Arquitectura civil pública, barroca. Chafariz de duas taças e coluna central, fortemente trabalhada donde ressaltam quatro bicas carrancas, masculinas, intercaladas por folhas de acanto. A taça inferior, quadrilobada é marcada por uma corda muito saliente. A taça superior, menor, é composta por quatro grandes vieiras nervuradas. O coroamento é constituído por coroa, sobre almofada assente em cubo decorado com escudos. Impressionante pelas proporções, e exuberância decorativa. Atente-se na espessura da coluna central. Cada uma das partes do chafariz, rigorosamente lavrada, apresenta-se autonoma em termos formais, mas imprime grande movimento o jogo da rotação das faces de cada peça.
O tanque de planta rectangular alongada, rasteiro ao pavimento, com muretes rebocados no contacto com o mesmo, apresenta bordo em granito saliente e liso. Nos ângulos elevam-se pequenos pináculos em cantaria, constituídos por plinto de perfil côncavo, encimado por esfera. Numa das faces estreitas do tanque, do lado O. o remate de cantaria ao eixo é rasgado em forma de V e saliente em U para a face exterior, implantando-se na cota do pavimento uma caixa quadrangular com um orifício para escoamento das águas em excesso do tanque. Coluna central, apoiada num forte pedestal constituído por duas zonas, uma de superfície lisa e perfil "bombé" e a segunda fortemente trabalhada donde ressaltam quatro bicas. A segunda zona, é decorada com quatro carrancas masculinas, de enormes bigodes curvilíneos intercaladas por folhas de acanto. De cada boca sai uma bica metálica que jorra água para o tanque. Este corpo, encimado por sucessivos frisos é rematado por um friso tipo corda que serve de transição para a primeira bacia de contorno sinuoso. Esta, composta por quatro gomos, de bordo recortado e marcado por uma corda de elementos muito salientes, apresenta a superfície inferior decorada e relevada com flores de lís, volutas e folhas de acanto. A partir desta bacia ergue-se um outro pedestal, muito relevado, com grinaldas, intercaladas por festões com flores de lís e volutas, encimado por uma segunda taça, constituída por quatro conchas avolutadas, de profundas caneluras. O coroamento do chafariz subdivide-se em duas partes, a inferior de quatro faces, com quatro escudos, sendo dois nacionais e os outros ostentando os cravos de Matosinhos. A rematar, coroa sobre almofada de bordo curvo, com borlas pendentes nos ângulos. A coroa constituída por uma sucessão de flores de lís, ostenta ainda elementos florais num friso inferior e elementos geométricos na base.
Materiais
Granito na fonte e elementos decorativos do tanque; alvenaria rebocada nas paredes do tanque; ferro nas bicas.
Observações
A designação de Chafariz de Matosinhos também é dada ao Chafariz do Claustro do Antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição (v.PT011308050047). Segundo Robert Smith este chafariz enquadra-se no período que Nasoni esteve a trabalhar ao serviço da Irmandade de Bouças, quando interviu na Igreja de Bom Jesus de Matosinhos e arranjo do adro. Segundo este, o Chafariz de Bouças é inspirado nos chafarizes de claustros conventuais do séc. 17, como o de São Gonçalo de Amarante, Tibães, Santo Tirso, Rendufe e Grijó. *1 - Nos meados do séc. 15 o terreno que faz parte da Quinta da Conceição era designado por Granja ou Quinta da Granja, sendo prazo do Mosteiro de Leça do Balio; *2 - O nome de Quinta da Conceição deriva do Convento de Nossa Senhora da Conceição que teve aí o seu assento entre 1481 a 1834; *3 - Segundo o Eng. Fernando Pinto de Oliveira, Manuel José de Freitas Guimarães, cede a quinta a José Nogueira Pinto, que mais tarde a cede a sua mãe D. Maria Francisca dos Santos Pinto de Araújo.