Arquitectura militar. É considerada a mais antiga fortificação portuguesa destinada à defesa marítima. Foi a percursora de uma longa série de fortificações que se ergueram ao longo das duas margens do Rio Tejo desde o séc. 15 ao séc. 20 (SOUSA, 1997). A cortina a E., apresenta um cordão pelo lado inferior do parapeito, de secção rectangular enquanto no restante, cortina S. (a da antiga porta de armas porta de armas) e baluarte, os cordões são de secção semicircular. Pedraria com seteira do séc. 15, na antiga torre; mísula de guarita do séc. 17 e porta de entrada de acesso à capela.
Planta em U, formada por três corpos, sendo dois orientados a S., entre os quais fica a esplanada da bateria, junto à arriba; o 3º corpo une por S. os dois primeiros. A partir do canto SO. da fortaleza, prolonga-se a construção com baluarte e torre de vigia. Sobre o núcleo principal da fortaleza, construções de habitação. Corre um fosso ao longo da cortina E., hoje entulhado. Tem três baluartes com casernas, um a NE., outro a SE. e outro a S.. Na muralha, canhoneiras. O corpo central da Torre Velha é de construção quadrangular, ampla, rebaixada, vendo-se apenas a parte inferior do piso térreo, com porta e janelão. Adossada vê-se a casa do governador. Perduram as seteiras e mata-cães na muralha. Vêem-se os encastramentos de vigas (de um possível sobrado em piso superior). Esta parte da torre é coberta em abóbada de berço e sobre ela fica um terraço (2), com escada exterior de acesso ao segundo piso, entre o térreo e o terraço, comunicando com ambos por porta. Cachorros (de balcões ou de mata-cães), provavelmente, de apoio a uma varanda ou cortina. Há um escudo de armas sobre a verga de porta, ao nível da antiga praça de artilharia, com as armas portuguesas. Construções acima do antigo parapeito, resultado da transformação em Lazareto.
Materiais
Alvenaria, cantaria
Observações
Esta torre compreenderia dois pisos, acima do solo: o piso térreo e o sobradado. Porque o terreno fronteiro à torre desapareceu, não é possível fazer-se aí pesquisa arqueológica. Tomou o nome de velha por ser mais antiga que a de Belém; (1) - Pensa-se que anteriormente a D. Sebastião, teria o nome de São Brás, patrono dos artilheiros (SOUSA, 1997); (2) - Este terraço seria, possivelmente, o piso ao nível do varandim ou grupos de mata-cães, em cima do qual se erguia um corpo de menor área rematado por um telhado de quatro águas. Com grande semelhança se veio a erguer, mais tarde, a Torre de Belém.