Arquitetura religiosa, maneirista e neoclássica, adaptada durante o séc. 20 a esquadra da P.S.P.. Convento de clarissas, de construção medieval, de planta retangular irregular, composto por igreja (v. PT011312140004), casa paroquial, e alas conventuais desenvolvidas em torno de um claustro central. Fachadas rebocadas e pintadas, com elementos estruturais e decorativos em cantaria de granito aparente, rasgadas por vãos de verga reta, com molduras simples. Fachada principal rematada por platibanda descontínua, com frontão triangular ao centro, desenvolvida em três registos divididos em cinco panos assimétricos. As fachadas O. e S., apresentam vãos rasgados de forma irregular, que denunciam um passado arquitetónico que atravessou épocas diversas. O claustro maneirista, apresenta várias afinidades com o claustro do Colégio Novo de Coimbra (v. PT020603020016), com o do Convento da Graça em Lisboa (v. PT031106160053) e principalmente com o do Convento de Grijó (v. PT011317060005) (pisos superiores fechados, verticalismo, fachadas compartimentadas em painéis).
Convento de planta retangular irregular, desenvolvida essencialmente à volta do antigo claustro conventual. É composta por duas alas que se desenvolvem no sentido S./N. e E./O., igreja, sacristia e casa paroquial, desenvolvendo-se a nave fora do retângulo, a SE., e dois corpos anexos ao claustro a S.. Conjunto de volumes articulados e interligados, com coberturas diferenciadas, de duas na igreja, sacristia, três águas na casa paroquial, quatro nas alas laterais e corpos anexos, e plana sobre o claustro. Fachada principal virada a N., rebocada e pintada de branco, rematada por platibanda descontínua, encimada ao centro por frontão triangular. Divide-se em três registos, seccionados por pilastras em cinco diferentes panos, sendo o central mais estreito, onde se situa a porta principal. O registo térreo é separado dos superiores por friso e apresenta fenestração irregular. Nos registos superiores a fenestração é ritmada uniformemente, tendo as cinco janelas centrais entablamento semelhante ao da porta principal, e todas as outras molduras simples, sendo algumas em cantaria de granito e outras em betão, tendo estas recebido a mesma cor da parede. Os vidros, únicos, são basculantes. As fachadas O. e S. mostram vãos rasgados de forma irregular, denunciando vários momentos construtivos. O diálogo entre o passado e o presente é sublinhado pelos fossos de luz, que destacam e valorizam os vários momentos construtivos. Estes fossos são servidos por claraboias colocadas ao nível das coberturas. Assim, um fosso faz a separação entre a caixa interior e a atual fachada principal, dobrando para poente e para nascente. Outro põe em evidência a primitiva fachada. Os fossos são atravessados por pontes. No primeiro caso a ligação faz-se apenas ao nível da porta de entrada. No segundo, pelos passadiços situados nos vários níveis, e pelas escadas que os ligam. Distribui-se por cinco pisos. O piso 0 (cave em relação à fachada principal), corresponde ao piso inferior do claustro. Na ala S. está a descoberto uma porta em arco quebrado. No pátio do claustro, ficou em parte à vista, a parede detetada durante os trabalhos de consolidação das fundações, protegida por fosso, com grade em ferro, que dá acesso ao circuito de emergência. INTERIOR: no piso um, situa-se o átrio, colocado ao nível da rua, ao qual se chega pela já referida ponte sobre o fosso de luz, e que permite o acesso às zonas consideradas públicas e o contacto visual com o claustro, mais adiante. Desde a ponte, pode observar-se olhando para cima (o que é possível devido ao distanciamento criado pelo fosso) uma enorme grade, que acompanha a parede em vidro, da sala de reuniões, já do piso seguinte. Os pisos dois e três estão reservados a áreas específicas da instituição policial nomeadamente Comando, Telecomunicações, Secretariados e ainda Balneários, Vestiários, Quartos do Comandante, Subcomandante e Praças. O piso quatro destina-se às Messes e Bares dos Oficiais e Praças. Também aqui se tenta remeter para a memória dos refeitórios conventuais, através do teto abobadado, em gesso, e do revestimento de azulejo tradicional branco. Um último piso, sobre os refeitórios, é essencialmente destinado às áreas técnicas. O claustro com espacialidade acentuadamente vertical tem cinco registos, separados por entablamentos retos seccionados por pilastras, que se prolongam do primeiro ao último piso definindo painéis, alternadamente mais e menos largos. No piso térreo, apresenta uma sequência de arcos de volta perfeita, também de largura alternada, assentes em pilares. Os arcos estão atualmente fechados com vidros, temperados, incolores, sem caixilho, havendo portas em cinco dos mais estreitos. No piso um, mostra nos painéis mais largos, varandins em ferro assentes em cachorros de granito com caneluras, e portas em vidro com caixilho também em ferro. Estes mesmos varandins repetem-se no piso dois, alternando com janelas. O piso três é semelhante. O piso quatro tem janelas a S. e a E., e um recuo coberto nos lados opostos, sendo este, uma ampliação, integrada no espírito de reabilitação, repetindo em aço, a métrica das pilastras.
Materiais
Estrutura em cantaria de granito e aço e betão armado; reboco tradicional com areia; frisos, algumas molduras de vãos, sineira, mísulas, pilastras, entablamento, alguns pavimentos do piso térreo e degraus em cantaria de granito; azulejos nos sanitários, balneários e cozinhas; azulejo manufaturado nas escadas e refeitório; pavimento de granito amaciado, nas zonas de maior desgaste; mármore no átrio, soalho de tipo macho-fêmea nos gabinetes, salas de reuniões, salas de aulas e diversos compartimentos; tetos com placas de gesso e em algumas zonas contraplacado marítimo; coberturas de telha cerâmica mista, telha romana e telha portuguesa armada sobre sub-telha com isolamento de polietileno extrudido; as coberturas planas, são em cobre do tipo camarinha, sobre isolamento em polietileno alveolado.
Observações