Arquitectura cultural, do século 20. Edifícios resultantes de um projecto comum onde é retomada a linguagem do Movimento Internacional, no contexto da evolução da arquitectura portuguesa a partir da II Guerra Mundial. Além da especificidade funcional de cada edifício, destacam-se as plantas compostas por corpos regulares, a disposição horizontal de volumes, o aproveitamento das soluções estruturais e decorativas permitidas pelo emprego do betão armado, as fenestrações contínuas, as palas de protecção aos acessos, a depuração da composição, de tendência geometrizante, e a utilização decorativa de materiais de natureza e textura diversas. No exterior, as áreas arborizadas, situadas junto aos limites E. e O. da praça, apresentam características do modernismo na arquitectura paisagista como a valorização do peão, para o qual foram criados ambientes com clausura que convidam ao deambular no seu interior sendo criados para o efeito percursos pedonais possibilitando um alheamento do que o rodeia e um contacto mais intimista com a natureza. Conjunto que representa uma ruptura com a linguagem arquitectónica do Mosteiro dos Jerónimos, contrariando a tendência das intervenções anteriores neste conjunto histórico. A preocupação de harmonização do conjunto conduziu o arquitecto a adoptar para o Pavilhão das Galeotas pórticos de 40 m de vão, distanciados de sete em sete metros, numa modulação idêntica à do Mosteiro. Construído para expor uma colecção museológica de características muito específicas, o Pavilhão das Galeotas foi projectado em função de duas das principais peças da colecção do Museu de Marinha, o Bergantim Real e a Galeota Grande. A composição das fachadas e da cobertura foi estudada de molde a controlar a entrada de luz solar no interior. O Planetário constituiu uma obra complexa e especializada na mais avançada técnica da época. A cúpula estava incluída entre as maiores da Europa
O Museu de Marinha, incluindo outros serviços da instituição como arquivo e biblioteca, ocupa um conjunto edificado que se divide em duas zonas arquitectonicamente distintas: as alas N., E. e O. do anexo do Mosteiro dos Jerónimos e os edifícios construídos a poente que, junto com a fachada O. do Mosteiro, formam um "U" gerando uma ampla praça. Integram este último núcleo: o Pavilhão das Galeotas, a O., e o edifício do Centro de Estudos e Planetário, a N., constituindo as frentes da Praça do Museu; num plano posterior, anexam-se o observatório astronómico, a NO., e as oficinas do Museu, a E. do Planetário e recolhidas atrás da ala N. do Mosteiro. PAVILHÃO DAS GALEOTAS - Planta composta, resultante da articulação de dois corpos funcionalmente distintos, ambos de planta rectangular, com volumetria horizontal e coberturas em betão, mas diferenciadas: o corpo correspondente à nave de exposição do Museu, de grande dimensão e desenvolvido no sentido S.-N., e o que alberga os serviços de cafetaria e loja, localizado no topo S. da fachada E. e de menor área. Fachada principal orientada a E., dominada pelo corpo da nave do Museu, dividida em 14 tramos definidos por pilares de betão à vista, e com uma superfície totalmente rasgada em três registos contínuos de janelas envidraçadas, cuja verticalidade é acentuada pela caixilharia; no extremo S., corpo destacado, dividido em dois registos contínuos de janelas envidraçadas separados por larga faixa de alumínio, com porta de acesso ao centro, demarcada por pala saliente assente em quatro finos pilotis. A fachada O., totalmente de betão à vista, encontra-se rasgada por sete aberturas de iluminação em faixas horizontais contínuas. A fachada S. é revestida a cantaria, com porta articulada de alumínio à esquerda e esfera armilar e âncora em baixo relevo à direita, apresentando amplo vão triangular aberto superiormente na parede, com vitral e caixilharia fixa formando decoração geométrica. O alçado N. integra igualmente um vão igual, aberto sobre um pano liso de betão. O corpo da nave dispõe de uma cobertura de betão em dente-de-serra, com a vertente menor envidraçada e orientada a N., permitindo iluminação zenital do interior. INTERIOR: Espaço diferenciado em zona de cafetaria e loja, localizadas no corpo destacado da fachada E., e em zona de exposição, constituindo esta última um espaço único, formado por um grande vão rectangular. Evidencia-se interiormente a estrutura de betão à vista, em particular nas coberturas e no alçado O., junto ao qual corre uma galeria sobrelevada a uma altura de 5 m, a estabelecer o acesso a uma plataforma central com ligação por escada ao piso térreo *1; a iluminação é garantida pelo envidraçamento do alçado E., pelas frestas horizontais no alçado O. e pelos dois grandes vãos abertos nos alçados N. e S.. A cobertura é em tecto de alumínio ondulado, sem apoios intermédios, assente sobre estrutura metálica e vigamento de betão à vista. No alçado N. situa-se o acesso às instalações do Museu de Marinha, localizadas na ala O. do anexo do Mosteiro dos Jerónimos, realizado através do Edifício da Galeria / Centro de Estudos. EDIFÍCIO DO CENTRO DE ESTUDOS E PLANETÁRIO - Planta composta, articulando o corpo longitudinal, de dois pisos, do Centro de Estudos (a S.) com o corpo octogonal, em piso único, do Planetário (a N.). Volumetria horizontal, acentuada pela cobertura em terraço, destacando-se a massa semi-esférica do Planetário ao centro. Fachada principal voltada a S., longa e simétrica, assente parcialmente sobre pilotis, formando-se galeria aberta encimada pela fenestração contínua que define o segundo piso. O acesso ao edifício, centralizado, faz-se pelo primeiro piso, através de três grandes portas de vidro: assinalam a entrada principal uma pala de betão ligeiramente saliente da fachada, bem como os três janelões que, no segundo pavimento, interrompem o ritmo regular de abertura dos vãos. O alçado N. apresenta um corpo destacado ao centro, ao nível do segundo piso, elemento de ligação do edifício do Centro de Estudos ao Planetário. Partindo de cada um dos extremos E. e O. da fachada N., duas escadarias em aparelho irregular de cantaria asseguram ainda a comunicação com os terrenos do Planetário. Este edifício apresenta alçados tripartidos com panos murários salientes e reentrantes, revestidos com aparelho irregular de cantaria. Na fachada N. destaca-se um pano central reentrante com porta de acesso e panos laterais rematados por fileiras contínuas de pequenas janelas. A cúpula encontra-se rodeada por um terraço octogonal, volumetricamente destacado dos panos das fachadas. INTERIOR: o edifício do Centro de Estudos estabelece ligação com as alas do Mosteiro a E. e com o Pavilhão das Galeotas a O. através de galeria aberta no primeiro piso. Neste, um vestíbulo com escada helicoidal dá acesso ao átrio de distribuição do segundo pavimento e ao pequeno corredor com escada de acesso ao Planetário; este corredor permite aceder directamente a uma galeria de circulação em torno da sala de projecção circular, para a qual se abrem quatro portas de acesso dispostas segundo os pontos cardeais; cobertura em cúpula e zona de projecção ao centro da sala, rodeada por fileiras de cadeiras. O Museu de Marinha inclui ainda o edifício das oficinas, destinado a oficinas do Museu e instalações para alojamento de funcionários do serviço de guarda e conservação, englobando serviços anexos de refeitório e cozinhas: de planta próxima do "U", composta pela articulação de três corpos rectangulares; volumes de disposição horizontal, formando pátio interior limitado a N. por muro; cobertura em terraço não acessível; acesso principal localizado a S. do conjunto e entrada para carros e serviço no extremo N. da fachada O., junto ao muro que limita o terreno. EXTERIOR: foram criadas dus zonas de estradia longitudinais, fortemente arborizadas, simétricas, paralelas ao maior eixo da praça, junto aos seus limites E. e O.. Entre elas Ribeiro Telles criou um espaço aberto, revestido a calçada portuguesa que desenhou com um padrão de figuras geométricas triangulares, em tons de rosa, cinza, marfim e preto. Cada um destes espaços encontra-se separado da praça por uma cortina de árvores que confere uma certa clausura a cada um destes dois locais e no seu interior existem caminhos pedonais constituídos por uma sequência de pequenas placas individualizadas, envolvidas por relvado para o passeante deambular. Na faixa ajardinada confinante com o Pavilhão das Galeotas, junto ao seu limite, foi criado um lago longitudinal a que se segue um relvado que o acompanha em todo o seu comprimento. No espaço simétrico, situado junto à fachada O. do mosteiro, vamos encontrar uma faixa arrelvada, com árvores na periferia e os referidos percursos pedonais no seu interior.
Materiais
Betão armado, pré-esforçado e celular, pedra, alumínio, aço, ferro, latão, chapa acrílica, lã de vidro, vidro belga, filtro sol e vitral, aço, alvenaria hidráulica, alvenaria de tijolo, alvenaria de betão ciclópico, alvenaria de pedra, marmorite, madeira de tola e de carvalho, mosaico cerâmico, ferro, plástico, estuque
Observações