono. No Pavilhão de D. Maria I, surge uma escadaria central, sustentada por colunas e pilastras, e várias salas pintadas ou ornadas por azulejo, destacando-se a Sala Pompeana.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pintada, em cantaria de calcário e em betão; cunhais, pilastras, colunas, escadarias, pavimentos, modinaturas, lagos, platibandas, pia de água benta, escultura em cantaria de calcário; pavimento da Sala do Trono em mármore, sendo os demais em parquet ou ladrilho cerâmico; portas, coberturas, caixilharias, pavimentos no Pavilhão D. Maria I, tribunas, retábulos, púlpito em madeira; talha e pasta dourada; azulejos tradicionais, revestimento em papel de parede; decoração em estuque pintado, fustes e almofadas das portas espelhadas; janelas com vidro simples; coberturas em telha e em metal sobre a cúpula da capela.

Observações

*1 - Fixação de Zona de Proteção e Zona "non aedificandi", por Portaria publicada no DG, n.º 62, de 16 março 1948; Alteração dos limites da Zona de Proteção e Zona "non aedificandi" pela Portaria publicada no DG, n.º 291 de 15 dezembro 1961. *1 - as Salas da Escultura, do Café e do Fumo receberam estes nomes, quando adaptadas a estas funções por D. Luís I e D. Maria Pia, que ocuparam, esporadicamente, o palácio. *2 - a Sala de Jantar tinha uma pintura no tecto alusiva a Hércules, desaparecida no incêndio de 1936. *3 - no Inventário de 1776, a sala é referida com tendo 8 tremós de talha dourada, 8 cadeiras ricas e assentos de grade, ornados com Fábula de Esopo, surgindo várias tapeçarias. *4 - antes de chegar à Casa do Infantado, os terrenos de Queluz pertenceram, no séc. 15, a Silvestre Esteves, cónego da Sé de Lisboa, que o vendera a Mafamede Láparo, passando sucessivamente por Isaque Abarbanel, Lopo de Figueiredo. D. Beatriz, mãe do futuro D. Manuel, que a adquiriu e trocou por terrenos da Ribeira a Alfama, com D. Vasco Anes Corte Real; este tinha-a em 1535, incorporada num morgado, passando ao seu filho Manuel Corte Real, que o passou ao filho Vasco Anes Corte Real, cujo filho, morrendo solteiro, passou para a sua irmã Margarida Corte Real, que casou, em 1581 com D. Cristóvão de Moura, 1.º conde de marquês de Castelo Rodrigo; instituíram um morgado no seu filho, Manuel de Moura Corte Real a quem passou em 1613, constando, em 1630, de casas, pomares, laranjeiras, limoeiros e vinha. *5 - a existência de uma pintura da época, permite reconstituir a Quinta, totalmente cercada, com pomares e talhões agrícolas a O., surgindo a casa a E., dentro de um pátio, rodeada por adega, lagar e cavalariças; a casa evoluía em dois pisos, com uma "loggia", a que se acedia por escadaria. *6 - a Casa da Ópera era de madeira, com camarotes, uma tribuna real e plateia, estando ornada por dourados de pasta de papel e figuras alegóricas; *7 - estudo realizado pelo Arquitecto Paisagista Prof. Francisco Caldeira Cabral, tendo sido definidas duas zonas: a zona "non aedificandi et conservande" e a zona de protecção. Na zona "non aedificandi et conservande" consideram-se uma subzona rural e uma subzona edificada.Sobre esta zona, segundo o autor "Julgou-se útil juntar, a título exemplificativo, um apontamento do estudo para resolver o problema criado pelas construções da guarda fiscal. Se for executado, conseguir-se-á um efeito semelhante ao da Matinha, repetido do lado Nascente da estrada nacional e perfeitamente integrado no ambiente geral. É evidente que nos futuros projectos de urbanismo será necessário estudar caso a caso o seu impacto e a moldura vegetal necessária à sua integração no tipo e escala da paisagem.". Quanto à zona de protecção, esta não está vedada à construção, são acauteladas vistas e efeitos em relação à poluição sonora e outros factos incómodos (esgotos, industrias poluentes). Preve-se a fixação de cérceas e a criação de zonas arborizadas formando cortinas em locais adequados.Fizeram-se ainda estudos de arborização e compartimentação da área a poente dos jardins do palácio, integrando as instalações da Guarda Fiscal. Proposta realizada para DGEMN e posteriormente executada.