Palácio da bolsa neocllássico, de planta rectangular e alçados de dois pisos e mezzanino, com arcada e frontão triangular no corpo central da fachada principal, denotando certa influência do edifício hospitalar de Santo António. O gabinete da Presidência é decorado em estilo renascença; a sala dos retratos e a sala da Direcção ao gosto francês de Luís XVI; a sala de audiências do tribunal do comércio utiliza uma gramática da renascença francesa; o salão árabe um gosto revivalista multicolor e rico, a mais espetacular realização romântica do estuque portuense. A pintura dos brasões do pátio revela várias mãos e alguns erros de representação, como a bandeira americana, que tem riscas a menos e estrelas a mais para a época; desconhece-se a razão da representação do brasão da Pérsia, visto Portugal não ter relações comerciais com aquele país na época, e o restauro recente pôs a descoberto o brasão do Shogunato do Japão, que terminou na década de 60 do séc. 19, e que foi depois substituído pelo brasão da de Saxónia (atual Alemanha), em homenagem ao rei D. Fernando II. O brasão português monárquico foi também alterado após a implantação da República.
Planta rectangular desenvolvida à volta de um pátio com coberturas diferenciadas em telhados de 4 águas e claraboia. Fachada principal virada a O., toda em cantaria, de 2 pisos e mezzanino superior, com embasamento marcado adaptado ao desnivel do terreno, e 3 corpos, sendo o central mais avançado. Neste, abre-se no 1º piso arcada tripla de arcos pleno, sendo encimada por varanda com balaustrada e 4 colunas toscanas suportando frontão triangular com óculo no tímpano. As janelas da varanda são iguais às dos corpos laterais. Encima este corpo torre quadrada no 1º piso, com 1 janela por face, e redonda no 2º com 4 relógios; coroa-a cúpula hemisférica. Nos corpos laterais, subdivididos nos 2 pisos superiores por pilastras, abrem-se no 1º piso janelas rectangulares, encimados por bandeiras, de perfil curvo e as duas do topo semicirculares; no 2º janelas de sacada com frontão triangular e no mezzanino janelas de guilhotina. Coroamento com balaustrada, alternando os balaustres com acrotérios. A fachada lateral N. organiza-se também em 3 corpos, sendo os laterais de alvenaria rebocada e o central em cantaria sensivelmente avançado. Neste último, abrem-se no 1º piso, 3 arcos plenos e nos superiores, ritmados por pilastras, 3 janelas de sacada com frontão triangular encimados por janelas de guilhotina. Remate em frontão triangular com data de 1859 numa cartela no tímpano. Os corpos laterais têm no 1º janelas rectangulares encimados por 1 pequena de guilhotina de verga curva interligada pela mesma moldura, no 2º janelas de sacada com cornija saliente e no mezzanino janelas de guilhotina. No interior, o vestíbulo dá acesso ao Pátio das Nações, coberto por ampla estrutura metálica envidraçada. Os alçados interiores, são ritmados por pilastras caneladas, tendo no 1º piso arcos de volta perfeita envidraçados, no 2º, percorrido por varanda com balaustrada de ferro, portas de verga curva e frontão de lanços e janelas simples no mezzanino. Sanca pintada com os escudos dos países com os quais Portugal mantinha relações comerciais. Ao fundo, abre-se escadaria de acesso ao andar nobre com balaustrada e que se bifurca em 2 lanços no patim; já no patamar superior, as paredes são ritmadas por pilastras lavradas e os arcos e vãos têm as vergas igualmente lavradas; cobre-a zimbório com um lanternim em arcaria, tendo na base 12 janelas elipticas, emolduradas por medalhões e grinaldas que circundam, no desnivel, 12 brasões de municípios portugueses. Neste piso destacam-se: a Sala das sessões da direcção, coberta por um tecto de estuque dourado; a sala das assembleias gerais, com paredes e tecto decorado por madeira e ornamentações a ouro; o gabinete da presidência que conserva um tecto de estuque e paredes pintadas figurando a Agricultura, a Indústria, o Comércio e a Construção Naval; a sala de espera com os retratos dos últimos Reis de Portugal; e o salão árabe, de planta oval e 2 pisos, com arcadas e tecto de laçaria, em tons azul, totalmente ornada de arabescos, vermelho e dourado.
Materiais
Paredes exteriores em alvenaria de granito aparente e revestimento em reboco pintado. Decoração em estuques, ferro, madeira.
Observações
*1 - Os negociantes portuenses inicialmente não tinham um organismo devidamente estruturado. Matriculados na Junta do Comércio, em Lisboa, reuniam particularmente os principais numa casa da Rua Nova, facto que os levou a ser conhecidos vulgarmente por "Juntina". *2 - Foi um dos primeiros edifícios da cidade a iluminar a sua fachada e é o único Monumento Nacional aberto durante a noite aos visitantes. É ainda o único palácio da Península Ibérica a integrar a Rede Europeia de Centros de Conferências em Monumentos Nacionais.