Arquitectura religiosa, classicista, maneirista, barroca. Igreja e convento construídos com sobriedade e austeridade espacial e decorativa, patenteando vestígios de pintura murária, maneiristas. O pórtico ostenta reportório classicizante de influência italiana de Serlio. A Igreja apresenta planta longitudinal composta por nártex, nave de espaço unificado com dois púlpitos, e capela-mor, abobadadas do maneirismo; no frontispício há o emprego de diferentes escalas, ostentando um frontão aberto, fragmentado com volutas enroscadas; destaca-se no claustro o emprego da ordem toscana nas colunas, repertório maneirista. A edícula apresenta uma estrutura centralizada, clássica, com pintura ornamental de padrão seiscentista, ingénua composição de brutesco. São barrocos os frisos azulejares de divisória do convento.
Planta poligonal, composta pelos corpos da igreja e do convento, com claustro e diversas dependências; volumes articulados em justaposição, com disposição de massas na horizontal, destacando-se a massa simples isolada de uma edícula. Coberturas diferenciadas, existindo apenas alguns vestígios delas. IGREJA: fachada principal voltada a SO. com embasamento levemente proeminente, é de um único pano delimitado por cunhais apilastrados e de 2 pisos definidos, no piso térreo, por uma arcada tripla e, no superior, pelo vazamento de janelão rasgado, no eixo do arco central; o portal é tripartido em arcada serliana, com o vão central arqueado e os laterais rectilíneos, de colunas simples com fuste liso; superiormente, o pórtico articula-se com janelão e com nicho para imagem; o janelão patenteia vestígios de verga e jambas em cantaria e é moldurado com ornamentação relevada em concheados, conchas e volutas; o nicho encontra-se no centro do frontão de volutas, fraccionado, assente em cornija, rematando por sua vez em cornija balançada, de suporte ao pequeno frontão aberto, com volutas, com fragmento de cruz no topo, resultando um remate de fachada em duplo frontão. O INTERIOR é de espaços diferenciados, compondo-se em capela-mor, nave e galilé; na capela-mor, da cabeceira há poucos vestígios, onde ressaltam resquícios de arco de volta perfeita, erguendo-se por trás uma parede; os paramentos laterais são de um tramo com vazamentos de ambos os lados, rasgando-se superiormente óculos circulares de iluminação e ostentando vestígios de silhares azulejares recortados e de pintura mural; a cobertura é em abóbada de berço. Um arco de triunfo de volta perfeita sobre pilastras lisas faz a separação do espaço único da nave; nos paramentos laterais desta, de vários tramos, destacam-se sinais de existência de revestimento azulejar, do mesmo tipo dos da capela-mor; a cobertura é de abóbada de berço assente em cornija continuada. A separação da galilé fazia-se por parede com passagem centralizada, de que resta parte da estrutura em ruína; o paramento interior da fachada principal é rasgado pelo janelão e pelo pórtico já descrito; da cobertura, há resquícios do arranque de abóbada de berço. CONVENTO: da estrutura do convento restam algumas fachadas erguidas, parte do claustro, compartimentos e corredores de acesso a eles. As fachadas existentes mostram paredes lisas correspondendo a dois pisos, com grande número de vazamentos de fenestração desenvolvida de modo ritmado, correspondendo a janelas rectangulares, distinguindo-se algumas aquadradadas ou horizontalizadas, e a portas, algumas molduradas com vergas e ombreiras em cantaria, havendo vergas rectilíneas e arqueadas; as coberturas encontram-se em grande parte caídas, vendo-se os arranques das abóbadas. O claustro é formado por pátio central descoberto, delimitado no piso térreo por colunas toscanas galbadas, desenvolve-se em dois pisos de galerias sobrepostas em seu redor, em cujos paramentos distingue-se vestígios de existência de azulejos azuis e brancos; neles abrem-se as passagens para os compartimentos das celas, do refeitório e de outras divisórias; as galerias do piso térreo são cobertas por abóbadas de berço de arco perfeito e abóbadas de cruzaria quadripartidas. Os compartimentos são de pé-direito baixo, com os paramentos evidenciando resquícios de pintura mural e com coberturas em abóbadas de arco rebaixado; destaca-se um com pequena lareira com chaminé, flanqueada por um compartimento de reduzidas dimensões de cada banda (poiais ou armários), ostentando restos de paramento azulejar em azul e branco; destacam-se os restos de um lavabo com nicho de abóbada em concha, identificando-se nos seus paramentos vestígios de pintura mural, sendo a cobertura em abóbada de berço de arco rebaixado. CASA DE FRESCO *2: Planta centralizada, regular, massa simples com disposição vertical, com cobertura em domo; INTERIOR com acesso por arco de volta perfeita, apresenta tanque de água, tem a cobertura em abóbada pintada de meia laranja com pintura ilusionista de uma cúpula de pregas; os paramentos interiores encontram-se revestido com frescos.
Materiais
Pedra: calcário, mármore, entulho; alvenaria: mista, pedra e cal; madeira: talha dourada e pintada, vária; pintura mural, espécies de conchas, fragmentos de faiança.
Observações
O convento localiza-se num sítio de grande importância arqueológica com vestígios do período Calcolítico. *1: As datas de fundação do convento assim como as das construções de suas partes não alcançam consensualidade. *2: Os poços que actualmente existem circundantes à edificação estão secos, mas a mina que capta a água para o poço do Convento ainda funciona na época das chuvas. A Casa de Fresco ("buvette" termal) teria secado devido a algum desvio espeleológico ocorrido (ADÃO, 1953).