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Área urbana do Restelo

Área urbana do Restelo

O ponto de interesse Área urbana do Restelo encontra-se localizado na freguesia de Belém no municipio de Lisboa e no distrito de Lisboa.

Setor urbano. Área urbana situada em encosta, no limite ocidental do termo da cidade . Área rural medieval de jurisdição régia com expansão moderna e mais marcadamente contemporânea. Núcleo inicial formado junto a ancoradouro na praia, com estruturação linear ao longo do século 16, a partir da fundação monástica da Ordem dos Jerónimos e da torre-baluarte destinada a defender a barra do Tejo. Consolidação do eixo ribeirinho através da aquisição régia de várias quintas, impulsionando o aforamento de terrenos para construção de quintas de veraneio. Expansão urbana contemporânea planeada em meados do século 20, integrada nas linhas estratégicas do plano geral da cidade. Área da cidade cujo território foi, em larga extensão, planeado no século 20, tendo mantido até então grande parte do seu caráter rural, registando-se apenas alguma atividade industrial. Com o Plano Geral de Urbanização de Encosta da Ajuda definiram-se as linhas estratégicas do crescimento urbano, enquanto isso na mesma época o espaço público situado em frente ao mosteiro dos Jerónimos e ao palácio de Belém foi alvo de intervenção e "monumentalizado", no contexto comemorativo da Exposição de Mundo Português, evento que estabeleceu em definitivo a vocação cultural e turística deste setor da cidade. A zona ribeirinha, de Belém a Pedrouços, mantém um forte simbolismo, na relação da cidade com o rio/oceano e na identidade de Portugal enquanto nação, com origem no início das primeiras navegações marítimas. O limite nascente da cerca do mosteiro dos Jerónimos e o eixo que o acompanha (rua dos Jerónimos / rua Ilha da Madeira) constituem um elemento estruturante (e de certa maneira fraturante) da malha urbana, que sempre condicionou o crescimento urbano nesta zona, separando os Jerónimos do núcleo urbano da rua de Belém, cuja formação se encontra ligada à dinâmica do mosteiro.

Área urbana composta por malha heterogénea, com núcleo inicial de formação linear junto à margem ribeirinha e extensa área planeada contemporânea cobrindo praticamente toda a encosta. A povoação do Restelo, estabelecida no séc. 13 na proximidade de um ancoradouro, e limitada pela Calçada da Ajuda E. (ribeira dos Gafos) e pela Rua dos Jerónimos (ribeira dos Pocinhos), marcou o início da ocupação deste território. A fundação do mosteiro dos Jerónimos, no reinado manuelino, no local onde se implantava uma ermida da ordem de Cristo, destinada a receber os navegantes das primeiras expedições marítimas, propiciou um novo desenvolvimento populacional, tornando-se o elemento polarizador do crescimento urbano do extremo ocidental da cidade. O aglomerado expandiu-se junto à praia, e consolidou-se no largo mosteiro e ao longo do eixo formado pela rua direita de Belém. Em simultâneo, foi edificada a torre de São Vicente, ou torre de Belém que, em conjunto com as torres de Santo António de Cascais e de São Sebastião, entre a Trafaria e Porto Brandão, assegurava a defesa da barra do Tejo no século 16. Na sequência do crescimento da população, foram aforadas terras pelos monges hieronimitas ao primeiro governador da torre de Belém, Gaspar de Paiva, começando a estruturar-se um núcleo de traçado linear junto às praias do Bom Sucesso e de Pedrouços, consolidado no século 17 com a edificação do convento das freiras dominicanas (v. PT031106320288). As características deste território, essencialmente ligado ao mar, como primeiro porto de entrada de Lisboa, alteraram-se no final do século 17, com a aquisição de terrenos por alguns membros da nobreza. Surgiram as primeiras quintas de recreio e palácios, começando a delinear-se uma rua direita da ribeira de Algés à Junqueira. Já no século 18, instalando-se a Casa Real de Campo em Belém e, com a aquisição por D. João V de cinco propriedades, duas delas situadas em Pedrouços (as quintas da Praia e do Correio-mor), reforçou-se a importância da área de Belém / Restelo. O terramoto, que não causou grandes danos nesta zona, originou um fluxo migratório e a permanência do rei e da corte em Belém. O período liberal foi marcado pela elevação de Belém a concelho, por um breve espaço de tempo, e pela expropriação do mosteiro dos Jerónimos, permitindo a transferência da Real Casa Pia para as suas instalações e libertando a ampla cerca que se estendia até ao Alto do Restelo. O aterro da zona ribeirinha de Belém, iniciado em 1887 e integrado no Plano Geral de Melhoramentos de Lisboa, alterou a relação de proximidade com o rio. Foi a partir dessa altura que surgiram nesta zona unidades fabris, com destaque para a primeira fábrica de gás para iluminação, construída nos terrenos da Torre de Belém e mais tarde desativada. A partir do segundo quartel do século 20, a área do Restelo foi alvo de uma profunda transformação urbanística. Foram edificados bairros de casas económicas (Bairros de Caselas, v. PT031106400872, e do Caramão da Ajuda, v. PT031106011854) no limite do Parque Florestal de Monsanto (v. PT031106081742), junto a eixos principais, mas com intenção de os manter isolados da malha urbana preexistente. A consolidação definitiva ocorreu com o Plano de Urbanização da Encosta da Ajuda (v. PT031106321323), integrado no Plano Geral de Urbanização traçado por De Groër e cuja área abrangeu toda a encosta, delimitada a S. pela rua de Pedrouços, a Rua dos Jerónimos a E., o limite do Parque Florestal a O. e o limite administrativo do concelho de Lisboa a O., incluindo também a zona envolvente do palácio da Ajuda. A extensão deste plano permitiu a criação de eixos fundamentais de ligação aos concelhos limítrofes de Oeiras e Amadora (avenidas Vasco da Gama e da Descobertas), bem como o prolongamento do eixo urbano da rua dos Jerónimos através da rua ilha da Madeira, que percorre o perímetro nascente da extensa cerca do mosteiro. No entanto, o eixo seiscentista formado pelas ruas da Praia de Pedrouços e Praia do Bom Sucesso foi cortado pela rua da Torre de Belém. A urbanização progressiva da encosta iniciou-se com a construção do Bairro das casas económicas da Encosta da Ajuda (v. PT031106320819) e com o loteamento da área destinada a moradias unifamiliares, situada a norte da rua D. Francisco de Almeida, estendendo-se até ao Alto do Restelo (Plano de Alto do Restelo, EPUL e Bairro Rosa, v. PT031106401620). Foram igualmente concretizados equipamentos coletivos, com destaque para o estádio do Restelo, implantado sobre uma pedreira da antiga cerca do mosteiro do Jerónimos. A par desta transformação no plano habitacional, a área do mosteiro dos Jerónimos foi "monumentalizada" para aí se instalar a Exposição do Mundo Português em 1940. Este evento possibilitou a execução de novos espaços públicos (praças do Império e Afonso de Albuquerque), através da demolição de casario e da transformação de alguns espaços urbanos (largo do chafariz) situados perto ao mosteiro e da rua Vieira Portuense. Foi a partir desta época que a área circundante ao mosteiro de Santa Maria de Belém ganhou uma vocação turística e cultural, pela concentração de museus, com destaque para o Centro Cultural de Belém, construído já no limiar do século 21.

Materiais

Não aplicável

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