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Forte de São João Baptista

Forte de São João Baptista

O ponto de interesse Forte de São João Baptista encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Aldoar no municipio de Porto e no distrito de Porto.

Arquitectura militar moderna. Fortaleza abaluartada de protecção à barra do rio Douro, cuja construção foi motivada pela necessidade de reformulação das defesas do litoral do Reino. A primeira fase corresponde ao desenho de Simão de Ruão, sendo influenciada pela tratadística italiana da segunda metade do século 26 (MOREIRA, 1994). Estrutura reformulada no contexto da Restauração através de projecto de Charles Lassart, sendo dotada de defesas avançadas, mostrando influência da engenharia francesa (BARROCA, 2001). Estrutura fortificada abaluartada organizada em torno de um complexo religioso, o qual incorporou uma curiosa convivência entre militar e civil que durou até meados do século 17, época de desactivação dos edifícios religiosos.

Estrutura em forma de quadrilátero alongado com três baluartes (sudoeste, noroeste e nordeste) e um meio baluarte a sudeste, encaixado no espaço onde se erguia o paço de D. Miguel da Silva. Ao contrário dos restantes, o baluarte nordeste apresenta ângulo flanqueado mais agudo, não correspondendo à mesma época construtiva dos anteriores. Os baluartes são maciços e não possuem casamatas, concentrando-se o poder de tiro na plataforma superior. No baluarte sudoeste ergue-se uma guarita, possuindo este um relógio solar seiscentista na junção do flanco com a cortina poente. Verifica-se ainda a existência da base de uma guarita no baluarte nordeste. A fortificação, de planta irregular, tem dois níveis de terraplenos que se podem vislumbrar na cortina a poente, o que implicou aqui dois níveis na estruturação do cordão, diferença derivada das obras de alteamento das cortinas e de construção do baluarte nordeste que ocorreram no século 17 (BARROCA, 2001). A fortaleza é rodeada por um fosso profundo, em parte do lado nascente e no lado norte, zona onde o fosso se estruturava através de escarpa, contra-escarpa e esplanada, entretanto cortada pelas obras viárias da cidade. Nesta estrutura abrem-se várias canhoneiras que se prolongam pelo lado nascente até à zona do portal setecentista. A cortina do lado norte é ainda perfurada por 3 vãos (um entaipado) abertos para o pátio de armas (zona que corresponde à nave da igreja renascentista de D. Miguel da Silva). O lado sul é rodeado por falsa-braga construída no final do século 18, onde também se abrem canhoneiras. O acesso ao interior de São João Baptista faz-se pelo portal, neoclássico, lateralmente ao qual se abria uma poterna, hoje entaipada. No interior, o recinto alberga ainda as ruínas da antiga igreja de S. João da Foz, do século. 16, bem como ruínas de um edifício abacial dos beneditinos de Santo Tirso e de uma construção conhecida por Palácio de D. Miguel da Silva, ambas também do século 16. No centro do recinto fortificado abre-se o pátio de armas, ao qual se acede por uma sequência de arcos no lado sul, sendo este coroado a nascente pela antiga capela-mor da igreja quinhentista (de planta hexagonal e cobertura abobadada), convertida em capela da fortaleza no século 17. A capela encontra-se ladeada por dois nichos em cota mais alta, estando o do lado direito praticamente destruído e o do lado esquerdo, ao qual se acede através de escada, convertido em passagem para os antigos aposentos militares. O acesso ao nível superior da cortina faz-se por rampa localizada no lado sul, em cujo terrapleno se rasgam interiormente quatro compartimentos. Os edifícios que se erguem sobre as cortinas e onde outrora se fixaram as acomodações do capitão da fortaleza, bem como os quartéis, são hoje ocupados por um auditório e gabinetes.

Materiais

Forte: cantaria de granito; edifícios para alojamento da guarnição: cantaria de granito, coberturas em telha sobre vigamento de madeira; revestimentos em reboco caiado.

Observações

S. João da Foz era Couto dos Beneditinos de Santo Tirso.