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Fortaleza de Santo António

Fortaleza de Santo António

O ponto de interesse Fortaleza de Santo António encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Cascais e Estoril no municipio de Cascais e no distrito de Lisboa.

Arquitectura militar, moderna abaluartada. Forte costeiro quinhentista para defesa marítima integrado no programa filipino de fortificação da barra do Tejo com o contributo de engenheiros militares italianos, constituindo uma das fortificações desenhadas por Vicenzo Casale na última década do século 16, integrando alteração proposta por Leonardo Turriano. Incluído na rede de fortificação costeira do século 17 desenvolvida no contexto da Restauração. Fortificação de planta quadrangular, composta por dois baluartes virados a terra e por dois meios baluartes virados ao mar, formando flancos e cortinas muito curtos; integra fosso seco com estrada coberta, praça baixa com bateria, bateria alta e conjunto edificado destinado a quartéis, casa do governador e armazéns de artilharia. Constitui o mais importante ponto intermédio da defesa costeira entre a Fortaleza de São Julião da Barra e a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz / Cidadela de Cascais, assim pensado desde o século 16 e em complemento com o Forte de São Lourenço da Cabeça Seca / Bugio, este projectado também por Vicenzo Casale. No século 17 e no contexto da Restauração este sistema de defesa marítima foi reforçado com fortins, baterias e linhas de fuzilaria complementares às fortificações principais. Fortificação quase regular, apesar de adaptada à morfologia do terreno muito irregular no lado marítimo, facto que terá justificado a alteração proposta por Leonardo Turriano, passando a incluir duas baterias a cobrir o lado costeiro. Adaptação contemporânea para fins residenciais e recreativos no contexto institucional do Ministério da Defesa.

Fortificação abaluartada de planta quadrangular, composta por dois baluartes virados a terra (NO. e NE.) e por dois meios baluartes virados para o mar (SO. e SE.), com três dos ângulos flanqueados iguais, mas formando flancos e cortinas muito curtos. A frente voltada ao mar é a mais irregular devido ao facto de integrar uma praça com bateria baixa e uma bateria alta com acesso ao aquartelamento. O recinto magistral, circundado por cordão, apresenta paramentos em talude, em cantaria aparente apenas nas faces voltadas ao mar e nos cunhais, sendo os restantes panos rebocados, tal como os parapeitos que incluem actualmente apenas três canhoneiras; integra oito guaritas cilíndricas (revestidas por cimento) com cobertura em cúpula e rematadas com um pináculo, quatro inseridas no recinto magistral e quatro nos ângulos da contra-escarpa do fosso; apenas uma das guaritas (SE.), de construção contemporânea, apresenta forma octogonal. O fosso é seco (à excepção do lado costeiro) e inclui contra-escarpa com estrada coberta e correspondente banqueta; o fosso comunica com o mar no lado SO., enquanto no lado SE. é cortado pela entrada do forte, constituindo a zona mais irregular que foi objecto de alteração da estrutura quinhentista inicial. O acesso efectua-se a partir do fosso, através de ponte (antes levadiça e junto à zona ocupada com corpo da garagem e anexo), incluindo trânsito com corpo da guarda, isto é, um túnel que dá acesso à praça e bateria baixa, integrando ainda um lanço de escadas para subir à bateria alta (erguida sobre o corpo da guarda) e ao quartel. A praça baixa incorpora o parapeito da bateria, o acesso à cisterna de água nativa, a quatro compartimentos correspondentes à Casa do Governador, assim como aos armazéns, marcados por duas arcadas sob o meio baluarte SO., actualmente fechadas mas integrando portas de lintel recto encimadas por duas janelas. O aquartelamento superior apresenta planta rectangular desenvolvendo três pisos, sendo dividido em duas alas também rectangulares, comunicando entre si através de uma corredor com pé-direito total marcado por arco de volta inteira em cantaria e coberto com abóbada de berço, ao fundo do qual se encontra a capela. Cada um dos blocos inclui quatro portas de acesso aos dois primeiros pisos, integrando compartimentos que serviam de quartel para os soldados e de armazéns de artilharia; a partir do espaço aberto entre os baluartes e o quartel efectua-se a entrada para o terceiro piso, de pé direito menor e com cobertura plana. A capela dedicada a três padroeiros (Santo António do Estoril, Santa Bárbara e Nossa Senhora do Socorro), de pequena dimensão, tem planta rectangular e apresenta portal de lintel recto em mármore encimado por pequeno nicho caiado com imagem de Santo António; interior coberto com abóbada de berço rebocada, apresentando estrutura do retábulo-mor em mármore, com arco de volta inteira enquadrado por pilastras molduradas e encimado por frontão triangular com base ornamentada alternadamente por medalhões ovais e losangos; interior com abóbada de berço e mesa de altar também paralelepipédico, em mármore e com frontal decorado por losangos. O conjunto dos espaços integra em várias zonas azulejos policromos do Estado Novo, em silhares e painéis representando momentos heróicos da História de Portugal.

Materiais

Calcário, alvenaria de pedra, cimento, ferro, madeira, telha, azulejo.

Observações

O Forte de Santo António da Barra não deve ser confundido com o desaparecido Forte de Santo António do Estoril que se localizava na praia do Tamariz (v. Plantas dos fortes e fortalezas da costa do norte do Reino de Portugal, 1796, BPMP, Cod. 49, cópia GEAEM/DIE 8100-3-43). Descrição do Forte de Santo António em 1854: "Este Forte é um quadrado fortificado por meio do sistema abaluartado com flancos e cortinas muito curtos e perfeitamente regular nos lados Leste, Norte e Oeste sendo por estes lados circundando de um fosso e de uma entrada coberta e competente esplanada. Os seus parapeitos de 8,5 palmos de grossura pouco mais ou menos são de alvenaria com canhoneiras podendo nos lados de Leste e Oeste 4 bocas-de-fogo. Na frente Leste próximo da face do Baluarte existe um paiol e casa para balame, cobertos por telhado, que, necessitam de alguns consertos. A frente do Sul é irregular constando de duas baterias, superior e inferior, a primeira fornada de um parapeito a barbete de 4,5 palmos de altura e 5 de espessura. Pode conter 3 bocas-de-fogo e a segunda feita do mesmo modo e aproximadamente de iguais dimensões, pode assestar 8, sendo colocadas 2 no estreito do plano do fosso com frente a Oeste e 1 na outra extremidade fronteira a Leste. No centro da fortificação se eleva um terraço fechado de abobada de 87 palmos de comprimento por 72 de largura para o qual assim como para a bateria superior dá acesso uma escada de bastante declive e estreitos degraus o que torna muito dificultoso o transporte de Artilharia para aqueles pontos. E por baixo deste terraço existe o espaçoso quartel do Governador, casa de palamenta, bons armazéns, arrecadações e outros alojamentos que podem alguns deles servir de paiões quando as circunstâncias o exigirem por serem à prova e secos, ficando os quartéis de guarnição por baixo da bateria superior nos quais e em alguns dos alojamentos referidos podem acomodar de 80 a 100 praças. Existe no plano da bateria baixa uma boa cisterna talhada em rocha com água nativa e no mesmo plano uma casa de trânsito fechada de abobada, para serventia do Forte, onde há comodo para alojar a guarda da porta, e junto à qual mostra ter havido ponte levadiça. Diversos lugares da fortificação carecem de alguns reparos, principalmente a muralha para o lado do mar, o quartel do Governador, quarteis de guarnição e paiol. A sua elevação sobre o nível do mar é de 63 palmos proximadamente. Ignora-se a época em que foi construído, depreendendo-se, porém, pela sua configuração e informações obtidas, que já existia no Reinado dos três Filipes de Castela." Relatório do brigadeiro José G. F. Passos e do capitão engenheiro Joaquim A. E. Vaz, 26 Março 1854 (GEAEM/DIE,3130-6-83-118).