Arquitectura religiosa, gótica, manuelina. Igreja conventual, integrada no convento da Ordem Militar de Santiago, com 3 naves escalonadas; grande despojamento decorativo (ausência de capitéis e de decoração supérflua) característico do gótico do séc. 15. As naves laterais estreitas e elevadas sustêm a abóbada central, permitindo a ausência de contrafortes exteriores. Igreja gótica, mantendo a estrutura primitiva. O interior do templo, que foi totalmente coberto de pinturas de brutescos no séc. 18, conserva ainda algumas, nomeadamente no sub-coro e na nave lateral esquerda, num programa decorativo típico do barroco. Azulejos polícromos de padrão seiscentista decoram as enjuntas dos arcos da capela-mor e azulejos setecentistas, do chamado período dos mestres, na nave e no arco que sustenta o coro alto. Salienta-se o arcossólio onde está colocado o ossário de D. Jorge de Lencastre de decoração manuelina, embutido no pano murário da nave lateral esquerda. Capela-mor com arcos decorados com embutidos de expressão maneirista. A nível epigráfico destaca-se o tipo de letra utilizado na inscrição nª 6: uma combinação de capitais quadradas e góticas minúsculas caligráficas. Destaque para o alto nível de execução plástica dos brasões de armas esculpidos nas tampas sepulcrais onde foram gravadas as inscrições nºs. 1 e 3. Curiosa é a semelhança entre a inscrição nº 4 e a inscrição nº 12 existente na Igreja de São Domingos, em Elvas (PT041207010003), por ter a mesma composição e idêntico formato do campo epigráfico, que imita uma almofada com quatro borlas nos cantos.
Planta longitudinal, composta pelos rectângulos justapostos da nave e cabeceira, este de menores proporções; a S., a todo o comprimento da igreja dependências várias adossadas à muralha; volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de 2 e 1 águas, sobre a nave, cabeceira e sacristia, em terraço sobre restantes dependências. Fachada principal de um pano, rasgado por portal inscrito em alfiz, com 3 arquivoltas e colunelos sem capitel, encimado por óculo com igual molduração, remate em empena triangular coroada por merlões; fachada lateral N. rasgada por 5 frestas em arco quebrado sem moldura e por porta em arco quebrado, na nave, por 3 janelões rectangulares, alternando com 2 contrafortes escalonados, um deles encostado obliquamente, na cabeceira; nave e cabeceira coroadas por fiada ininterrupta de merlões poligonais; torre sineira prismática no ângulo NO. da nave. INTERIOR: 3 naves desiguais separadas por arcos quebrados, com 5 tramos cada com cobertura em abóbadas de berço ligeiramente quebrado, com as enjuntas decoradas com azulejos azuis e brancos, setecentistas; pilares cruciformes com colunelos adossados sem capitéis; no pavimento seis tampas de sepultura epigrafadas; coro-alto eleva-se sobre arco em asa de cesto com guarda assente em merlões, apresenta tribuna sobre a porta lateral; abóbadas de cruzaria de ogivas no subcoro, rebaixada e com nervuras sob a tribuna, com arcos descarregando sobre mísulas e decoradas com brutescos de composição vegetalista e cartelas figurativas com legendas. Na parede N. a arca ossário de D. Jorge de Lencastre, prismática em brecha da Arrábida, dentro de arcossólio em arco cairelado com pequenas rosetas emoldurado por toro de troncos podados torsos sobre bases facetadas e com capitéis vegetalistas onde assenta arco conopial rematado por capitel; no pano de fundo o escudo de armas de D. Jorge de Lencastre; Arco triunfal quebrado, sem capitéis, dá acesso à capela-mor com abóbada artesoada descarregando em mísulas, apresentando nas enjuntas dos arcos azulejos polícromos de padrão seiscentista; pavimento cerâmico, preto e branco, de figuração geométrica. Porta de comunicação entre a capela-mor e a sacristia com pilastras e verga de embrechados; rasgamento e decoração idênticos da edícula na parede oposta, tendo no fecho do arco uma voluta. Sacristia de planta quadrada, com lavabo em brecha da Arrábida, seguida por capela com abóbada rebaixada em cruzaria de ogivas; o longo corredor que conduz à saída mostra abóbada de quarto de canhão, com um último tramo em cruzaria de ogivas.
Materiais
Alvenaria de pedra e tijolo, cantaria, telha cerâmica, azulejo, madeira, vidro.
Observações
*1 - DOF: compreendendo o túmulo de D. Jorge de Lencastre. *2 - A C.M. de Palmela e a Enatur projectam a utilização da igreja para a realização de actos culturais e a instalação de um restaurante panorâmico (1998).