Cetárias romanas fazendo parte de uma fábrica de salga de peixe, do período romano, situada no estuário do Tejo. O local teve ocupação continuada, tendo sido detectados, para além da ocupação romana, 6 níveis diferentes: uma ocupação árabe, c. do séc. 12, com fragmentos de cerâmica pintada; uma fase que corresponde ao séc. 16, assinalada por fragmentos de cerâmica comum, alfinetes de cabelo, um fragmento de um cálice em vidro, moedas de D. Manuel e D. João III; uma ocupação do séc. 17, com poucos materiais; o séc. 18, correspondente ao período de expansão urbana de Cacilhas, com assentamento de edifícios sobre as cetárias e muitos vestígios de azulejos azuis e brancos da 1ª metade do séc. 18; finalmente a ocupação mais recente, do séc. 19, com recolha de moedas datáveis entre 1886 e 1947 e vestígios de reconstrução dos edifícios anteriores.
Conjunto de 6 cetárias de boca quadrada, 5 com c. de 3,5x3,5m, uma de maiores dimensões.
Materiais
Alvenaria revestida a "opus signinum".
Observações
Além desta foi descoberta uma outra fábrica no local da Casa dos Bicos, na outra margem do rio; a estas fábricas estava associada a indústria do sal e o fabrico de ânforas, em fornos existentes nas proximidades: Benavente, Alcochete, Corroios. Além do peixe salgado, era normal a laboração do "garum", conserva altamente nutritiva, feita a partir da maceração em sal de resíduos de peixe, ovas, sangue, moluscos e crustáceos. Do espólio romano destaca-se um bordo de ânfora Dressel 1b (período republicano), fragmento de orla e disco de uma lucerna decorada com a cabeça de um gladiador, fragmento de "sigillata" itálica (forma Goudinot 42), fragmento de taça em "paredes finas" (forma XXXVII).