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Igreja de Santa Maria dos Anjos

Igreja de Santa Maria dos Anjos

O ponto de interesse Igreja de Santa Maria dos Anjos encontra-se localizado na freguesia de Arca e Ponte de Lima no municipio de Ponte de Lima e no distrito de Viana do Castelo.

Igreja paroquial, de fundação medieval, com nave única e capela-mor, de que subsiste o pórtico, em arco apontado, escavado e com várias arquivoltas, com decoração vegetalista, alterada pela ampliação no período maneirista, resultando em três naves escalonadas, de dois tramos definidos por pilares com capitéis clássicos e cabeceira tripartida, com capela-mor poligonal e absidíolos retangulares. Tem coberturas internas diferenciadas, de madeira em apainelados, na nave, e em abóbada de berço de caixotões de cantaria, na capela-mor e transepto. É iluminada escassamente por janelas de volta perfeita, correspondendo à construção primitiva, algumas entaipadas, e por janelas retilíneas, em capialço, nas naves laterais. A fachada principal é em empena, com os vãos rasgados em eixo, composto por portal e rosácea revivalista, neogótica. As fachadas rematam em cornija, as da nave principal sobre cachorros de cantaria, as do transepto e capela-mor com merlões recortados e gárgulas de canhão estriadas, tipicamente seiscentistas. A torre sineira quadrangular, adossa-se à fachada lateral direita, possuindo um vão com arco canopial. Na fachada posterior, surge um nicho assente em cornija e protegido por pequeno baldaquino, numa solução típica do período medieval e visível na Sé de Braga (v. IPA.00001050). No interior tem coro-alto sobre arco em asa de cesto, púlpitos confrontantes, adossados aos pilares divisórios das naves, e retábulos de talha maneirista, do tipo nicho, e barroca do estilo nacional. Destaca-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição, sob a torre, com portal de acesso ornado pelas armas dos fundadores, flanqueado por moldura torsa e pequenos pilares laterais, de inspiração manuelina, sendo de referir a sua abóbada polinervada e a existência, no interior, das lápides tumulares dos fundadores e descendentes. Possui pia de água benta sobre pilar torso com anel a meio, semelhante ao da pia batismal, apontando para feituras contemporâneas. Os topos do transepto mantêm os retábulos primitivos, o do Evangelho, embora truncado e com remate alterado, revela-se um exemplar maneirista, com profusa decoração fitomórfica no remate e predela com imagem relevada; o da Epístola, do estilo nacional possui vários elementos que apontam para a Confraria que o mandou executar, a do Senhor Jesus, surgindo, na cartela do remate, os cravos e, no altar, uma cruz envolvida por sudário. A cobertura da tribuna revela semelhanças com o retábulo do Santíssimo da Sé de Viana do Castelo, apontando para uma fase tardia do barroco nacional, já datável do séc.18. Apresenta sotobanco de madeira em branco, contrastando com o douramento do resto da estrutura, revelando um reaproveitamento. Dos absidíolos, destaca-se o do Evangelho, destinado a receber a Capela do Santíssimo, com decoração semelhante à da Sé de Viana do Castelo no arco de acesso (v. IPA.00004129), apesar de se encontrar amputado no remate; está flanqueado por colunas e profusa decoração figurativa e fitomórfica. Parte do espólio artístico de talha foi removido, segundo teorias de restauro puristas, de meados do séc. 20.

Planta poligonal, com três naves de dois tramos, transepto inscrito e capela-mor, ladeada por dois absidíolos e pelos dois anexos das sacristias; junto à fachada principal, torre sineira quadrangular, de volumes articulados e masses horizontalistas, cortadas pela torre, verticalizada, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave, capela-mor e transepto e de uma nas naves laterais. Fachadas em cantaria de granito aparente, de aparelho isódomo, rematadas por cornija, sustentada por cachorrada no corpo da nave, por beiral e por platibanda de merlões recortados, no transepto e capela-mor. Fachada principal virada a noroeste, em empena, com cruz vazada e hastes flor-de-lisada, no vértice, com dois registos definidos por cornija. No primeiro, rasga-se o portal escavado e com acesso por quatro degraus, de perfil ligeiramente apontado, formando seis arquivoltas, umas toreadas e outras decoradas por caneluras, bolas e rosetas, sustentadas por oito colunas embebidas; os capitéis são alongados e ornados por palmetas, rosetas e folhagem enrolada; na segunda coluna da direita, duas aves a beber de uma taça; nos ângulos da fachada, duas mísulas de cantaria *1. No registo superior, surge uma rosácea, com molduras múltiplas, a interior boleada, formando pequenos pilares concêntricos, que sustentam arcos trilobados; tem vitral colorido, representando, no óculo central, polilobado, a Virgem com o Menino. No lado direito e ligeiramente recuada, a torre sineira, rasgada, inferiormente, por janela retilínea e, na face sudoeste, por fresta e pequena janela com remate em arco canopial, sob a qual surge painel de azulejo; superiormente, possui quatro ventanas de volta perfeita, encimadas por relógios circulares e o conjunto remata em ameias e pequena estrutura metálica, que sustenta uma sineta e um catavento. A fachada lateral esquerda, virada a nordeste, tem, na nave central, janela de volta perfeita, em capialço e entaipada, e porta em arco de volta perfeita, de dupla arquivolta, formando moldura toreada, com acesso por um degrau, flanqueada por duas janelas retilíneas, também em capialço; o corpo do transepto, em empena com cruz latina no vértice e pináculos nos ângulos, é rasgado por duas janelas em capialço e com molduras salientes, encimada por óculo circular entaipado; no cunhal do lado direito, uma gárgula de canhão, com decoração estriada; o corpo da sacristia tem, no extremo, janela retilínea com moldura saliente e protegida por grades de ferro. Fachada lateral direita, virada a sudoeste, sendo visíveis duas janelas retilíneas da nave central e duas frestas em capialço na lateral, que flanqueiam portal em arco de volta perfeita, semelhante ao da fachada oposta; o corpo do transepto, em empena com cruz latina no vértice, sobre plinto volutado com a data "1713", é rasgado por janela em capialço e tem, no lado esquerdo, gárgula de canhão, estriada; adossado, o corpo da sacristia de dimensões distintas, com dois e um pisos, tendo janela jacente na face noroeste e, na sudoeste, quatro janelas sobrepostas, as inferiores em capialço e as superiores retilíneas, todas protegidas por grades de metal. Fachada posterior com capela-mor de perfil poligonal, encimada por três gárgulas de canhão, estriadas, tendo, ao centro, nicho de perfil semicircular, com cornija inferior e baldaquino superior, ornado por elemento cordiforme, contendo a imagem de pedra da Virgem com o Menino; o corpo adossado no lado direito tem porta de verga reta, flanqueada por duas janelas retilíneas, todas com moldura saliente, em cantaria. INTERIOR em cantaria de granito aparente, de aparelho isódomo, com pavimento em lajeado de granito e cobertura de madeira, de cinco panos apainelados na nave, com tirantes metálicos, sendo de um pano nas laterais. As naves são separadas por quatro pilares com capitéis jónicos, formando arcos torais de volta perfeita e aresta côncava. Coro-alto assente em arco em asa de cesto, com guarda de madeira balaustrada e acesso através do corpo da torre, por escadas de dois lanços, que partem da nave lateral da Epístola. O portal axial e portas travessas encontram-se protegidos por guarda-vento de madeira e vidro colorido, todos ladeados por pias de água benta, com taça estriada e bordo boleado; junto ao primeiro, no lado do Evangelho, arcosólio em arco apontado, alteado por um degrau de perfil contracurvado, contendo duas tampas de sepultura. Na parede lateral e junto a este, nicho de volta perfeita, tendo, inferiormente, pedra de armas e caixa de esmolas de madeira. Confrontantes, quatro confessionários de madeira encerada. Sob a torre, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, com acesso por dois arcos de volta perfeita, um em cada face, com cobertura em abóbada polinervada, contendo vários bocetes com decoração, o central com as armas dos Pereira, e os demais com estrelas de oito pontas; possui retábulo de talha em branco e duas sepulturas no pavimento. No lado do Evangelho, vitral representando a "Coroação da Virgem" e, à entrada, pia de água benta, assente em plinto torso, com anel cordiforme, tendo taça hemisférica, decorada por motivos fitomórficos e com bordo boleado. Nos pilares que marcam o cruzeiro do transepto, dois púlpitos confrontantes, quadrangulares, assentes em bacias de cantaria, sobre mísulas do mesmo material, com guardas de madeira torneada e acesso por portas de verga reta. O transepto tem coberturas em abóbada de berço, em caixotões de cantaria, assentes em friso, cornija e mísulas equidistantes, o central do braço da Epístola rasgado por vitral, representando um Pelicano; nos topos, retábulos de talha dourada, o do lado do Evangelho, dedicado a Nossa Senhora de Fátima e o oposto a Nossa Senhora das Dores *2. Para os braços, abrem os absidíolos, com coberturas de falsas abóbadas de berço de madeira, em caixotões e assente em cornijas, o do lado do Evangelho com acesso por arco de volta perfeita e moldura saliente, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em abóbada de berço, tendo, ao centro, pia batismal de mármore rosa, assente em pilar torso com anel cordiforme taça quadrilobada e ornada por motivos vegetalistas. No topo, óculo circular e, no lado da Epístola, arco de volta perfeita de ligação à capela-mor. O oposto tem acesso por arco de volta perfeita e, sobre dois degraus, um altar em cantaria; no topo, óculo circular com moldura oitavada; no lado do Evangelho, arco de volta perfeita, que liga à capela-mor e, no oposto, porta de acesso à sacristia. O arco de acesso está ladeado por porta de verga reta e moldura saliente, de acesso à sacristia, encimado por pedra de armas com paquife. No cruzeiro, órgão positivo de armário. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, com fustes almofadados, que se prolongam numa segunda ordem de pilastras, a sustentar frontão triangular e que enquadram nicho de volta perfeita, de interior concheado. Capela-mor de perfil poligonal, com cobertura em abóbada de berço, em caixotões de cantaria, assentes em friso, cornija e consolas equidistantes. Supedâneo de três degraus, sobre o qual surge a mesa de altar, assente em dois pilares de cantaria; na parede fundeira, o altar-mor, em cantaria, com frontal ornado por uma "Última Ceia", em relevo policromo, encimado por sacrário em forma de templete, com a porta decorada por custódia e as iniciais "IHS". No lado do Evangelho, porta dintelada de acesso à sacristia e, no oposto, nicho quadrangular, para alfaias *3.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito aparente; modinaturas, cruzes, pilares, pavimento, pias de água benta, sotobancos dos retábulos, colunas, coberturas em cantaria de granito; pia batismal em mármore; coberturas, portas, guardas-vento, retábulos, caixilharias de madeira; janelas com grades de ferro; janelas com vidro simples ou colorido; vitral; coberturas em telha.

Observações

*1 - As mísulas sustentavam uma sacada corrida, em cantaria, com guarda metálica, para onde abriam duas portas-janelas, de verga reta, rematadas por cornija; entre estas, um nicho de volta perfeita, com remate em friso, cornija e frontão triangular. *2 - As capelas dos topos do transepto tiveram outras invocações, sendo a do Evangelho dedicada, sucessivamente, a Nossa Senhora do Carmo e a Nossa Senhora da Piedade, enquanto a oposta albergou a Confraria do Senhor Jesus, onde depois se instalou a Nossa Senhora das Dores. *3 - A capela-mor tinha duas confrarias sediadas, a do Espírito Santo e a de Nossa Senhora, a Grande. *4 - A Confraria do Espírito Santo foi instituída no séc. 14, na Correlhã, transitando para a Capela de São Vicente, atual Capela de Nossa Senhora da Guia, até ter posses para construir uma capela própria. *5 - A Irmandade foi instituída em data incerta por António Barbosa Aranha e a sua mulher, Ana Baldaia, tornando-se cabeça de vínculo.