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Santuário da Peninha

Santuário da Peninha

O ponto de interesse Santuário da Peninha encontra-se localizado na freguesia de Colares no municipio de Sintra e no distrito de Lisboa.

Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja de pequenas dimensões com planta longitudinal e capela-mor saliente, do exterior sem interesse, mas com interior de grande qualidade e unidade, pela combinação dos mármores e azulejos azuis e brancos. Contraste entre a simplicidade arquitectónica do edifício, as suas pequenas dimensões e a sua situação isolada num local de difícil acesso, e a pujança do revestimento de azulejos que decora a totalidade das paredes e abóbada, ilustrando numa pintura cerâmica de grande qualidade episódios da vida da Virgem, constituíndo um ciclo mariano muito completo. Preciosidade da capela-mor toda revestida de embutidos.

Conjunto fortificado de planta irregular composto por Capela de Nossa Senhora da Penha, um Palácio, Capela de São Saturnino e diversas dependências. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA PENHA de planta longitudinal e capela-mor saliente. INTERIOR: nave coberta por abóbada de berço, assente em cornija de cantaria; pavimento em lajes de pedra, com sepultura de Pedro da Conceição, com inscrição. Paredes a abóbada totalmente revestidas de azulejos de composição figurativa organizados em vários registos e representando episódios da vida da Virgem. Na parede, o registo inferior é organizado em oito cenas de cada lado (lado da epístola e lado do Evangelho), constituíndo painéis de azulejo ligados uns aos outros por barras de motivos ornamentais.No registo superior, 12 episódios, em painéis de maiores dimensões, igualmente ligados uns aos outros por barras de motivos ornamentais. Na abóbada, o revestimento representa 12 cenas ilustrando a infância de Jesus, igualmente organizados em painéis, cuja ligação se faz por barras de motivos ornamentais. O tímpano da porta da entrada é totalmente revestido de azulejos de composição figurativa, representando quatro anjos esvoaçando à roda da data 1711. Capela-mor revestida de embutidos em mármores de várias cores, inclusive na abóbada de berço em caixotões. Retábulo-mor com trono, também em mármore, ladeada por colunas salomónicas e dois nichos. Na continuação da capela, a E., e a ela ligado, PALÁCIO constituído por corpos mais ou menos avançados tendo o central janela serliana, terminado em terraço, protegido por parapeito de merlões. Salas interiores com silhar de azulejos, sacristia, casa de banho, num andar inferior, e cisterna. A CAPELA DE SÃO SATURNINO, no lado O. do morro, foi aproveitada para habitação em data desconhecida e depois em estábulo. Fachada principal orientada. Existem ainda outras construções mas estão todas elas muito degradadas.

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada, cantaria, azulejos e mármores na decoração, cobertura de telha.

Observações

*1 - DOF: Santuário da Peninha, nomeadamente a Capela de Nossa Senhora da Penha e todas as dependências que a servem. *1 - segundo a lenda, próximo daquele monte vivia um casal muito pobre que tinha uma filha muda, que apascentava as ovelhas. Um dia, uma ovelha branca fugiu-lhe e ela correu atrás até àquele monte onde a encontrou sendo afagada por uma criança muito bonita. Esta disse-lhe que levasse a ovelha para casa e lhe desse pão. A menina muda falou então pela 1ª vez e disse-lhe que não havia pão em casa. A criança ordenou-lhe novamente. Chegando a casa, contou à mãe o sucedido e, de facto, encontraram pão na arca. Espantados, os pais da pastora e outras pessoas ocorreram ao monte e encontraram num buraco de pedra, a imagem de Nossa Senhora. Convencidos que a Virgem tinha santificado o local, levaram-na para a capela de São Saturnino, já abandonada pelo culto, no sopé do morro da Peninha. No dia seguinte, a imagem já não estava lá, mas no buraco da pedra. Voltaram a pô-la na capela, mas o fenómeno repetiu-se. Os aldeões percebendo o desejo da Senhora, ergueram-lhe no alto do morro uma pequena ermida de pedra solta; no fundo colocaram laje de sacada para fora, que passou a servir de altar, e ali ficou a imagem, passando a ser conhecida como Senhora da Penha ou da Peninha. (In: COSTA AZEVEDO, José Alfredo da, Velharias de Sintra, vol. I, Sintra, 1980); *2 - da primitiva capela de São Saturnino provêm também uma mitra de prata, ornada de pedras preciosas, datada de 1764, actualmente exposta no Museu Nacional de Arte Antiga.