Arquitectura de transportes, modernista. Estação marítima de embarque e desembarque de passageiros. Empreendimento nascido no âmbito da política de obras públicas do Estado Novo, integrando-se em particular nos planos de obras da I Secção do Porto de Lisboa, dos quais faziam parte dotar a capital com uma grande estação marítima no Cais do Sodré. A Gare Marítima de Alcântara, a par da Gare Marítima da Rocha de Conde de Óbidos, foi projectada como uma estrutura complementar, por isso de menor dimensão e capacidade. Até aos anos 50 do século 20 - período que vê surgir as primeiras intenções de ampliação no edifício de Alcântara - a ideia de construir a Gare Marítima do Cais do Sodré não é abandonada, pois ela surge no desenvolvimento dos Planos de Faria da Costa para aquela zona.
De planta longitudinal, o edifício apresenta volumetria paralelepipédica escalonada, sendo a cobertura efectuada em terraço e em estrutura metálica em canhão. O alçado principal (N.) organizado em 4 corpos, desenvolve-se em 2 pisos sendo os corpos intermédios ritmados por portas ao nível do piso térreo e por janelas no primeiro andar, destacando-se em planta o do extremo (E.) e o corpo principal. Desenvolvendo-se contíguamente ao alçado tardoz, para E. e O. observam-se dois terraços que terminam em escadaria, e se apoiam em colunas, guarnecidos com guarda metálica. O corpo principal compartimentado em 3, apresenta na parte central, definida por pano de muro côncavo, vazado ao nível do piso térreo (com placagem de cantaria), por 3 portas rectangulares envidraçadas, protegidas por pala e encimadas até ao remate do alçado por 3 janelões rectangulares. O corpo principal é superiormente rematado por um volume recuado em planta, vazado por 7 óculos circulares. O interior apresenta duas entidades espaciais no piso térreo: o átrio de forma sensivelmente elíptica, com acesso ao 1º andar efectuado por escada em lanços rectos com patamares; um segundo espaço de planta rectangular, separado do átrio por porta de acesso directo ao cais de embarque. A área, iluminada por janelões abertos no muro S., é ritmada por pilares de secção quadrangular. No piso superior, a Sala de Espera com duplo pé direito, exibe frescos de José de Almada Negreiros (1893 - 1970).
Materiais
Betão armado, alvenaria mista e de tijolo, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, madeira ferro fundido
Observações
*1 - Classificação e Zona Especial de Proteção conjunta da Gare Marítima de Alcântara (v. PT031106260244) e da Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos (v. PT031106370517).