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Palácio de Rio Frio

Palácio de Rio Frio

O ponto de interesse Palácio de Rio Frio encontra-se localizado na freguesia de Pinhal Novo no municipio de Palmela e no distrito de Setúbal.

Palacete de traça neoclássica.

Planta em T. Volume simples e imponente cujo corpo central é formado por dois pisos nobres rematados, ao nível do telhado, por uma mansarda com características particulares, dada a sua dimensão fora do comum, inserida em telhado de quatro águas. Alpendrada coberta por telhado de três águas. Fachada principal SE. rematada ao nível térreo por piso subterrâneo, assinalado na frontaria pelo friso inferior de janelas*1. Ao longo da frontaria correm, adornadas por painéis de azulejos e recortadas por arcos e colunas, 2 galerias sobrepostas de configuração suavemente dissemelhante: a arcada inferior, de 9 vãos, acolhe ao centro a escadaria que, a partir do pátio, conduz ao andar nobre; na arcada superior, que introduz a galeria do 2º piso, a balaustrada de ferro e os arcos empregues na galeria subjacente cedem lugar, em pormenor assimétrico, a uma sucessão de colunas. A alpendrada de inspiração paladiana é adornada por azulejos de gosto romântico tardio.*2 Fachada SO. saliente nos extremos preeenchida na reentrância com janelas de peito encimadas por cornija simples. Fachada NO. com métrica regular de vãos (janelas) de peito, centrada por túnel de acesso ao pátio interior. Fachada NE. simétrica à fachada SO.. INTERIOR: Hall amplo cuja estereoctomia polícroma do pavimento em pedra contrasta com a sobriedade da pedra moleanos branca que reveste as paredes e as colunas pétreas cujo capitel é encimado por friso clássico ornado com métopas que termina por sua vez em sanca trabalhada igualmente em pedra. Tecto em madeira nervurado. Escadaria de acesso ao 2º piso em madeira com balaustrada ritmada. Lambrim com azulejos de tons amarelo e azul, com motivos florais de cariz abstracto acompanha a escada em ambos os pisos e contorna a Sala de Estar, pequeno espaço onde, a par das poltronas clássicas, se situa uma lareira em pedra meticulosamente trabalhada com medalhões, friso e motivos naturais em alto relevo. A partir da entrada, à direita, encontra-se a Sala de Jantar que exibe magníficos painéis de azulejos de tons azul e branco alusivos ao ciclo do vinho interrompidos por duas janelas de peito voltadas para a fachada principal e uma mesa em madeira, de ar senhorial e magnânima. Soco em azulejo de tons idênticos com motivos naturais relacionados com a vindima ao longo de todo o perímetro da sala. Tecto em madeira nervurado rematado nas paredes com cachorros em madeira que encimam cornija no mesmo material. Á esquerda, a Sala das Éguas, com azulejos polícromos em todas as frentes que retratam cenas de caça, interrompidos na fachada principal por duas janelas de peito. Soco em painéis de madeira, acompanhado de lareira em pedra na frente SO. Portas originais em madeira com moldura trabalhada combinam com mobiliário rústico. Espaço de lazer e de "fumo" com comunicação directa para o interior do palácio.

Materiais

Alvenaria de pedra, telha cerâmica de aba e canudo, tijoleira, azulejo, pedra moleanos, madeira.

Observações

*1 O piso subterrâneo foi, no passado, destinado a acomodações de serviçais; *2 Excelente exemplar da arquitectura e do urbanismo da sociedade burguesa de finais do século 19, início do século 20. Imponência e riqueza nas decorações interiores e exteriores. Edificações habitacionais da herdade apresentam semelhanças com as Casas Grandes de tradição sul americana; *3 A autoria do projecto é também atribuída a José Ribeiro Júnior (in Quem conhece o palácio de Rio Frio?, Linha do Sul, Nº13, Agosto 1982, pp.8 - Biblioteca Municipal de Palmela); contudo, de acordo com a proprietária do palácio, é da autoria de Raul Lino, sendo esta uma fonte incerta devido a um incêndio que destruiu parte dos arquivos da Câmara Municipal de Palmela. *4 - O Palácio presidiu a um dos mais extensos latifúndios do país durante o século 20, época de José Maria dos Santos que triunfou no uso de tecnologias inovadoras ao nível agrícola. Ao mandar abrir um canal de 18 Km entre o Tejo e Rio Frio, para um melhor escoamento da sua produção vitícola, estaria a criar as melhores condições para, após a destruição das suas sementeiras pelas cheias de 1880, transformar tudo em plantações de arroz, deveras produtivas e rentáveis numa época de crise. Francisco Garcia, ao adquirir em 1984 a herdade com a intenção de formar um complexo agro-industrial, organizou a Casa Agrícola e a Sociedade Agrícola de Rio Frio, devolvendo a vinha à herdade e, consequentemente, a produção vitivinícola da região de Palmela, em larga escala. No piso térreo existe uma outra sala destinada a jogos de mesa e visionamento de televisão. No 1º piso existem também quatro quartos com casa de banho, dos quais se destaca uma vistosa suite que integra além do quarto, uma sala de estar e uma ampla casa de banho, com os acessórios originais, destacando-se uma antiga e bem conservada banheira de quatro pés. A zona dos quartos mantém a distância devida aos aposentos de estar de modo a que seja salvaguardada a privacidade. Painéis de azulejos com uma coloração acastanhada e um estilo pouco comuns em Portugal. Cavalariças forradas a azulejos de Jorge Colaço.