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Minas de São Domingos

Minas de São Domingos

O ponto de interesse Minas de São Domingos encontra-se localizado na freguesia de Corte do Pinto no municipio de Mértola e no distrito de Beja.

Minas de pirite cúprica exploradas através de galerias abertas na rocha, de exploração romana, utilizando apenas as pirites ricas em cobre. Exploração industrial sistemática das pirites cúpricas e sulfurosas, com vista à extracção de cobre, enxofre e à produção de ácido sulfúrico; em Inglaterra, para onde eram exportadas, os resíduos do tratamento das pirites para extracção de enxofre e ácido sulfúrico eram aproveitados para produção de cobre, ferro, ouro e prata. As minas de São Domingos foram o primeiro empreendimento mineiro do país. Em seu redor foi criada uma povoação destinada a suprir as necessidades do complexo: edifícios ligados à exploração mineira (armazém de ferro, fundição, serração a vapor, casas das máquinas de esgoto, extracção e compressores de ar, oficina, casa da balança, laboratório, sala de desenho, escritórios, estações de caminho de ferro), palacete do engenheiro director (v. PT040209020052), casas dos empregados e operários, quartéis (militar e de polícia), cavalariças, cocheiras, armazéns de víveres, mercado, hospital e farmácia, igreja (v. PT040209020048), cemitério.

A jazida de pirite cúprica acompanhava os afloramentos de superfície, estendendo-se na sua maior dimensão no sentido ONO. e ENE. O campo reservado à exploração, com uma área de 798.000 m2., situava-se dentro de um hexágono irregular, com vértices no Cerro do Pego da Sarna, Cerro do Vale de Cambas, Cabeço das Bicadas, Alto de Chabocais, Alto do Vale da Mata e sinal da Herdade da Careta. Para exploração da jazida foram abertos 27 poços verticais em comunicação com o mineral, para serviço de esgoto, ventilação, pesquisa e extracção; uma galeria de esgoto ao nível da galeria romana, para servir a parte superior da mina; túneis para extracção e galerias em direcção e transversais, dividindo a massa em pilares e maciços, feitas na salbanda na altura dos diferentes pisos (a 12, 28, 52, 62, 75, 92 e 122 m abaixo do nível do esgoto). As galerias tinham, no início, 2 m de largura por 4 m de altura, alargando depois para 4m por 6 m. A exploração fez-se também a céu aberto, com escavações até aos 62 m e utilizando uma linha férrea para a extracção. Percorrendo as minas foram criados 7 açudes, utilizando a água da Ribeira de Chança.

Materiais

Observações

1. Os achados nos arredores da mina permitiram confirmar a ocupação da área pelos romanos: restos de construções, túmulos, objectos cerâmicos, estátuas, medalhas, moedas; do interior da mina foram retiradas 10 rodas hidráulicas (Sequeira, 1883); uma dessas rodas conserva-se no Museu Nacional da Técnica, em Paris. 2. A exploração industrial da mina processou-se, até 1880, segundo 3 métodos: a lavra de baixo para cima, pelo método de pilares e maciços, a lavra a céu aberto, para exploração da massa partindo de massas superiores e o método de cimentação, por filtração de água através do maciço cúprico, bombagem para a superfície e precipitação do cobre em tanques. 3. A água dos açudes era usada para o tratamento dos minérios, para abastecimento de oficinas, máquinas a vapor, regas e usos domésticos; um dos açudes era usado como depósito das águas sulfatadas procedentes dos trabalhos de tratamento.