Igreja eclética, de planta rectangular composta de nave, capela-mor, capelas laterais salientes, sacristia, torre sineira adossada, de base quadrangular, volumes articulados, coberturas diferenciadas, coberturas de telha de meia cana, beirais duplos, fachadas caiadas e pintadas de branco, com embasamento em cantaria da região. Portal rectangular maneirista, de arco de volta perfeita, com chave em relevo, assente em pilastras triplas sobre impostas, encimado por friso e cornija, remata por frontão interrompido, tendo em eixo o pássaro, tudo em cantaria cinzenta da região.
Planta rectangular, composta de nave, capela-mor, capelas laterais salientes, sacristia, torre sineira adossada à direita, de base quadrangular; volumes articulados com coberturas diferenciadas, cobertas de telha de meia cana, beirais duplos e fachadas rebocadas e pintadas de branco, embasamento em cantaria cinzenta da região. Fachada principal orientada a O., rematada em empena de cornija, encimada por cruz de braços rectos; portal maneirista de arco de volta perfeita, cabeças de anjo em simetria, chave do arco em relevo, assente em pilastras triplas, sobre impostas relevadas, encimado por friso e cornija, rematado por frontão interrompido, tendo em eixo o pássaro, representando o Espírito Santo, sobre cabeça de anjo, tendo lateralmente duas rosetas bem esculpidas, tudo em cantaria cinzenta da região; é encimado por grande óculo oval, também em cantaria com vitral colorido; simetricamente, em plano mais recuado, os volumes das capelas laterais, com coberturas de duas água; fachada S. e N., com portais laterais, rectangulares de lintel recto, apoiado sobre pilastras, cornija saliente, encimado por três janelas geminadas, molduradas por cantaria cinzenta com vitrais; em plano posterior, saliente, torre sineira de base quadrangular, encimada por varanda com galeria de ferro, em toda a volta, coruchéu, de faces triangulares e cobertas de telha de meia cana, beiral simples, vãos sineiros, com quatro sinos e arrecadação; fachada E. de empena escalonada, mais baixa, cega, correspondente ao altar-mor. INTERIOR, o pavimento da nave, é coberto de tijoleira, sendo a parte central e a moldura, lajeada a cantaria cinzenta da região; tecto em abóbada de canhão com pintura de brutescos, reproduzindo o da primitiva igreja de Santa Isabel, com elementos vegetalistas enrolamentos de folhas de acanto, anjinhos, cartelas, com alegorias de símbolos bíblicas e ao centro, cartela com as armas de Portugal, apoiado sobre sanca, pintada com marmoreados. Á entrada, a nave é protegida por guarda-vento, a que se sobrepõe o coro; lateralmente, duas portas colocadas simetricamente, de lintel recto, gradeamento em madeira escura, torneada, dão acesso, do lado esquerdo, ao baptistério com pia baptismal em cantaria cinzenta; na parede, um registo de azulejos, representa o baptismo de Cristo no rio Jordão; no lado direito, dá entrada para ao coro, com escada em caracol; cada uma das portas, é encimada por, dois registos de azulejos em estilo revivalista, sendo o da esquerda, epigráfico, assinalando a data da bênção da actual igreja e o da direita, cena com anjos tocadores. Na parede fundeira, lateralmente à porta estão colocadas duas pias de água benta em cantaria cinzenta de forma elíptica. As paredes são rebocadas a branco, de pé direito bastante alto, decoradas com catorze quadros da Via - sacra, recentemente restaurados e iluminadas por belos vitrais com cenas hagiográficas. Lateralmente duas portas de lintel recto comunicam com o exterior e mais à frente, abrem-se duas capelas laterais com arcos simples de cantaria, do lado do evangelho, o de Nossa Senhora de Fátima, do lado da epístola, de Santa Isabel, ambas iluminadas por vitrais de vãos tríplos; a nave está separada do altar-mor por cinco degraus e dois arcos simples de volta perfeita, em cantaria cinzenta. Na parede frontal de separação entre a nave e o altar-mor, encontram-se quatro painéis barrocos de azulejos, com cenas Marianas, dois de cada lado, encimados por galeria de talha rendilhada, da mesma época. O retábulo em talha estofada e dourada a folha de ouro, apresenta estrutura côncava, corpo formado por de três tramos e três andares, ático com frontão interrompido, de ideário maneirista tardio, com sugestões proto-barrocas. Espaço central côncavo, organizado a partir de dois pares de colunas torças, pseudo salomónicas que apoiam dois arcos de volta perfeita, decorados com parras, cachos de uvas, pássaros cabeças de anjos, onde se encontra o trono, antecedido por sacrário com vários elementos eucarísticos. Nos tramos laterais, do lado do evangelho um espaço com relevo raiado antevê ter sido painel de um Cristo crucificado, desaparecido; superiormente, pintura a óleo sobre tela, representa Santa Maria Madalena; do lado da epístola, baixo-relevo em talha, representa a árvore de Jessé, sobreposta por óleo sobre tela também representando Santa Maria Madalena. Ático, em eixo, tímpano oval, com pintura a óleo sobre tela, representa a Anunciação do Anjo a Maria; o topo do frontão, é fechado por uma cartela esculpida em talha, com o Divino Espírito Santo. Simetricamente ao altar-mor, do lado do evangelho, porta de ligação à sacristia e do lado da epístola, a arrecadação.
Materiais
Estrutura de alvenaria rebocada e pintada de branco, pedra basáltica, cantaria cinzenta da região, pedra de calhau rolado, tijolo, madeira, telha de meia cana, ferro, vidro simples e vidro colorido, vitral.
Observações
A Igreja da Misericórdia do Funchal, era dedicada a Santa Isabel e teve as suas instalações, entre a Avenida Arriaga e a Avenida Zarco, onde se encontra hoje o Palácio do Governo Regional. Algumas das alfaias sacras, estão expostas no Museu de Arte Sacra do Funchal, tais como, imaginária - Nossa Senhora e Santa Isabel, em madeira dourada e policromada, do Séc. 18; Cristo crucificado, escultura em madeira do Séc. 18 da Escola Portuguesa; ourivesaria - um cálice de prata lisa, do Séc. 16; Píxide de prata lisa, oficina Portuguesa, do Séc. 16; Cruz processional de prata lavrada, Sec.17; Custódia de prata dourada cinzelada e relevada, do Séc. 18; Lampadário de prata cinzelada, repuxada e vazada, Séc. 18 com Marca de ourives M. R. G. O; Turíbulo de prata cinzelada e repuxada, da segunda metade do Séc. 18; Porta de Sacrário de prata dourada, cinzelada, recortada, sobre veludo, do Séc. 18; pintura, S. Nicolau, Escola Flamenga, Séc.16; A pintura a óleo - Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel do Séc. 18, assinado, Nicolau Ferreira, 1790, a pintura da Rainha D. Leonor Lencastre e pintura de uma benfeitora anónima encontram-se na actual sede da Misericórdia do Funchal. O portal da actual Igreja, os quatro painéis de azulejos, o retábulo do altar-mor e os quadros da Via-Sacra, recentemente colocados na Igreja, pertenceram à antiga Igreja da Misericórdia do Funchal. A Confraria da Misericórdia do Funchal foi fundada em 1514 e desenvolveu a sua acção até 1834, tendo atravessado períodos de grande desenvolvimento. O tecto, é uma reprodução de 1937, do antigo tecto em abóbada de canhão da capela da Misericórdia do Funchal destruído no Séc.19 e o seu autor, foi o artista que pintou os tectos no Palácio das Galveias; mais tarde foi restaurada por António Gouveia.